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SALVADOR ROCHA É DESTAQUE EM BLOGUE NACIONAL SOBRE FUTEBOL

“Eu, Salvador Rocha, 55 anos. 45 deles ligados ao futebol”.

É assim que começa um texto apaixonado do experiente técnico penafidelense, que por estes dias vai liderando o Rio de Moinhos num excelente arranque de temporada na Série 2 da Divisão de Honra da AF Porto, e que mereceu destaque no “Recepção Orientada”, conhecida página sobre futebol com perto de 49 mil seguidores.

O discurso que acabou por viralizar referia-se a um período da sua vida ainda como jogador, no qual teve de mostrar uma grande capacidade de sacrifício e compromisso, em prol da sua paixão pela modalidade. Eis aqui, na íntegra, o texto do técnico (ortograficamente revisto) que o “Recepção Orientada” transcreveu, ilustrativo do que muitos são capazes de fazer, em prol de uma modalidade que tanto amam:

“Tinha entrado para a tropa, e na viagem que fazia de comboio, passava ao lado de um campo de futebol, e disse para mim que ia tentar a minha sorte. Assim, lá fui eu um dia, cheguei ao dito clube e pedi para treinar. Deram-me a possibilidade de o fazer e só com um treino consegui agradar a equipa técnica.  Fiquei no clube durante esse período.

Os treinos começavam às 20h30, o meu horário de sair da tropa era as 17h30. Ia apanhar o comboio que era por volta das 18h00 e lá ia eu para o treino que começava as 20h30. A viagem de comboio não demorava mais de 15 minutos, e como chegava cedo, tinha que fazer tempo até ao treino.  Chegada a hora do treino lá ia treinar durante 1h30min e, por isso, acabava por volta das 22h00.

Comia uma sandes na sede do clube, e depois tinha que apanhar o comboio para casa porque já não dava tempo para voltar ao quartel que fechava às 23h00. O comboio demorava uns 45 minutos, a chegar a casa, mas o que eu apanhava só chegava por volta das 00h30. Por isso, tinha que esperar praticamente entre as 23h00 e as 00h30, pelo menos 1h30 depois do treino terminar pelo comboio. Depois da viagem de comboio que demorava a chegar a estação que me levava a casa, que era por volta da 01h15 da manhã. Ainda tinha que ir a pé até casa ou, se tivesse sorte, apanhava alguma boleia que não era fácil nem credível, ainda para mais a essa hora.

Mas este relato só para dizer que muitos não sabem nada o que é fazer sacrifícios para jogar futebol. MAS A PAIXÃO É ISTO! CONSEGUE SER MAIOR DO QUE O SACRIFÍCIO.

Este é um dos meus relatos sobre a PAIXÃO que me move como desportista, que joguei em 11 clubes. E já sou treinador há 25 épocas consecutivas, tendo tido apenas saído a meio do projeto em duas delas”.