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“O vinho verde é hoje uma marca de referência ao nível mundial”

O presidente da Adega Cooperativa de Felgueiras e do Conselho de Administração da Vercoope – União das Adegas Cooperativas da Região dos Vinhos Verdes, onde a Adega de Felgueiras é a maior acionista, fala, em entrevista ao Mundo Português, do atual momento promissor do vinho verde.
“O vinho verde é hoje uma marca de referência ao nível mundial, principalmente nos mercados de exportação onde o crescimento tem sido exponencial todos os anos”, realça.
“Costumamos dizer que o fator de diferenciação é o território único e as castas, apesar de haver castas aqui, que estão também no país inteiro. Há castas que são autóctones como o Loureiro, a Trajadura, o Azal e o Alvarinho, ou o Arinto que é uma casta nacional, apesar de se dar muito bem nesta região. Mas para além das castas que são tradicionais da região, temos também o nosso clima e o nosso território que nos proporcionam vinhos diferentes dos outros. São vinhos com menos teor alcoólico e com mais frescura e aromas. E que hoje são reconhecidos no mundo inteiro. A região dos vinhos verdes sofreu nos últimos 20 anos uma revolução, com os programas de reestruturação da vinha foram plantados milhares de hectares de vinha e reestruturados outros. Hoje há vinhas novas com sistemas de condução diferentes e outros melhoramentos, o que fez com que os nossos vinhos tenham alcançado uma qualidade incomparável”, sustenta.

“O vinho verde alcançou uma qualidade incomparável”, Casimiro Alves

Sobre o peso das exportações na expansão do vinho verde refere que na última década foi exponencial.

“No ano passado atingimos 25% do total de vendas em exportação e faturámos cerca de 10 milhões de euros, esperamos este ano chegar aos 30% do total de vendas e alcançar os 11 milhões de faturação. Tendo em conta que nós há 10 anos exportávamos apenas 10% da nossa produção, foi um grande salto”, anota, apontando como principais mercados da exportação a Rússia, EUA, Brasil, Alemanha, Luxemburgo, França Itália, Suíça, Noruega, Japão, Correia e mais recentemente no Cazaquistão e Ucrânia.
Sobre o futuro do vinho verde o optimismo é grande: “Eu acho que o vinho verde vai cada vez mais afirmar-se como uma marca mundial, vai cada vez vender-se mais e vai cada vez produzir-se mais. Há muitas centenas de hectares de vinhas novas plantadas, já há quem esteja assustado e pense que vai sobrar, eu penso que não vai sobrar vinho. Acho que vai faltar vinho no futuro, porque em todo o mundo, o vinho verde é cada vez mais apreciado e com a entrada em produção das novas plantações, a qualidade do vinho verde será melhor”.
Fundada em 1964 no coração da região demarcada dos vinhos verdes, uma das maiores regiões demarcadas do mundo, a Vercoope engloba as adegas cooperativas de Amarante, Braga, Guimarães, Famalicão, Felgueiras, Paredes e Vale de Cambra e promove a qualidade, bem como a venda dos vinhos nelas produzidos. Vocacionada para grandes mercados e compradores, as suas marcas encontram-se nos mais importantes supermercados, na restauração e na distribuição especializada, inclusive, disponíveis na internet.
Sobre esta união de cooperativas que agrupa sete adegas Cooperativas, Casimiro Alves explica que “desempenha o trabalho comercial e de engarrafamento dos vinhos dessas mesmas Cooperativas” .
“Representa vendas na ordem dos sete milhões de litros de vinho por ano e comercializa os vinhos das suas associadas que são também as acionistas da ‘Verccope'”, continua.
Sobre o atual momento no setor cooperativo refere que a gestão diária “acontece como na generalidade das empresas onde há umas que são mais dinâmicas, outras menos dinâmicas, entretanto há muitas que já desapareceram e foram líderes de mercado e nas cooperativas acontece a mesma coisa. Houve umas mais bem geridas, outras menos, e algumas desapareceram, naturalmente, por erros de gestão principalmente, mas as que ficaram, eram as melhores e estão hoje com um forte dinamismo e um forte crescimento nas vendas”.
Sobre a comercialização dos vinhos por parte da Vercoope, Casimiro Alves afirma que comercializam “as marcas das Adegas, sendo que a Adega Cooperativa de Felgueiras representa mais de 50 por cento da produção e do capital da empresa”. “Também comercializamos um grupo de marcas comuns a todas as Adegas, as chamadas marcas da ‘União’, com destaque para as marcas ‘Via Latina’, ‘Pavão’ e ‘Verdegar’. Algumas destas marcas, especialmente a marca ‘Verdegar’ não se encontram muito no mercado nacional, mas estão bem presentes nos mercados da exportação onde são bastante apreciados”.