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ANTÓNIO CUNHA SUGERE “QUARENTENA OBRIGATÓRIA” PARA COMBATER COVID

O deputado penafidelense António Cunha acredita que a quarentena obrigatória deve ser requerida, para combater o covid-19.

Numa entrevista concedida ao Penafiel Magazine, o deputado acredita que esta medida é a mais efetiva para conter a pandemia no nosso país, ainda que os efeitos na economia possam ser bastante negativos. “Acredito que só travaremos esta pandemia com a quarentena obrigatória e é altura de constitucionalmente a impor. Em breve, começaremos diariamente a ouvir notícias de que há concidadãos nossos a morrer. É infelizmente inevitável. No concelho de Ovar, foi já declarado, inclusivamente, o estado de calamidade. Mais do que nunca, temos de proteger os nossos médicos, enfermeiros, bombeiros, agentes de autoridade, professores, as nossas crianças, os nossos idosos, enfim, todos! É claro que para a economia será desastroso. Mas só há economia com pessoas e para as pessoas. Portanto, temos a obrigação de lutar pela nossa saúde coletiva, porque quanto mais cedo acabarmos com a pandemia, mais rapidamente retomaremos o curso normal das nossas vidas”.

Politicamente, o social-democrata alinha na ideia de que este é tempo de “ajudar o Governo naquilo que for necessário”, e não é altura de “debate partidário sem fundamento”, mas não deixa de partilhar a sua opinião de que certas medidas mais restritivas deveriam ser tomadas de forma mais célere. “Bem sei que é sempre mais fácil criticar quem governa quando algo não corre bem. No entanto, creio que a não tomada de decisão na altura própria pode ter consequências assustadoras no que a esta pandemia diz respeito! E as autoridades, desde o início, não analisaram bem as circunstâncias e o que se estava a passar nos outros países, na China, na Coreia do Sul, e depois em Itália, por exemplo. Em janeiro, afirmaram que não tínhamos de estar alarmados e que não havia grandes probabilidades do coronavírus chegar a Portugal. Ora, num mundo em que as fronteiras quase não existem e no qual o movimento de pessoas a nível global é uma constante, parecem-me afirmações ingénuas e descabidas.  Em fevereiro, já diziam que, afinal, seria inevitável que a pandemia atingisse o nosso país, e este tipo de informação contraditória gera confusão e cria a sensação na opinião pública menos informada de que “não se passa nada” porque poderemos sempre recorrer à horta de um amigo ou vizinho. Creio que as escolas e outros serviços deveriam ter encerrado quando foram identificadas as cadeias de transmissão em Felgueiras e Lousada. Também nessa altura deveriam ter sido anunciadas as medidas que o Sr. Primeiro Ministro anunciaria a 12 de março. Para grandes males, grandes remédios! É relevante o facto de que a maioria da população só se ter apercebido da gravidade da situação quando o Sr. Primeiro Ministro anunciou as 30 medidas. Só a partir daí os nossos concidadãos entenderam o que era necessário fazer e que comportamentos adotar para evitarem ao máximo o contacto social desnecessário. Mas é preciso ir mais longe”, ressalvou o deputado, que considera que a ausência de medidas mais restritivas retardará a resolução do problema.

Admitindo que esta situação excecional deixará marcas na economia, que terão de ser combatidas através de uma forte coordenação das entidades internacionais, o deputado deixa elogios ao comportamento das entidades e instituições locais na gestão destes momentos difíceis. “A nível local, as nossas instituições têm estado à altura das circunstâncias. Apesar de estar também confinado em casa, irei amanhã para a Assembleia da República pelas razões conhecidas, mas tenho acompanhado à distância, pela imprensa e pelas redes sociais, o que se tem passado no nosso território. E é com muito agrado que vejo que as nossas instituições têm abordado este problema com muita responsabilidade. Desde as juntas de freguesia, que têm informado tão bem as nossas gentes, até à nossa Câmara Municipal através da voz do nosso presidente Antonino de Sousa, que tem apelado à responsabilidade e à serenidade de todos os penafidelenses neste momento sensível para todos nós. Precisamos da sua voz calma e serena e do seu alento e o Dr. Antonino de Sousa sabe sempre estar à altura e, por isso, está a fazer um trabalho extraordinário com a equipa de vereadores que lidera. As escolas estão perante um desafio novo, que é o de trabalhar motivando os seus alunos à distância. Os professores, com o sentido de abnegação que se lhes reconhece, irão dar o melhor de si para que os seus alunos não sejam prejudicados e continuem a fazer as suas aprendizagens a partir de casa. Passamos do oitenta para o oito, como agora se diz, mas o mundo não para e as escolas também não, tal como a vida”, sublinha, terminando a entrevista com o apelo à confiança e esforço de todos, no sentido de uma superação coletiva deste enorme desafio. “Acima de tudo, faço um apelo aos penafidelenses para que mantenham a calma e a serenidade necessárias para ultrapassarmos esta contrariedade. Faço um apelo para que permaneçamos nas nossas residências e só saiamos quando estritamente necessário. Quanto mais e melhor cumprirmos as orientações das autoridades de saúde no que se refere aos comportamentos a adotar, mais depressa sairemos deste momento de grande exigência para todos”.