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AGOSTINHO GUEDES PEDE INJEÇÃO DE CAPITAL NA ECONOMIA PARA EVITAR COLAPSO

Preocupado com o futuro da economia mundial, e com o risco provável de um colapso económico à escala planetária, o empresário e também líder do CDS Penafiel, Agostinho Guedes, é por estes dias um de muitos portugueses envolvidos numa batalha com várias frentes, em que a luta pela vida humana é também um imperativo social.

De facto, e foi assim que a entrevista começou, trata-se de uma crise imprevista e extremamente dura, um embate para o qual ninguém estava à espera. “Estamos a viver uma fase onde o desconhecimento e a insegurança são as palavras de ordem. Se, por um lado, tenho medo de estar aberto e em contacto com o público em geral, por outro não posso deixar de trabalhar. Tenho que garantir que cumpro com as minhas obrigações no final do mês. As perspetivas não são animadoras e é muito importante que as pequenas e médias empresas tenham apoios para conseguirem sobreviver. Nenhuma empresa esta preparada para esta crise, nunca tivemos algo assim. Temos que estar preparados para a falha, por parte dos fornecedores, de material, e também a possível falta de funcionários ou até mesmo eu.
Neste momento muitos dos clientes que já tinham trabalhos adjudicados pedem o adiamento da entrega ou do pagamento. E sem matéria prima e sem cliente não há vida económica”, alertou o líder dos centristas penafidelenses, a propósito de uma situação problemática que começou a ser sentida há vários dias. “Os primeiros sinais de perigo para a empresa começaram já na semana passada, quando recebemos emails de fornecedores a informarem que estavam a ter problemas com a rutura de stocks e que esta semana iriam encerrar por tempo indeterminado. Neste momento estamos a trabalhar só dentro das instalações com todas as precauções exigidas e comunicamos para o exterior só via email ou telefone. No imediato, o que nos pode levar a uma rutura financeira sem retorno é a quebra de encomendas”, avisa.

Numa altura em que proteger a saúde de todos é imperioso, o empresário chama, no entanto, a atenção para um cenário económico muito difícil, que está prestes a avizinhar-se. “Esta pandemia tem impacto direto na vida de todos, e ao pedirem para ficar em casa, com toda a razão do mundo, as autoridades colocam toda a economia sob um esforço colossal e difícil. As pessoas não saem de casa, as lojas estão fechadas, não se abrem negócios novos durante meses, e quem os tem não vai fazer publicidade sem estar a laborar, por isso, vejo um enorme impacto económico já a partir do próximo mês”, assevera, relativamente a uma situação que poderá tornar-se dramática também no emprego. “O ponto de rutura da economia acontecerá no máximo em três meses, pois se o Estado não tomar medidas sérias a curto prazo ou mesmo imediatamente, toda a economia irá entrar em colapso. Sei de empresas que já estão a preparar despedimentos em larga escala, pois se está tudo parado como pode uma empresa continuar a pagar ao Estado, aos trabalhadores e aos fornecedores? Tudo isto criará uma «bola de neve» que irá entupir o centro de emprego a curto prazo”.

Lamentando que o Estado não tenha tomado medidas de apoio à economia mais cedo, tais como isenções de impostos durante um período mínimo de seis meses, ou mesmo o congelamento, em igual período, dos encargos financeiros bancários, e isto falando para o tecido empresarial, Agostinho Guedes assegura que a prioridade é conter a pandemia, num contexto em que o futuro nos colocará perante crises e oportunidades. “Nesta crise, as dificuldades vão ser transversais, todos vão sofrer, e o setor imobiliário vai novamente cair a pique, porque vai parar tudo novamente. Toda a nossa vida, atividade e dinâmicas económicas e sociais irão regressar devagar e com calma, a partir de uma das maiores crises que Portugal terá. Como em tudo na vida, há empresas que neste momento irão ganhar dinheiro, como empresas de líquidos de limpeza, farmácias, transportadoras, grandes superfícies comerciais, fabricantes de proteções individuais, empresas de teletrabalho assim como assistência remota, entre outros casos. Estou convencido que será um novo começo para centenas de microempresas, não há outra maneira de dizer isto. Milhares vão fechar, milhares de pessoas poderão ir para o desemprego e, como em tudo na vida, novas empresas poderão aparecer. Mas não se enganem, Portugal vai sofrer o maior impacto económico a que a nossa geração assistiu, e só com a ajuda de todos e do Estado em geral nos poderemos erguer novamente”.