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PEDRO SOUSA: “ERA IMPORTANTE O FC PENAFIEL ABRAÇAR O DESAFIO DO FUTSAL”

Pedro Sousa é um treinador de futsal natural de Penafiel, que neste momento tem sido destaque pela positiva, na luta pela manutenção dos paivenses do ADC Bairros na 2ª Divisão Nacional de futsal.

Numa extensa entrevista ao Penafiel Magazine, Pedro Sousa falou de um percurso em que já conta com uma subida aos nacionais pelos valonguenses do Retorta, da presente época em Castelo de Paiva, e dos desafios ao desenvolvimento da modalidade, que podem passar pela adesão do FC Penafiel ao futsal.

Chegou no início deste ano ao Bairros, e na altura confessou-se feliz pelo regresso à sua paixão pelo treino. De que forma surgiu a possibilidade de orientar esta equipa, e como recebeu o convite que lhe foi endereçado?

É verdade, há muitos anos que o futsal é uma das minhas grandes paixões. Não sendo profissional da modalidade, nem tendo essa ambição, e pese a consciência que muito do tempo retirado à família é em prol dessa modalidade, permita-me referir que as paixões da nossa vida por vezes são irracionais. Relativamente ao convite, ele surgiu com naturalidade, uma vez que sou uma pessoa da modalidade e com certeza a direção, na pessoa do seu presidente, procurou informações sobre o meu trabalho e de outros treinadores. Em função do perfil definido, decidiu contactar-me e esse processo foi efetivado com uma reunião entre mim, o diretor desportivo Bruno Fidalgo, o presidente e um outro elemento da direção, o Cristiano Seabra, onde me foram apresentadas as condições do clube e os objetivos definidos para a presente época. Da minha parte assumi e aceitei este convite com o maior sentido de responsabilidade.

No seu palmarés, tem já uma experiência na 2ª Divisão Nacional, ao serviço dos valonguenses do Retorta. Como descreve essa passagem?

Uma experiência gratificante que ficará na memória de todos os que contribuíram durante aqueles dois anos desportivos. No primeiro ano o objetivo era mantermos a equipa na Divisão de Elite da AF Porto, pois a equipa nos dois anos anteriores tinha assegurado a manutenção na penúltima e última jornada respetivamente. Nessa época conseguimos o 2º lugar, atrás do Boavista, assegurando assim a subida de divisão. Um segundo ano, já no nacional, em que mantivemos a estrutura da distrital e que por diversas razões não conseguimos manter a equipa nos campeonatos nacionais e isso aconteceu por um golo, pois a vitória na 2ª fase, em vez do empate verificado, com o Mogadouro daria a presença na mesma divisão. De qualquer maneira ficará marcado para sempre na história do clube, mas não só, também no concelho, pois, foi a primeira equipa no concelho a chegar à 2ª Divisão Nacional nesta modalidade. Permita que me orgulhe desse passado, mas nós vivemos do presente e do que iremos fazer no futuro, e neste momento a minha energia está focada no ADC Bairros.

Na nova época, um objetivo idêntico ao da época passada – a manutenção. Ao chegar a Castelo de Paiva, que equipa encontrou, e quais os recursos e apoio que teve no sentido de atingir esse objetivo proposto?

Encontrei uma equipa organizada segundo as ideias da equipa técnica anterior, que realizou um excelente trabalho, não só nesta época, mas também na época anterior pois relembro que o ADC Bairros no ano desportivo anterior, ganhou tudo o que havia para ganhar, ao nível distrital, na AF Aveiro. No entanto a realidade deste ano é completamente diferente, existe uma grande diferença dos campeonatos distritais para as divisões nacionais e o clube passa neste momento por esse período de adaptação. Temos consciência que apesar de amadores, todos temos de ser mais profissionais na tarefa que estamos a desempenhar e só com sacrifício, compromisso e sentido de responsabilidade de todos, iremos atingir os objetivos propostos, neste caso a manutenção.

Olhando para a realidade competitiva na Série C, qual o nível de competitividade que aqui se encontra, e quais equipas e mesmo atletas que sobressaem?

Confesso que a série que melhor conhecia era a B, obviamente pela questão geográfica, mas devo referir que a série C me surpreendeu a esse nível e obviamente basta olhar para a tabela classificativa final da primeira fase, e verificar o nível de aproximação entre a maior parte das equipas e que faz com que no arranque da segunda fase de manutenção, seis equipas estejam separadas por apenas dois pontos. No que diz respeito à segunda parte da questão, sobressaiu o vencedor da série, o Dínamo Sanjoanense, que fez um percurso praticamente imaculado, principalmente em casa, onde só perdeu pontos na última jornada com a nossa equipa, e o outro apurado para a fase de subida, o ABC Nelas, que acabou por justificar, em luta até à “linha da meta” com o CD Aves da Série A, o apuramento para a fase de subida à 1ª Divisão Nacional. Relativamente a atletas, estaria a ser injusto se nomeasse aqui alguns e não o fizesse com outros, até porque também estaria a ir contra os meus princípios de valorizar aquilo que para mim é mais importante e diferenciador, o coletivo, a equipa, pois na minha opinião isso é que faz a grande diferença, apesar de como qualquer treinador querer contar com aqueles que são mais capazes ao nível técnico, tático e emocional.

Em que patamar de competitividade se encontra o Bairros, e até que ponto a vossa equipa tem qualidade suficiente para atingir os objetivos propostos?

Tudo aquilo que possa referir é basear-me nos factos atuais e no que vivenciamos até agora. Esses dados permitem-nos referir que se o campeonato terminasse neste momento, a nossa equipa teria atingido os objetivos definidos para esta época e assim, desse ponto de vista e respondendo à sua pergunta, mostrámos qualidade suficiente para atingir os objetivos propostos. Mas também é factual que é na segunda fase que tudo se decide, e para que seja efetivado o que nós pretendemos, de uma coisa temos a certeza, isso depende fundamentalmente de nós, apesar de estarmos conscientes das dificuldades e adversidades que iremos enfrentar, mas sempre confiantes nas nossas capacidades e competências. Permita-me ainda fazer uma ressalva, uma vez que pela situação atual do país, e falo concretamente na propagação do vírus COVID-19, estamos todos expectantes em perceber se efetivamente os campeonatos nacionais de futsal serão retomados, percebendo que o mais importante da vida é a saúde de todos.

Desde que assumiu o comando técnico, o Bairros subiu do oitavo ao quarto lugar da Série C, e está hoje numa posição mais favorável na luta pela manutenção. Que fatores ajudam a explicar esta trajetória ascendente da equipa na tabela classificativa?

A nossa missão como equipa técnica, é potenciar ao máximo as caraterísticas e capacidades de cada atleta, e para isso é fundamental ter metodologia e organização. Neste percurso procuramos que os atletas acreditem nas nossas ideias e no caminho que lhes estamos a indicar e faze-los perceber que dessa forma estaremos mais perto do sucesso pretendido. Eles têm sido fundamentais na forma como se têm empenhado e dedicado à nossa causa, a causa da nossa equipa, e o mérito é principalmente deles, mas volto a relembrar que ainda estamos a meio do percurso e não valerá de nada se pensarmos que já conquistamos alguma coisa, porque o nosso desafio é continuar o nosso trabalho de forma a atingirmos o pretendido.

Ainda que esteja há pouco tempo com a equipa, que mudanças e melhorias na qualidade de jogo sente que já foram produzidas com o trabalho feito?

Como referi anteriormente, volto a valorizar o trabalho efetuado pela equipa técnica anterior, uma vez que encontramos a equipa preparada em termos de modelo de jogo para o nível competitivo que estávamos inseridos, pois nós só chegamos no início de janeiro. Nestes dois meses e meio, o que procuramos fazer, tendo em conta o momento e o contexto competitivo em que chegamos, foi fazer ajustes de encontro às nossas ideias nos quatro momentos do jogo – organização ofensiva e defensiva e nos momentos de transição. Mas as equipas não se fazem só da componente técnica e tática, procuramos também perceber e intervir na capacidade emocional individual dos nossos atletas e da nossa equipa, indo de encontro à individualidade de cada um e ao coletivo.

Até que ponto esta paragem forçada dos campeonatos e atividades desportivas vai prejudicar todo o processo de trabalho desenvolvido?

Tínhamos programado para a paragem entre as duas fases do campeonato a possibilidade de trabalharmos e melhorarmos alguns aspetos ligados ao modelo de jogo pretendido. Infelizmente, pela questão que é do conhecimento de todos – propagação do vírus COVID-19 – neste momento estão suspensas todas as atividades desportivas na nossa equipa, e desde o passado 9 de março e não sabemos quando serão retomados os respetivos campeonatos, nem mesmo se terminarão. Nós sabemos que neste momento todas as equipas estão em igualdade de circunstância, pois esta questão é de âmbito nacional e não local, e volto a frisar, atualmente valores mais altos se impõem ao aspeto desportivo que são a salvaguarda da saúde pública.

Quais os motivos que podem levá-lo a acreditar que o Bairros pode atingir os respetivos objetivos, no final da temporada?

Acima de tudo, a forma como trabalhamos nestes dois meses e meio que estamos no clube. É transversal, desde os elementos da direção, aos atletas, ao técnico dos equipamentos e à equipa técnica, que todos estão com o mesmo foco e dedicação em função de um objetivo. Como disse anteriormente, sabemos que vai ser difícil, mas lembro-lhe as palavras proferidas a 3 de janeiro – “O desafio, qualquer que ele seja, só é difícil, não é impossível!”.

O Pedro Sousa é um homem do futsal, e também um penafidelense, residente num concelho sem grandes tradições na modalidade, nomeadamente na vertente masculina. O que falta fazer para Penafiel crescer e tornar-se uma grande referência no futsal regional, capaz de colocar equipas nos nacionais como o fazem ou fizeram Paredes, Lousada, Resende ou Castelo de Paiva?

É verdade que no setor feminino, temos um representante nos campeonatos nacionais, o Aguias de Santa Marta, que tem representado dignamente não só o concelho como o próprio Vale do Sousa. No setor masculino, Penafiel esteve perto de o conseguir na época 2014/15, quando o CSRDC Santiago conseguiu o terceiro lugar na Divisão de Elite da AF Porto, mas a verdade é que nenhuma equipa do concelho atingiu os campeonatos nacionais de futsal, ao contrário de Paredes, Resende e atualmente Castelo de Paiva. Para mim, penafidelense “de gema” nascido, criado e residente neste concelho, é com mágoa que o vejo acontecer, e para que isso seja uma realidade precisamos que todos os amantes da modalidade unam esforços para atingirmos patamares de excelência naquela que é a modalidade de pavilhão mais praticada em Portugal, e a segunda a nível global a seguir ao futebol. Já agora, aproveito a ocasião para lançar o desafio para que isso aconteça e que se torne viável e que, do meu ponto de vista, pode passar pela criação da modalidade no clube mais representativo do concelho, o FC Penafiel e, desta forma, ir ao encontro daquilo que estão, e bem, a fazer os clubes de emblema em Portugal.