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Eleições espanholas de sentimento agridoce

As eleições de domingo passado marcam a vitória inequívoca do PSOE de Pedro Sánchez.

Com uma taxa de participação histórica de 75,79% dos eleitores, os socialistas foram os mais votados com 28,7% dos votos (123 deputados). Longe da maioria absoluta (176 deputados), mas com alguma liberdade para governar, as eleições gerais foram o grito popular de combate ao totalitarismo.

            O Partido Popular de Rajoy e Casado foi o grande derrotado da noite de 28 de abril. Os 16,7% dos votos e 66 deputados ditaram a maior derrota de sempre dos Populares e foram a confirmação do povo espanhol à moção de censura que ditou a queda do seu governo em junho de 2018.  O partido Cidadãos, de centro-direita, obteve 15,86% dos votos, elegendo 57 deputados (mais 25 do que na legislatura anterior). Com uma clara fragmentação dos votos à direita, o Partido Popular perdeu grande parte do seu eleitorado para o Cidadãos, mas também para o VOX.

            O VOX é o grande motivo de preocupação para a democracia. A extrema-direita elegeu 24 deputados com 10,2% dos votos, sendo já a quinta maior força política do país, atrás do Podemos, de esquerda. Com políticas anti-imigração e contra a independência da Catalunha, o partido de Santiago Abascal (ex-Partido Popular) passou de 30 mil para 2,5 milhões de votos em apenas três anos.

             As mesmas eleições que marcam a afirmação da esquerda no panorama governativo espanhol, com o voto de confiança ao governo do PSOE, são as mesmas que marcam a entrada da extrema-direita no parlamento pela primeira vez desde a queda do regime de Franco.

            A poucos dias das eleições assumia-se a possibilidade de uma coligação governativa à direita para afastar o PSOE do poder. PP, Cidadãos e VOX conseguiram reunir 147 deputados, um número aquém dos 176 necessários para uma maioria absoluta. Contudo, o entendimento destes três partidos obrigará Pedro Sánchez a realizar entendimentos à esquerda. Fala-se, inclusive, de uma “geringonça” espanhola.

            A situação política espanhola é inédita e pode desenvolver-se de várias formas. Se por um lado o atestado de confiança ao PSOE são excelentes notícias, por outro a entrada a galope da extrema-direita nas intenções de voto são um sinal de alarme. Vale a pena ficar atento.