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MIGUEL FERREIRA – O JOVEM ROMANCISTA HISTÓRICO DE PENAFIEL

O jovem penafidelense Miguel Ferreira, conhecido pela dinamização cultural da freguesia de Termas de São Vicente, é também destaque na literatura, com o seu romance histórico “Código de Conduta: Valdemar”, a recuperar a memória dos tempos turbulentos, que marcaram a primeira metade do séc. XVII em Inglaterra.

Em entrevista ao Penafiel Magazine, o jovem explicou o enquadramento da história. ““Código de Conduta: Valdemar” conta-nos a história de Melvin Valdemar, último herdeiro da herança de Jasper Valdemar, um dos mais temidos piratas dos sete mares, que após lhe ser tirado tudo o que tinha inicia uma aventura em busca de vingança e de redenção do seu nome de família. A história decorre durante o século XVII, especificamente durante a guerra civil inglesa, quando Carlos I era rei e se vê confrontado com o Parlamento, liderado por Oliver Cromwell. Acho que passou principalmente pela procura de mostrar que é possível em muitos casos maus atos serem praticados com boas razões como motivação, o que causa um problema ético. Nesta história, ainda que seja verdade que Melvin executa muitos atos que possam ser considerados de mau carácter, este fá-los motivado por razões dignas. O leitor encontrará inconscientemente um momento de decisão durante a leitura, pelo que julgará eticamente as decisões de Melvin e se irá ou não apoiar esta personagem”.

Uma das coisas que o escritor revelou sobre a obra, foi que a mesma surgiu a partir de um concurso, no qual participou. “Esta ideia surgiu aquando do concurso “Novos Talentos FNAC”. Dei de caras com este concurso que aborda várias matérias, desde da escrita ao cinema e à música. Decidi participar com o envio de um pequeno conto, seguindo as regras estabelecidas e é após esta participação e seguindo um conselho de uma professora do ensino secundário, a quem tinha mostrado este projeto, que decidi prolongar o mesmo e avançar para este livro”, referiu, a propósito de uma obra na qual pretendeu transmitir certos valores aos seus leitores. “Neste livro abordei conscientemente duas temáticas sociais, tentei ser o mais subtil possível, de modo a não fazer o leitor perder a emoção e clímax da história, debatendo questões sociais, mas que espontaneamente o colocasse de frente a estas.
Sem querer revelar momentos principais do livro, posso dizer que abordei notoriamente a questão do habitual “o mais amigo é quem paga mais” e também a consideração que se detinha pelo sexo feminino nesta altura. Posso dizer que nesta história, se existisse um pouco mais de atenção e consideração, muita coisa poderia ter sido evitada”.

Nesta caminhada até ao lançamento da obra, Miguel Ferreira falou de um grande obstáculo, que se atravessou continuadamente no processo. “Penso que o maior obstáculo foi a idade. É incrível a quantidade de problemas que ser um jovem te coloca à frente. Dizem-nos para seguirmos os nossos sonhos e lutarmos por eles, mas mesmo que o façamos com todos os meios que dispomos ao nosso alcance, há sempre um novo obstáculo a aparecer e pergunto-me se não será por isso que não temos mais jovens escritores, jovens cineastas e/ou jovens artistas em Portugal. Felizmente, não desisti do objetivo que tinha de publicar este projeto e agradeço à 5Livros pela ajuda neste projeto. Acredito que é extremamente positivo, para um jovem como eu que acaba de se estrear neste mundo da literatura ter alcançado a edição e publicação do livro, e também uma sessão de lançamento do mesmo, com sucesso”.

Agradecendo o apoio de amigos, familiares e ex-professores, o jovem pensa em novas ideias para futuras obras, que até podem passar pela continuação da obra. ” Vou ser sincero ao dizer que tenho imensas ideias em que gostaria de trabalhar, e tenho um fascínio pelas áreas da poesia e do terror. Distintas, mas fascinantes, cada uma à sua maneira. Talvez até uma aposta maior nesta história de Melvin, o que tem sido um pedido de algumas das pessoas que já leram “Código de Conduta: Valdemar”. Sou muito diversificado, consigo apreciar todo o tipo de escritores das variadas gerações, desde J.R.R.Tolkien a Fernando Pessoa, desde José Rodrigues dos Santos a Stephen King ou Edgar Allan Poe. O que importa principalmente para mim é que um livro ou um filme nos faça sentir algo e nos faça ficar agarrados à sua história. Sou um jovem, é certo que as minhas ideias ainda podem sofrer alterações, mas neste momento para mim não há dúvidas de que a literatura portuguesa é a melhor do mundo. Não existe uma língua mais forte e mais sentida que o português. Penso que não se deve procurar imitar escritores das passadas gerações, até porque a imitação é muitas vezes considerada um insulto, deve-se sim homenagear estes, aprendendo com eles e evoluindo nós mesmos na nossa escrita e sociedade atual. Admiro imensos escritores portugueses e se um dia conseguir merecer o meu lugar nesta área como um escritor conceituado no meio de todos os nossos nomes de excelência, dar-me-ei como concretizado”.