penafielmagazine@gmail.com

Notícias em Penafiel
 

“GRAÇAS À ADRAP, FEZ-SE HISTÓRIA NO CICLISMO DE PENAFIEL”

A Associação Desportiva e Recreativa Ases de Penafiel (ADRAP) é uma das coletividades desportivas mais bem-sucedidas do desporto penafidelense, com um histórico recheado de títulos nacionais e regionais no ciclismo de formação, ao longo dos seus 25 anos de história.

Numa grande entrevista ao Penafiel Magazine, publicada na edição em papel de novembro, o presidente do clube, Joaquim Ferreira, falou de todo este sucesso na formação, que até já tem dado ciclistas de elite ao desporto nacional, e falou de projetos futuros do clube, que passam por trazer novas modalidades às suas fileiras.

 

 

De onde vem o segredo para tanto sucesso desta coletividade?

Na Silva & Vinha/ADRAP/Sentir Penafiel, o sucesso não tem segredos. Fundamentalmente, aplicamo-nos a sério. Os meninos e jovens que aqui chegam e treinam são enquadrados em métodos de trabalho rigorosos e empenhados, que potenciam as competências deles até um patamar que outras escolas de ciclismo não conseguem, por vezes, atingir. Tudo isto a par de uma liderança sempre presente, em que existe um carinho e respeito muito grande dos ciclistas por aqueles que os acompanham, criando um ambiente que é quase como uma família, em que o talento é trabalhado, e certos valores e princípios de vida são transmitidos, formando a base de um sucesso que se regista ano após ano.

Esta conjugação entre o lazer e a competição está bem patenteado em momentos de convívio organizados tradicionalmente pela Silva & Vinha/ADRAP/Sentir Penafiel, como a recente peregrinação a Fátima…

Ou os Encontros Nacionais em que participamos com os nossos vários escalões. Existem várias escolas de ciclismo que, quando vão a um evento deste género, resumem a sua presença à competição e, no fim, vão embora. Na ADRAP, fazemos as coisas de modo diferente, pois acreditamos que estes eventos são uma festa do ciclismo. Daí que, em várias ocasiões, optemos por levar os nossos farnéis e, depois da competição, fiquemos lá sozinhos a conviver, entre atletas, diretores e pais. É com este carinho e espírito de união que vamos mantendo os nossos jovens e masters por perto, pois a forma como são bem tratados levam-nos a querer manter-se nesta equipa.

Até que ponto este carinho para com os ciclistas se reflete nesta marca distintiva da ADRAP ao longo destes 25 anos, que é a do sucesso desportivo imenso já alcançado?

Quem visite a nossa sede e veja o espólio que lá se encontra, percebe que está na presença de um clube vencedor, habituado a ter excelentes corredores nos vários escalões. No entanto, é importante frisar que não queremos ganhar a todo o custo, mas sim formar corretamente os nossos jovens. Para criarmos as condições para o surgimento de um ciclista de sucesso, não podemos «espremê-lo» ao máximo, e depois correr o risco de não o capacitar para transportar o seu talento para a elite do ciclismo nacional. Sabemos que os nossos ciclistas, desde muito tenra idade, querem ganhar e têm brio em fazer bem o seu trabalho, mas é preciso formá-los primeiro, para ganhar depois. É verdade que, para chegar ao mais alto nível, é importante andar sempre na parte da frente do pelotão, mas não ficamos tristes se os nossos ciclistas não ganharem sempre as suas provas. Haverá novas oportunidades para o fazer.

 

 

O certo é que a ADRAP tem formado vários ciclistas de elite, alguns deles grandes referências já no plano nacional.

Para nós, é um grande orgulho olhar para o Joaquim Silva, o Francisco Campos ou o João Barbosa, e sentir que, graças à ADRAP, passou a fazer-se história no ciclismo em Penafiel. Porque estes ciclistas que referi estão no topo do ciclismo nacional, com corridas ao serviço de Portugal e vitórias em etapas além-fronteiras à mistura, mas são penafidelenses que estão a escrever grandes páginas da história do nosso concelho. Daqui por alguns anos, o percurso deles e a formação que todos fizeram na ADRAP será enaltecida como um marco importante deste território, e eles serão grandes referências disso.

Qual a importância desta identidade penafidelense na atividade da ADRAP?

Penafiel é o concelho que representamos e que queremos saia valorizado com os resultados da nossa escola nos diversos escalões. Tanto que o próprio nome da coletividade, Associação Recreativa e Desportiva Ases de Penafiel, enquadra-se nesse destaque que Penafiel merece. Já para não dizer que, face aos resultados obtidos, somos um grupo de autênticos «ases» do ciclismo português.

Ao longo destes 25 anos de ADRAP, que apreciação nos pode fazer desta história, e que desafios e adversidades teve que enfrentar para liderar a associação até agora?

Os problemas que temos são idênticos aos de outras coletividades. O dinheiro não cai do céu, e temos de fazer um trabalho muito grande para angariar os apoios de que necessitamos. Temos a sorte de ter um grande parceiro nosso, a Silva & Vinha, que sempre se dispôs, até agora, a estar do nosso lado e a apoiar no que fosse preciso, temos um protocolo com o Município de Penafiel que também é muito importante para as nossas atividades, entre outras empresas que pontualmente nos ajudam. Já fui desafiado para criar uma equipa de Sub-23, mas não me sinto seguro de que tenha os recursos suficientes para tal. Com as parcerias que tenho, consigo levar o barco a bom porto, e prefiro continuar assim.

Apesar das dificuldades, são também anos de glória…

Claro, ao ponto de termos ganho 17 encontros nacionais de escolas em 21 possíveis. A família da ADRAP fica bastante triste quando não ganhamos, mas relembro sempre que estamos na linha da frente há 21 anos. E este ano foi particularmente doloroso, pois temos três dos nossos ciclistas a acabar em primeiro nas respetivas categorias, mas há uma perda de quatro lugares de um nosso ciclista na quarta prova, e acabámos em segundo, a um ponto dos vencedores. Foi doloroso, pois apostei muito para ganhar este ano, mas acabámos por fazer festa na mesma, e felicitar a escola vencedora, que até foi uma que ganhou o evento pela primeira vez.

Em que medida estas prestações contribuem para o reconhecimento exterior do trabalho feito pela ADRAP?

Todas as associações a nível nacional têm um grande afeto pela ADRAP, e sentem admiração por termos sempre ciclistas de topo nas nossas fileiras. E a amizade e carinho dos meninos torna este trabalho muito mais recompensador.

Que comentário faz à recente vitória de Joaquim Pinto na primeira etapa da Taça de Portugal de Ciclocrosse, realizada em Melgaço?

 Trata-se de um atleta nosso com 60 anos, que veio para ADRAP numa altura em que o filho começou a fazer parte da nossa formação, e trata-se de alguém que, apesar de um trabalho exigente na construção civil, aplica-se ao máximo no que faz. É alguém que, para onde quer que vá, luta para ganhar, numa modalidade, o ciclocrosse, que vai ser uma aposta forte da ADRAP, juntamente com o BTT.

 

No paraciclismo, a ADRAP dispõe de uma parceria com o ISEC [Instituto Superior de Engenharia de Coimbra] que está a ajudar ao desenvolvimento desta disciplina em termos competitivos. Em que consiste?

É uma parceria institucional que não surge por acaso, uma vez que somos o clube mais forte no paraciclismo nacional. Este acordo parte de uma conversa que tive com o selecionador nacional, em que admiti a forte possibilidade de um dos nossos atletas, o Manuel Ferreira, poder desistir por motivos de saúde. Dado que se tratava de um dos melhores atletas nacionais, o selecionador prontificou-se a apresentar-me a um dos investigadores do instituto, a fim de colocar os benefícios de um protocolo já existente, ao serviço de um atleta nosso. Fizeram-lhe uma prótese [o atleta não tem uma das mãos] e adaptadores para corrigir a sua posição na bicicleta, e estamos muito satisfeitos com os resultados deste trabalho. Só existem, neste momento, dois atletas portugueses a receber este apoio, e um deles é nosso, o que é ilustrativo do respeito com que somos tratados. Só temos a agradecer ao ISEC todo o trabalho que está a ser feito.

O que falta ainda fazer, e que objetivos se podem perspetivar para o futuro da ADRAP?

Mais do que melhorar, gostaria que nos mantivéssemos ao mesmo nível. Na formação, já ganhámos tudo o que havia para ganhar, e continuamos a ser fortes em várias disciplinas, sempre com atletas nossos na linha da frente. Também pretendo manter a estrutura de quarenta a cinquenta atletas que voltaremos a ter no próximo ano. Os resultados acabarão por aparecer, porque o calendário é vasto, no qual corremos o país todo, onde queremos cultivar uma imagem de competitividade e educação. Nos eventos, queremos organizar duas provas a nível nacional, uma da Taça de Portugal de Juniores e um Encontro Regional de Escolas de Ciclismo, além do nosso Grande Prémio habitual, realizado em Galegos. Caso haja uma abertura, pretendemos fazer uma prova de BTT na nova sede do clube.

 

—————————————————————————

PRIORIDADE DA ADRAP É FORMAR PARA GANHAR

 Em primeiro lugar formar, e só depois, pensar em ganhar.

É com esta filosofia de trabalho, alicerçada em princípios rigorosos de treino e avaliação da evolução desportiva dos atletas que a Silva & Vinha/ADRAP/Sentir Penafiel vai gerando alguns grandes ciclistas da região, conforme refere Emanuel Ferreira, um dos técnicos da coletividade.

“Até ao escalão de cadetes, acredito que não devemos exigir qualquer tipo de resultado aos miúdos. Se eles tiverem que ser ciclistas de maior nível, irão demonstrá-lo mais tarde. A nossa preocupação passa por dar aos nossos jovens as melhores condições de treino possíveis, desenvolver competências em cada escalão que os ajudem a fazer a transição para a categoria seguinte e, chegando aos juniores, clarificar com eles um caminho que tanto pode ser o início de uma exigente carreira nos seniores, ou o fim do percurso competitivo deles”, comenta.

Também o lado emocional e vivencial dos jovens desportistas é encarado, na perspetiva do técnico, como fundamental no enquadramento do processo de treino. “O meu trabalho de treinador e formador passa tanto pela instrução técnica como pela ligação entre as experiências que os nossos jovens estão a viver, com aquelas que também vivemos no passado. O trabalho de formação desportiva passa muito pela transmissão de diversos princípios e valores inerentes à prática desportiva, entre os quais a conciliação entre o saber ganhar ou perder, com as várias etapas do desenvolvimento humano dos atletas. As nossas próprias experiências, ou as vivências de antigos atletas nossos, podem servir de contexto para perceber certas situações atuais com as quais nos confrontamos”, revela.

Com atletas como Joaquim Silva, Francisco Campos e João Barbosa entre os «craques» que já envergaram a camisola da ADRAP, é fácil ambicionar por uma nova “fornada” de talentos, e a confiança nesse feito é muita. “De acordo com as avaliações que temos possibilidade de fazer, estou convencido de que vamos voltar a ser campeões de estrada, pois temos uns três atletas com condições para isso, e que tiveram uma evolução que não era expectável”, frisou Emanuel Ferreira, que nomeou João Gomes, Tiago Nunes e Nélson Moreira como os próximos grandes valores da formação penafidelense.

Share Post