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Fui ao Líbano e fiquei na Europa

 

Está na hora de deixar o Líbano.
Das muitas viagens que já tive o privilégio de fazer, não me lembro de uma onde me tenha custado tanto partir.
Voo já daqui a pouco, com destino a Portugal, obviamente feliz por ir encontrar a família, os amigos, os colegas, os alunos, os eventos, a comunicação, a rádio, a televisão, a escrita, o desporto, a cultura, tudo quanto torna enobrece e enriquece a minha vida.

Levo também um merecido banho de humildade e uma necessidade de reflexão contra os perigos da má informação ou da falsidade que pode estar contida na mesma, bem como da sibilina armadilha dos estereótipos com que nos regemos sem verdadeiro conhecimento de causa.

De que falo eu?
Mal comentei com o meu círculo social que iria até ao pais do cedro, começou o bombardeamento sobre o perigo do terrorismo, sobre o Odio multicultural, racial e religioso e só faltou quem me sugerisse que eu comprasse uma farda militar, capacete a condizer, colete à prova de bala e rezasse a todos os santinhos possíveis e imaginários para não ser alvo de sevícias, crueldade e violência. A tortura incessante estava à minha espera no Líbano!
Por momentos, julguei mesmo que me tivesse expressado mal e todos achassem que eu estava de partida para a Venezuela!
Mesmo quando já lá estava, foram inúmeras as mensagens a perguntarem-me se os tiros e as bombas eram constantes e se eu estava barricado no hotel, a tremer de medo. Vá lá que ninguém me pediu que tirasse uma “selfie” com um miliciano, segurando embevecido uma AK47…

E o que fui eu lá encontrar?
Um país que, depois de ter enfrentado uma violenta guerra civil entre 1975 e 1990, conseguiu reconstruir a sua sociedade e tornar-se uma economia moderna e com traços europeus.
Um país que voltou a enfrentar o terror do conflito quando, em 2006, nova guerra entre Israel e o Hezbollah (grupo islâmico xiita que para além de partido político possuiu milícias armadas) causou a morte de civis e pesados e significativos danos na infraestrutura civil do Líbano.

E o que fizerem os libaneses?
Assumiram nova reconstrução e hoje possuem toda uma área urbana moderna e, mesmo que aqui e ali ainda se vejam sinais da última guerra, tornaram-se uma sociedade cosmopolita, culturalmente avançada e com um nível cultural que pede meças aos países desenvolvidos da Europa. Obviamente, a sociedade libanesa enfrenta problemas próprios de um crescimento voraz e, a certo ponto, desorganizado (algo a que estamos habituados em Portugal…), tendo ainda muito que resolver sobretudo ao nível da salubridade pública. Por exemplo, o lixo é manifestamente um dos calcanhares à vista de quem lá vai e à saúde de quem lá vive.
Nos muitos momentos em que deambulei por Beirute, Jounieh ou Biblos, constatei com os meus próprios olhos que, tal como anunciado oficialmente, a criminalidade no Líbano é verdadeiramente residual.
Constatei ainda algo impossível de ver na esmagadora maioria de todos os países do Médio oriente: mesquitas e igrejas, lado a lado, crentes a exercerem o seu direito de culto em paz e com respeito mútuo.
Numa visita ao Santuário de Nossa Senhora do Líbano (local mágico, quase esotérico), por lá vi todo o real valor do ecumenismo, com um corrupio respeitoso de cristãos, muçulmanos e crentes de outras religiões a comungarem de uma busca de paz espiritual em respeito e paz social.

Os libaneses são modernos, organizados, afáveis e sofisticados.
Sabem ser, sabem receber e, pelo exemplo do certame em que participei, sabem organizar eventos ao mais alto nível.
São também um povo com o qual deveríamos estabelecer laços mais fortes, ou não fossem os libaneses descendentes dos fenícios e não tivessem os fenícios deambulado por terras agora portugueses, ao redor do ano 1.000 A.C., estabelecendo feitorias para aumento do comércio, buscando metais em troca de produtos do seu fabrico ( tecidos, estatuetas, objetos de barro).
No território português teriam visitado a zona terminal do Tejo, e também a foz do Sado e região costeira do Mondego ao Douro. Deixaram alguns vocábulos na fala peninsular, como ippo – Olisipo(Lisboa) e Collipo(Leiria).

Saio assim do Líbano com um tremendo respeito por um povo e um país que coloca na Ásia Ocidental e no Médio Oriente ordem, modernidade e revela um charme que nos faz rapidamente ficar apaixonados.
Neste país plantado à beira do Mediterrâneo, fica um pouco de mim e do meu coração. E deste fica um dos melhores pedaços.
Voltarei. Rapidamente.
Não para o recuperar mas para sorrir ao o ver estimado.

Time to leave Lebanon.
Of the many trips I have had the privilege of doing, I do not remember one where it cost me so much to leave.
I flew to Portugal, obviously happy to meet family, friends, colleagues, students, events, communication, radio, television, writing, sports, culture, everything, how much it ennobles and enriches my life.

I also carry a well-deserved bath of humility and a need to reflect on the dangers of misinformation or falsehood that may be contained in it, as well as the sibiline trap of the stereotypes with which we rule without true knowledge.

What am I talking about?
As soon as I commented with my social circle that I would go to the country of the cedar, the “bombing” began on the danger of terrorism, multicultural, racial and religious hatred, and all, suddenly, I was afraid someone would suggest that should I buy a military uniform, a matching helmet, a bulletproof vest, and pray to all possible and imaginary saints to avoid being subjected to cruelty, cruelty and violence. The ceaseless torture was waiting for me in Lebanon!
I even thought that I had said something wrong and everyone thought that I was leaving for Venezuela!
Even when I was already there, I’ve received countless messages asking me if the shots and bombs were constant and if I was barricaded in the hotel, trembled with fear. Fortunatly, no one asked me to take a “selfie” with a militiaman, holding an AK47 …

And what realy did I find there?
A country that, having faced a violent civil war between 1975 and 1990, was able to rebuild its society and become a modern kind of european economy.
A country that has once again faced the terror of conflict when, in 2006, a new war between Israel and Hezbollah (a Shi’ite Islamic group that has armed militias in addition) has resulted in civilian deaths and heavy damage to the civilian infrastructure of Lebanon.

And what did the Lebanese do?
They have taken on a new reconstruction and now have a whole modern urban areas, and even though, here and there, signs of the last war are still visible, they have become a cosmopolitan, culturally advanced society with a cultural level compared to the developed countries of Europe. Obviously, Lebanese society faces problems of voracious and, to a certain extent, disorganized growth (something we are accustomed to in Portugal …), and still have a lot to resolve mainly at the level of public health. For example, garbage is clearly one of the danger to who goes there and the health of those who lives there.
In the many times I wandered through Beirut, Jounieh or Byblos, I saw with my own eyes that, as officially announced, crime in Lebanon is truly residual.
I have also seen something impossible to see in the overwhelming majority of all Middle Eastern countries: mosques and churches, side by side, believers exercising their right to worship in peace and with mutual respectid
On a visit to the Shrine of Our Lady of Lebanon (a magical, almost esoteric place), I saw the real value of ecumenism there, with a respectful presence of Christians, Muslims and believers of other religions gathering in search for spiritual peace, with mutual respect and social peace.

The Lebanese are modern, organized, kind and sophisticated.
They know how to be, they know how to receive and, by the example of the international event in which I participated, they know how to organize at the highest level.
They are also a people with whom we should establish stronger ties. Lebanese are descended from the Phoenicians an ancient people who sailed to now Portuguese lands, around the year 1000 BC, establishing settlements to increase trade, seeking metals in exchange of products of their manufacture.
In Portuguese territory they would have visited the terminal zone of Tagus, and also the mouth of the Sado and coastal region from Mondego river to the Douro river. They left some words in the peninsular speech, like ippo – Olisipo (Lisbon) and Collipo (Leiria).

I leave Lebanon with a tremendous respect for a people and a country that puts order and modernity in Western Asia and the Middle East and reveals a charm that makes us quickly fall in love.

In this wonderful country planted at the edge of the Mediterranean, I let a little of myself and my heart. And this one is in good hands.
I’ll be back. Soon.
Not to get my heart back but to smile at seeing it treasured.

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