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PROFISSÕES DE OUTRO TEMPO QUE DESAPARECERAM

Sabe ou lembra-se de atividades profissionais, entretanto desaparecidas, como o vendedor ambulante de gravatas, apanhadeira de malhas, o pica do elétrico, o polícia sinaleiro, engraxadores de sapatos, que prevalecem na memória dos mais velhos e que o jornalista penafidelense Germano Silva decidiu perpetuar em livro.

 

“Porto profissões (quase) desaparecidas” recupera alguns dos ofícios ou atividades muito comuns no Porto, entretanto extintas na mutação do tempo. O novo livro de Germano Silva, natural de Penafiel, mas desde muito cedo a viver no Porto e com longa atividade enquanto jornalista naquela cidade, recupera as memórias de algumas das profissões marcantes no quotidiano de antigamente da Invicta, que o autor considera “a capital do trabalho”.

Germano Silva tem-se dedicado efusivamente nos últimos anos a revisitar muitos dos lugares com história do Porto, promovendo interessantes e muito participados passeios pelas ruas da cidade. Foi precisamente num desses passeios, organizado pela Confraria dos Clérigos e pelo Museu e Igreja da Misericórdia do Porto, que ao falar dos diversos ofícios com que as pessoas antigamente se ocupavam lhe sugeriram registar em livro essas profissões que se foram extinguindo no tempo.

Há ruas no Porto que também estão muito associadas a determinados ofícios que se tornaram indissociáveis daquele ambiente, como explica Germano Silva, nomeadamente a Rua dos Mercadores e os homens de negócios, a Rua dos Caldeireiros e os que ali trabalhavam o ferro e a chapa.

Germano Silva, um apaixonado do Porto e profundo estudioso da sua história, hábitos e tradições, dedicou-se, revela, no último ano a estudar e pesquisar com pormenor profissões entretanto desaparecidas ou que estejam em vias de extinção.

São engraxadores de sapatos, cheios de histórias na habilidade de dar escova a tantos que junto das suas caixas estendiam o sapato; apanhadeiras de malhas nos anos 50, mulheres que apanhavam as malhas das meias de vidro, feitas em nylon; tipógrafos, homens cultos, muito próximos dos jornalistas, eram os primeiros a ter acesso a poemas inéditos e a livros científicos; os polícias sinaleiros, que regulavam o trânsito da cidade, tinham uma ocupação mais exposta e por isso eram considerados autênticas figuras públicas, refere o autor, em entrevista ao Observador.

Ao esfolhear o livro encontram-se ocupações que revelam enorme simpatia, mas há também aquelas cujas memórias não deixam sequer nostalgia.

É o caso das carvoeiras, que carregavam cestos de carvão dos barcos, ou das carquejeiras, que subiam a Calçada da Corticeira com molhos de carqueja às costas, que apesar do enorme esforço físico a que obrigavam fazem parte da história da cidade.

Para Germano Silva, que espera os leitores se deleitem com o livro, a profissão que mais o toca é o pica do elétrico.

“O meu pai era condutor de elétricos e deixou-me o alicate dele. Era uma profissão muito cansativa, passavam horas de pé e cambalear de um lado para o outro”, refere ao Observador, revelando fascínio pelos malabarismos coloridos dos vendedores ambulantes de gravatas.

“Tinham uma tábua com gravatas de todas as cores e feitios penduradas e nunca ocupavam ruas com lojas de gravatas, por isso, andavam pelos cafés ou na Estação de S. Bento. Tinham um gesto quase de malabarismo que fazia com que as gravatas ondulassem, era um festival de cores, um elemento quase decorativo de certas ruas na cidade”, conta.

Para Germano Silva, “as pessoas são o melhor património de uma cidade”.

“O Porto tem uma história única que nunca termina, estamos sempre a encontrar documentos novos que nos revelam novas facetas da cidade”, anota.

Germano Silva nasceu em Penafiel em 1931, mas mudou-se com a família para o Porto, com apenas um ano de idade. Aqui cresceu, estudou e trabalhou toda a sua vida.

Chegou ao Jornal de Notícias em 1956, como colaborador desportivo, e foi aí que se tornou jornalista, tendo sido, sucessivamente, estagiário, repórter informador, repórter, redator e chefe de redação.

Aposentou-se em 1996, mas mantém-se ligado ao JN.

Costuma organizar regularmente passeios guiados pelo Porto – é comum vê-lo a percorrer as ruas da cidade seguido de centenas de pessoas.

Em 2015 recebeu o título de Doutor Honoris Causa pela Universidade do Porto e em 2017 foi agraciado com a Ordem de Mérito, grau de Comendador, pelo Presidente da República Marcelo Rebelo de Sousa.

Aos 88 anos, Germano Silva, é um dos maiores conhecedores do Porto e das suas histórias. E é, acima de tudo, uma amante da sua cidade.