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O sínodo dos jovens whatsapp

 

1 Está reunido em Roma, desde o dia 3 até 28 de Outubro, juntamente com o Papa Francisco, o Sínodo dos jovens. (A primeira coisa que há a esclarecer é que sínodo é uma palavra que quer dizer «caminhar juntos», e que em catoliquês este caminhar supõe rezar, reflectir e comunicar.) Um sínodo é portanto uma reunião ao mais alto nível, feita de oração e reflexão, sobre uma problemática que o Papa sente como premente, e deseja ver reflectida pela Igreja, para sua ilustração pessoal e de todos os seus irmãos e irmãs. Neste sínodo tomam assento 267 bispos representantes de todo o mundo católico, mas também alguns peritos, sacerdotes ou não; e neste, em particular, alguns jovens. De sublinhar que já em Março passado, durante alguns dias, o Papa Francisco se reuniu com trezentos jovens, alguns dos quais portugueses, para os escutar de perto – foi um pré-sínodo, por que está visto que urgia ouvir-se os jovens; esteve também on-line um questionário que poderia ser respondido por qualquer jovem, já que no sínodo, por regra, se sentam apenas os bispos. O debate deste sínodo tem um título: «Os jovens: a fé e o discernimento vocacional», e tem como horizonte a convicção que a Igreja é dos jovens e os jovens são também Igreja.
Esta reunião sinodal reúne-se apenas pela 15ª vez em cinquenta anos, o que releva da sua importância para o Papa e para a própria Igreja.

2O Papa não sabe tudo, e mesmo que soubesse não seria recomendável que só ele pensasse, só ele falasse à Igreja e ao mundo. Um sínodo é, pois, uma bela oportunidade para a Igreja falar entre si o que sonha e o que pensa e comunicá-lo ao Santo Padre. Quando os velhos sonham os jovens também ousam sonhar; e o Papa quer dar a conhecer à Igreja (e a quem tiver o gosto de ouvir) os sonhos que juntos sonhamos.
Quando um sínodo se reúne sob convocatória do Papa, já existe muito trabalho de casa pré-feito, desde o momento em que determinado problema foi identificado como urgindo uma reflexão bem alargada. Segundo o coração do Papa Francisco, e o sentir da Igreja, urgia, pois, pensar a vida e o sentir dos jovens de hoje e o seu lugar na Igreja de Jesus. Foi para isso que se reuniu este sínodo, que teve o tal inusual pré-sínodo, em Março. E é que os jovens já são o presente da Igreja, e sendo-o temos de assumir que são muito diferentes dos do passado, porque este tempo também o é, e muito. E se é verdade que aos jovens não se pode exigir que sejam como nós, também é verdade que esperamos que também eles amem o Senhor e O sigam!
Os jovens de hoje são uma geração muito diferente das gerações adultas na fé, e como diferentes que são não se prestam a ocupar o nosso lugar sem mais e a fazer o que hoje fazemos e como fazemos; a eles, como a nós, cabe-lhes, porém, o mesmo desafio: continuar o caminho de Cristo.

3Se algo devemos esperar deste sínodo é que dele nasçam orientações que ajudem os jovens na busca de sentido e não defraudem a sua busca espiritual, e assim se animem a não envelhecerem no seu amor ao Senhor, e assumam, valorosos, a missão que Jesus nos deixou: ide e fazei discípulos.
Os jovens já não apreciam apenas palavras, mas precisam delas, e, sobretudo, da proximidade de testemunho dos que amam o Senhor e a Igreja. O que os convence é a escuta de quem dá a vida por Jesus e pela Igreja, pois quem os apaixona é quem vive apaixonado: só esses os levam a apaixonar-se por Jesus! E quão árdua é essa tarefa! Sim, não pertencemos a uma religião fácil, com uma proposta de vida tranquila como um fim de tarde de Verão: na Igreja, diante dos jovens, temos de assumir riscos, porque quem ama magoa-se (e poderá morrer), mas quem não ama já está morto! E sim ou sim, eles amam a Igreja e amam a Cristo, mas não da mesma maneira que nós. Se, portanto, há uma diferença no modo, como ousaremos exigir-lhes que não lhes caiba o direito (e o dever) de re-inventarem em Igreja o seu modo de amar e seguir o Senhor?

4Urge encurtar a distância entre a Igreja e os jovens, entender a sua linguagem e os seus sonhos a fim de alcançar perceber por que razão tão poucos respondem ao chamamento de Deus.
Em breve os jovens serão adultos, e como adultos caber-lhes-á governar a cidade e a Igreja. E a verdade é que não estamos habituados a pensar nisto, visto que até há pouco tínhamos muitos jovens – havia muito por onde escolher – e agora já não! É por tudo isto que a Igreja precisa de pensar com os jovens, que é o que está a fazer num fórum tão importante como o sínodo. Sim, o velho Papa Francisco quer ouvir os jovens (e os peritos) para conhecer os seus problemas e saber falar-lhes ao coração e fundar-lhes a esperança.

5Nos dias 11 e 12 de Agosto mais de cem mil jovens italianos peregrinaram a pé a Roma com os seus bispos, para se encontrarem com Francisco, no Circo Máximo, onde escutou as suas questões e eles as suas respostas. Quando depois as televisões lhes perguntaram por que tinham ido ouvir o Papa, muitos responderam: «Francisco é o nosso líder, o único que nos entende profundamente e nos dá esperança para viver!».
Sim, apesar de todos os pecados da Igreja (e dos inenarráveis ataques de descredibilização do Papa) quem pode hoje dizer que se preocupa com os jovens como o faz o Papa, que é consciente de que restar-se na Igreja de Jesus é quase só para loucos? — Loucos que amam e dão as mãos! Loucos cujo sorriso quebra os gumes da solidão! Loucos que se abrem à luz e descobrem maravilhas escondidas pelos séculos desde a origem! Loucos que levantam do chão os desvalidos! Loucos que sabem olhar os pobres nos olhos e beijar-lhes o coração! Loucos que sabem rezar juntos o mistério da vida, e juntos celebram a Ressurreição! Loucos que não confiam em si e por isso abraçam a cruz! Loucos que se ajoelham diante do sacrário e diante do rosto do verdadeiro rosto de Deus — o humilhado!

6O caminho de Cristo não pode parar.