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NPOWER – SOLUÇÕES METALOMECÂNICAS PARA VEÍCULOS 4X4

A NPower – Soluções Metalomecânicas é uma empresa que, como o próprio nome indica, procura desenvolver soluções no ramo da metalomecânica para melhor desempenho competitivo de viaturas 4×4. Embora também já tenha produzido acessórios para ralis e outro tipo de competições, o público-alvo é o 4×4 – Trial Nacional e Trial do Campeonato da Europa.

Bruno Nunes é o CEO da empresa, situada em Paço de Sousa, e numa grande entrevista ao Penafiel Magazine começou por explicar a sua missão: “Nós providenciamos soluções metalomecânicas onde os nossos clientes têm essas necessidades e onde poucas empresas estão à altura, tanto a nível de maquinaria como a nível de desenvolvimento. Nós temos uma panóplia de máquinas dedicadas ao desenvolvimento e metalomecânica que conseguem dar outro tipo de rendimento”.

 

O trabalho que a NPower desenvolve nas viaturas todo-o-terreno 4×4 envolve todos os ramos da metalomecânica. Desde a criação, onde se inclui o design 3D com o desenvolvimento 3D de geometrias de suspensões e uma série de componentes, à parte de produção. Falamos do desenvolvimento, criação, projeto e montagem e, por vezes, prototipagem primeiro, dependendo do tipo de componentes.

Bruno Nunes também tem experiência como piloto e, por isso mesmo, tem patente no seu perfil essa sensibilidade naquela que é a sua abordagem empresarial e linha de trabalho.

“O ser piloto acaba por ser uma vantagem. Aliás, o conceito de ter um jipe para o campeonato nacional e termos ido fazer uns testes com um protótipo que nós criamos, completamente diferente daquilo que queríamos para os nossos clientes, foi exatamente para desenvolver coisas novas e correu bastante bem”, explica.

Atualmente a NPower encontra-se a lançar um novo projeto, já na versão Campeonato da Europa, uma vez que é um projeto com valores e com capacidades “supra-necessárias” para o Campeonato Nacional.

“Este projeto é um carro que vamos fazer evoluído de vários carros que temos feito. Isto é, vai juntar uma série de know-how dos outros carros todos que fabricamos até hoje. A experiência que ganhamos nos campeonatos lá fora faz também com que nós tenhamos uma visão diferente deste projeto e acho que vai funcionar em pleno”, adianta o empresário.

A N Power está a desenvolver este produto para que ele tenha uma muito boa relação entre preço e qualidade e que seja realmente flexível, para que se consiga fazer um carro desde os 50 aos 150 mil euros, dependendo do “conteúdo da embalagem”.

“Vamos tentar fazer um projeto que esteja à frente e com custos para o panorama nacional ou para o estrangeiro. Preferia vendê-lo sempre cá dentro, porque acho que nós temos clientes a ir buscar carros lá fora que são muito mal servidos”, refere.

Com este novo projeto a NPower procura construir um carro bastante modular, para assim conseguir aplicar desde os motores diesel ao motor a gasolina com 750 cavalos e motorização a 8 mil de cilindrada. “A grande vantagem é termos aqui um componente que dê para se moldar ao que o cliente precisa”, explica Bruno Nunes.

“O objetivo é conseguir fazer um carro com normas FIA para ele poder estar enquadrado em muitas atividades e para podermos realmente conseguir com este carro fazer o que nós não conseguimos com outros carros que acabavam por nos limitar em algumas situações”, acrescenta.

“Temos levado a cabo uma série de parcerias ao longo destes anos. São parceiros sólidos, com ideias funcionais e com visão de terreno. Tratam-se de empresas que também já estão nisto há um bom tempo e acabamos por nos ajudar aqui mutuamente a criar um produto melhor. E a opinião dos nossos clientes é bastante importante”, realça.

Para além da forte componente relacional em termos daquilo que são as parcerias comerciais e empresariais, o grupo NPower pauta-se pelo desenvolvimento e manutenção de uma relação próxima e personalizada com os seus clientes, onde se inclui o piloto penafidelense Emanuel Costa, com o qual foram campeões da europa.

“Temos clientes que mantemos, felizmente, há muitos anos e eu acho que uma das principais razões de nós mantermos o cliente fidelizado connosco é exatamente a procura incansável de qualidade”, anota.

A busca por fazer cada vez melhor já levou a NPower a exposições um pouco por todo o globo. Nunca deixaram de procurar novos produtos e novas tecnologias para uma área que em algumas situações é bastante simples, mas onde são os detalhes que acabam por fazer a diferença e é aí que, segundo Bruno Nunes, normalmente a NPower está inserida.

Quanto ao processo propriamente dito, que acaba por ser uma construção artesanal peça a peça, Bruno Nunes considera que “é uma arte”, mas salienta que “este artesanato torna depois difícil arranjar pessoas que tenham flexibilidade mental para estar sempre a criar todos os dias e é isso que torna esta área muito desafiante”.

Dado que este é um trabalho muito artesanal que obriga a que se esteja constantemente a criar e a desenvolver, torna-se impossível realizá-lo em grandes séries. Atualmente os objetivos passam por criar uma linha convergente de uma série de componentes para acelerar e simplificar o processo de montagem destes carros.

“Estamos a tentar reduzir o tempo de criação e, nesse sentido, investimos em mais tecnologia. Neste momento fazemos corte de plasma a alta frequência aqui na empresa e estamos a instalar já um corte de tubo também de plasma, portanto, em 3D”, revela.

A sede de evolução tem levado a NPower para uma nova forma de trabalhar. “Antigamente era a experiência que fazia a diferença. Atualmente é a experiência aliada ao desenho 3D que nos consegue levar a outras zonas que antes nós não conseguíamos”, comenta, sustentando que teoricamente já é possível ter uma perspetiva real – à escala – da prática.

 

Bruno Nunes considera que o campeonato nacional não tem conseguido acompanhar a evolução tecnológica que as empresas portuguesas como a NPower têm vindo a promover e isso traz consequências negativas para o universo competitivo e empresarial do Trial. “Nós temos um campeonato nacional que foi evoluindo mais como um regional do que propriamente como um nacional. Neste momento não temos um campeonato que privilegie quem está a evoluir tecnologicamente e isso complica a vida a empresas que, como nós, tentam desenvolver produtos de qualidade.

As empresas evoluem, por isso as infraestruturas para a modalidade também deviam seguir esse caminho evolutivo. A realidade é que não temos visto essa evolução do campeonato e vamos ver o que é que dá no futuro”, comenta.

Por fim, Bruno Nunes, que não tem estado a competir desde 2016, revelou que irá regressar à competição, ainda que esse não seja o foco para já. “Estamos agora a desenvolver este novo e um deles será para voltarmos à competição”, conclui.