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AINDA SOBRE INCLUSÃO. O QUE QUEREMOS AFINAL?

 

Foi notícia, no passado mês de março, a criação de um Balcão da Inclusão em Penafiel.

Além do pretexto para se falar de inclusão na deficiência, a importância de dar à comunidade um sinal de preocupação com este tema, é um indicador importante dado pelo Município de Penafiel, e a medida é, em si mesma, bastante positiva. A importância de reunir, num mesmo balcão, todo um conjunto de serviços de informação e aconselhamento a portadores de deficiência, famílias, cuidadores e demais entidades, pode revelar-se muito útil no acesso a informação pertinente, no acesso a apoios e benefícios por parte deste importante setor da população.

A apresentação do grupo “Inclusão sobre Rodas” é outro dos aspetos a enaltecer. Grupo de penafidelenses portadores de deficiência, apresentou-se com a missão de querer debater a temática da inclusão na comunidade. Iniciativa importante, digo eu, porque preenche um certo “espaço vazio” que Penafiel denotava, ao nível da capacidade que tínhamos de, enquanto portadores de deficiência, nos organizarmos de forma autónoma e com uma agenda própria.

Porém, e no seguimento da apresentação, que elogio, deste grupo, ficou-me na cabeça a seguinte pergunta: E agora? Qual o caminho a seguir? Qual a ESTRATÉGIA pensada para debater, e, ainda mais importante, produzir alterações concretas que tragam melhorias à qualidade de vida dos portadores de deficiência em Penafiel.

Isso leva-me ao título. O que queremos afinal? Quais os princípios e valores que defendemos, e desejamos transportar? Quais as prioridades da nossa atuação? Quais os pedidos e reivindicações mais urgentes? Quais as parcerias que pretendemos estabelecer? De um modo geral, de que inclusão estamos a falar, e qual a nossa visão sobre a forma como queremos que a mesma se processe?

Ter uma estratégia, e uma perspetiva bem pensada e organizada sobre a nossa ação na comunidade é indispensável para o sucesso da nossa missão, de falar e colocar em prática princípios e valores de inclusão na deficiência.

E, para isso, há que ter em conta que devemos entrar num processo de trabalho político, em que as iniciativas simbólicas passam a ter um papel secundário na atividade desenvolvida.

Por muito que certas atividades de cariz social, lúdico e recreativo sejam importantes para juntar pessoas ao movimento de sensibilização, há que ter a noção da importância de passar à sociedade uma imagem diferente dos portadores de deficiência – uma imagem de pessoas que, pelo menos no meu caso e de alguns outros, querem ser levados a sério no seu conhecimento, qualificações, anseios e reivindicações que venham a surgir, mas que integram uma parte da população com os problemas sociais e económicos de sempre. E isto exige estratégia. Saber o que queremos, para onde queremos ir, e obrigarmos entidades e sociedade em geral a pensar inclusão. Se não soubermos para onde queremos ir, arriscamo-nos a chegar onde não queremos, ou mesmo a parte alguma…

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