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Chamar “corja” ao adversário – o dia em que a BTV envergonhou o Benfica

 

“A corja do FC Porto”. “Bandidos que estão dentro do campo”. “Têm de pôr um açaime ao 28 do Porto”. “O FC Porto tem um aditivo, que é a mentalidade deles, alimentam-se a ódio, e isso vai dando resultado”. “Este mafioso (Luís Gonçalves) mete nojo. Chamar-lhe um cão é ofender a raça canina”.
Eis o que supostamente deveria ter sido a narração de um grande jogo de futebol.
Um espetáculo deplorável, absolutamente nojento, em que a BTV consegue fazer exatamente o contrário daquela que deveria ser a sua grande missão – divulgar a riqueza e grandeza de uma grande instituição como o Sport Lisboa e Benfica pelas conquistas e pergaminhos que orgulhosamente ostenta, e não pela verborreia execrável daqueles que, ao abrigo do insulto e da tentativa de rebaixamento do outro, acabam por envergonhar uma instituição que merece bem melhor do que isto.
Depois deste espetáculo deprimente, importa, contudo, formular várias questões. Depois de o Sindicato dos Jornalistas ter repudiado, e bem, a atuação de Valdemar Duarte na referida partida, qual é a posição da administração da BTV em relação ao tema? Do ponto de vista editorial, a BTV revê-se nos comentários ofensivos de Valdemar Duarte? E, já agora, o Benfica? Revê-se o clube nesta linguagem? Defende-a? Subscreve-a?
Tudo isto deve levar cada um de nós a pensar, entre muitas outras coisas, na seguinte questão: a quem interessa o cultivo deste tipo de discurso? Será que está na moda pensar que insultar o adversário é um sinal de força e liderança? Será que o rebaixamento do rival faz parte do cardápio de um qualquer dirigente desportivo que se preze? Será que liderar e ofender são duas faces da mesma moeda, quando falamos de um dirigente desportivo de excelência?
Clubes como o Benfica e o FC Porto são instituições de enorme valia histórica e dimensão desportiva. Em cada uma delas, trabalham diariamente profissionais de excelência em múltiplas áreas e modalidades. A sua grandeza institucional e reputação internacional garante a sua projeção além-fronteiras.
É pela conservação desta grandeza que o Benfica deve (ou deveria) tomar uma posição de força em relação às alarvidades proferidas por Valdemar Duarte, que se esqueceu de que estava a relatar um jogo de futebol.
E mesmo os adeptos deviam ser muito mais críticos em relação a este tipo de situações. Até porque o desporto é uma festa! Em que se ganha e perde-se também! Mas em que aquilo que deve ser alimentado é o respeito e o desportivismo! O ódio, o insulto, a violência verbal e o rebaixamento do próximo podem interessar a muita gente! Mas o adepto só quer divertir-se e vibrar com o jogo! Vibremos, então! Até porque o futebol é muito mais bonito do que isto!

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