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PENAFIEL BIKE CLUBE- UMA REFERÊNCIA NO CICLOCROSSE NACIONAL

O Penafiel Bike Clube é uma das coletividades de maior referência no ciclocrosse em Portugal.

Constituída por alguns dos mais promissores nomes do futuro da modalidade, a coletividade tem levado o nome de Penafiel ao topo do ciclocrosse português, ajudando o concelho a ser respeitado no contexto de uma disciplina desportiva em franco desenvolvimento.

Numa grande entrevista realizada com o presidente do clube, Renato Gaspar, fomos conhecer melhor um dos mais dinâmicos e credenciados clubes de Penafiel, numa reportagem que compreendeu a análise da mais recente temporada de ciclocrosse, bem como da antevisão do que poderá ser o futuro do Penafiel Bike Clube nos próximos anos.

1- No rescaldo de uma época em que a escola conquistou um vice-título, em Cadetes, por Tomás Gaspar, que balanço se pode fazer da presente época, tanto na Taça de Portugal de ciclocrosse, como da prova do campeonato nacional?

O balanço superou as nossas expectativas, tanto a nível individual ou coletivo. De realçar o vice-título nacional do Tomás, que é um atleta com muito potencial e vai ter um futuro prometedor nesta modalidade, basta ele querer e continuar com esta humildade, companheirismo e paciência. Esta época, fez a sua estreia no escalão de Cadetes, e em dez provas de ciclocrosse fez sete pódios. Teve uma infelicidade no Campeonato Nacional, que lhe custou cerca de dois minutos e meio de atraso para a frente da prova, e teve que fazer uma prova de trás para a frente, e no final alcançou um quinto lugar, a um minuto e vinte segundos do novo campeão nacional. É só fazer as contas, para se perceber que ele era claramente o mais forte naquele dia. De referir que na prova do Campeonato Nacional, fomos a equipa com mais elementos a participar, já que em nove categorias estávamos representados em sete, com 13 participações. Na geral da Taça de Portugal de Ciclocrosse, na categoria de Cadetes, colocámos quatro atletas nos melhores oito a nível nacional, e amealhámos várias vitórias e pódios nacionais nos escalões de Juvenis e Master. Melhor era impossível. Estes atletas devem sentir orgulho do seu desempenho.

 

2- Qual a importância do segundo lugar de Tomás Gaspar para o clube, na Taça de Portugal?

Esta classificação colocou-o nos melhores na sua categoria para 2020, seja no ciclocrosse, BTT ou estrada, tendo ainda para mais em conta de que estamos a falar de um atleta de primeiro ano no seu escalão. Conquistou uma prova da Taça de Portugal em Santo Tirso, que foi a primeira vitória dele e do clube numa Taça de Portugal, e fez um pódio no campeonato galego de Ciclocrosse em Marín-Pontevedra, onde o nível competitivo é mais elevado que o português, naquele que fica para a história como o nosso primeiro pódio ibérico. Para o clube, é importante divulgar o nome do concelho e dos nossos parceiros e patrocinadores pelo pais e fora dele, e com estes resultados reforçamos a afirmação de que somos um projeto em crescimento e com sucesso, também além-fronteiras.

 

3- Na Superliga de Ciclocrosse da AC Porto, os resultados obtidos por ciclistas do clube também foram de relevo, com o título de Diogo Ribeiro nos juvenis, o segundo de Joaquim Matos em Master 60, ou terceiros lugares de Leonardo Barbosa nesta mesma categoria, ou de Tomás Gaspar em Cadetes. Que análise pode ser feita, globalmente, ao nível da prestação dos atletas do clube na Superliga de Ciclocrosse?

A seguir à Taça de Portugal e Campeonato Nacional, a Superliga de Ciclocrosse é uma importante competição para nós, e sendo uma prova mais regional, a qualidade individual dos nossos atletas veio ao de cima. Na geral da Superliga, o Diogo Ribeiro foi sem dúvida o mais regular e merecedor desta conquista. O Leonardo juntou-se a nós em julho de 2019, e apesar de alguma inexperiência a nível físico e técnico, a vitória na prova de Rebordosa e o terceiro da geral, foi um prémio do seu empenho e evolução. No escalão de Cadetes, temos um bloco forte que ira dar que falar em 2020, e o nosso veterano Joaquim Matos é um exemplo para os mais novos, e com 60 anos compete e treina aos fins-de-semana com a equipa. Fez a sua estreia no Campeonato Nacional de 2020,com o pódio alcançado, ficou adepto e ganhou motivação para continuar nesta modalidade, e assim temos mais um penafidelense como atleta de grande nível de ciclocrosse.

 

4- Qual a importância que o ciclocrosse tem para o projeto desportivo do Penafiel Bike Clube?

O nosso clube orgulha-se se ser uma grande impulsionador desta modalidade. A seguir ao BTT, o ciclocrosse é a nossa segunda modalidade, mas admito que é mais do isso, pois queremos ser o clube com mais títulos nacionais e regionais nos próximos anos e também o clube com mais participantes. Pretendemos participar cada vez mais no campeonato galego de ciclocrosse, coisa que não aconteceu em 2019 devido ao limitado orçamento financeiro, mas em 2020, por razões comerciais de alguns patrocinadores, vamos fazer muito mais provas a Espanha, pois é importante participar nestas provas fora de Portugal devido ao elevado nível competitivo e número de participantes. É importante começar a incutir aos mais novos o gosto por esta modalidade, e que servira também como uma ponte para a terceira vertente em que participamos que é a Estrada.

 

5- Qual a visão estratégica de futuro que o Penafiel Bike Clube tem para o desenvolvimento do ciclocrosse?

Para nós é importante angariar cada vez mais atletas jovens para esta modalidade, principalmente atletas femininas, e começar com um trabalho de base para quando atingirem os escalões seguintes, com o avanço da idade, não terem tanta dificuldade e ser mais fácil a adaptação. Depois da época BTT/Estrada que termina em setembro/outubro é importante só treinar na bicicleta de ciclocrosse e começar cedo a preparação porque o ciclocrosse começa em outubro até janeiro do ano seguinte. Existem três projetos que devem avançar em 2020, que estão pendentes de apoios e interesse das entidades competentes. À Federação Portuguesa Ciclismo e à Associação Ciclismo do Porto, fizemos a proposta para nos atribuir duas Taça de Portugal de Ciclocrosse e posteriormente um campeonato nacional, isto até 2022. Logo no arranque da época de ciclocrosse, sugerimos a realização de uma Maratona de Ciclocrosse, um conceito também inovador, que terá a distancia mínima de 80/90 km, e pontuável para o troféu “Open Sentir Penafiel em Ciclocrosse”, a fim de trazer os nossos vizinhos espanhóis e atletas de alguns países europeus para promover a região.

 

6- Estando a coletividade já inserida na modalidade há algum tempo, como avalia a evolução do ciclocrosse português nos últimos anos, e até que ponto a modalidade pode crescer em Portugal, no futuro?

Em 2016, quando iniciamos o Troféu “Open Sentir Penafiel em Ciclocrosse”, reparámos que o ciclocrosse estava numa fase inicial ou arranque, depois de muitos anos estar desaparecido do panorama nacional. Com o aparecimento do “Open” subimos essa fasquia em 2016, 2017 e 2018, com o surgimento de um número significativo de participantes, que levam a que a modalidade esteja cada vez mais implantada na região Norte, e a Federação vai ter que aceitar isso, mas compreendo que o ciclocrosse tem que abranger o país todo. É importante que mais atletas apareçam ao ciclocrosse, é preciso que os atletas da estrada participem em maior número, e impõe-se a mudança na cultura desportiva de alguns diretores e treinadores, que devem alargar os seus horizontes, para que os seus atletas não possam crescer ou viver agarrados a uma modalidade. O nível competitivo está a crescer e era importante que a Federação Portuguesa de Ciclismo comece a pensar em montar uma seleção de ciclocrosse para dar oportunidade aos atletas em algumas taças do mundo e campeonatos mundiais e europeus, e acredito que esse será o próximo passo da federação.

 

7- O Open Sentir Penafiel em ciclocrosse foi um evento que projetou a modalidade no concelho e região, ao longo das suas três edições. Qual a importância que este evento teve na disseminação da modalidade em Penafiel, e qual a possibilidade de se reeditar esta competição?

Como mentor deste troféu e dirigente fico orgulhoso de chegar a uma prova a Galiza e perguntarem-me quando vai haver outro Open, ou então de ainda darem o exemplo do nosso troféu pela qualidade de organização em Portugal. Acredito que fomos uma alavanca importante, mas existem também outros organizadores a nível nacional que foram muito importantes.  O Open foi um conceito único em Portugal, onde os atletas não federados podiam competir lado a lado com os melhores atletas da modalidade, e cada prova tinha no mínimo 200 participantes, onde a presença dos nossos vizinhos espanhóis era forte, e na ultima edição tivemos cinco nacionalidades. Muitos atletas começaram a fazer ciclocrosse aqui neste troféu, e também muitos penafidelenses, e Penafiel chegou a ser considerada a Capital do Ciclocrosse. Para que se volte a realizar, é importante ter o apoio de algumas entidades, e acredito que em 2020 vai ser possível, até porque é impensável um clube como o nosso deixar de organizar eventos de ciclocrosse. Temos que organizar, agora é obrigatório, porque somos uma referência no ciclocrosse.

 

 

8- A formação é uma marca do Penafiel Bike Clube, com a presença de numerosos atletas em várias categorias. Como antevê a evolução destes jovens desportistas, e qual a capacidade de podermos ter, neste clube, um «núcleo duro» de atletas competitivos nos escalões de elite da modalidade?

O Penafiel Bike Clube foi a primeira Escola de BTT/Ciclocrosse do Vale do Sousa. Nunca ninguém se tinha dedicado a estas modalidades, como nós, porque é essa a nossa orientação estratégica. Neste âmbito, a nossa equipa técnica será responsável, nos próximos dois anos letivos, pelo projeto “Escola a Pedalar”, em Lousada, que abrange cerca de 2000 alunos do 1º ciclo, e que envolve 25 escolas do concelho, que serve para combater o insucesso escolar, e como complemento as aulas de educação física. A nossa formação base é o BTT, que começa aos 5 anos, e a partir dos 12 anos começamos a incutir as vertentes de estrada e ciclocrosse. O BTT vem primeiro porque é muito mais divertido para as crianças estar em contacto com a natureza e sentirem a adrenalina dos trilhos, e é mais saudável para o crescimento deles, pois conseguem desenvolver mais depressa as suas capacidades motoras, físicas e técnicas. A partir dos 12 anos no escalão de Juvenis, que ainda é formação, começamos a incutir a vertente de estrada e ciclocrosse, mas com o BTT prioritário, assim a transição para os escalões de competição, que começa aos 14 anos, é mais fácil. Durante alguns anos acompanhei profissionalmente equipas profissionais de ciclismo de estrada, sejam portuguesas ou estrangeiras, e vi duas realidades completamente diferentes. Nas equipas estrangeiras em que trabalhei mais de 70% dos atletas eram provenientes ou com formação base no BTT e ciclocrosse Até aos 15/16 anos, faziam formação de BTT, ciclocrosse e estrada, e só depois é que optavam ou não por uma só vertente, que podia leva-los ao profissionalismo. Este é o modelo que eu acredito de formação no ciclismo. No panorama nacional das escolas de ciclismo, somos das poucas escolas a fazer formação nas três vertentes, e sei que estamos no caminho certo. Como conheço a realidade do ciclismo profissional, acredito que este trabalho desenvolvido por nós é o mais correto. Incutindo estes princípios aos mais novos, vamos prepará-los melhor para os desafios que a vida lhes vai proporcionar.