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ROGÉRIO MATOS – O SUPERCAMPEÃO PENAFIDELENSE NO CICLOCROSSE NACIONAL

Em Penafiel, há um «supercampeão», Rogério Matos, que «brilha» a grande altura no ciclocrosse nacional.

Depois de ter dominado, na sua categoria, todas as provas nacionais e regionais em que participou, o penafidelense concedeu uma entrevista ao Penafiel Magazine, onde fez o balanço da temporada, e projetou o futuro da modalidade no nosso país, além de esperar continuar em alto nível por mais épocas.

Depois de um domínio absoluto nas cinco provas da Taça de Portugal, e do título de campeão nacional em Master 40, bem como o título da Superliga da AC Porto, como se pode descrever a temporada de ciclocrosse que agora terminou?

Foi sem dúvida a minha melhor temporada até à data. Conseguir vencer na minha categoria todas as corridas disputadas em Portugal é algo memorável para mim.

Quais os motivos que aponta para a obtenção de tantas vitórias?

A dedicação e o gosto pelo que fazemos é sem duvida importante, mas também o facto de ter ao nosso lado as pessoas certas, que nos apoiam e ajudam no dia-a-dia. Família, treinador, equipa, amigos e patrocinadores, todos eles têm a sua importante quota parte para que tenha sido possível estar ao nível que estivemos.

De que forma se pode descrever o grau de dificuldade das cinco provas do calendário da Taça, e da prova do campeonato nacional?

Todas elas tiveram a sua “história” e os seus momentos importantes. Apesar de ter conseguido vencer todas, nunca tive um momento em que pudesse facilitar, pois a qualquer altura podia surgir um percalço e facilmente se perder tempo. Por exemplo no Campeonato Nacional, em Vila Real, acabei por ter uma queda que me fez perder alguns segundos. Por acaso perdi mesmo apenas uns segundos, mas se tivesse danificado a bicicleta por exemplo, as coisas poderiam complicar-se. Tinha bons adversários em pista, pelos quais tenho muito respeito e sei que se cometesse algum deslize eles iriam aproveitar da melhor maneira.

Onde é que registou, no seu entendimento, a melhor performance da época, e em que circuito as coisas não lhe correram tão bem?

Além do Campeonato Nacional em Vila Real, guardo grandes recordações do Campeonato Europeu em Itália, onde enfrentei o circuito mais “pesado” onde corri até hoje, tal era a quantidade de lama no percurso, que nos “obrigou” fazer cerca de 70 a 80% de cada volta a correr com uma bicicleta ao ombro cada vez mais pesada, devido à acumulação dessa mesma lama, mas de onde regressei com um espetacular quinto posto. Também as grandes “remontadas” que fiz nas corridas de Burgos, principalmente a de Medina de Pomar, onde arranquei nos últimos lugares, e ao longo dos quarenta minutos de prova, ultrapassei mais de 100 adversários e terminei em 11º. As coisas não correram tão bem em Bragança, devido a uma queda que me fez trocar de bike e cair para as últimas posições logo na volta inicial. Perdi bastante tempo e depois foi difícil chegar à frente mas felizmente, a meia volta do final, consegui chegar à liderança e vencer.

Como descreve o nível competitivo dos adversários da sua classe?

A categoria Master 40 é sempre um escalão bastante competitivo e sempre dos mais participados em cada corrida, onde regra geral os atletas são bastante dedicados à modalidade, o que torna as provas sempre bonitas de acompanhar.

Depois de tal temporada, o que podemos esperar de si no ciclocrosse nacional, nos próximos anos?

Espero continuar por cá a fazer durante uns bons anos o que tanto prazer me dá. Se possível, podendo também contribuir para o crescimento e evolução da modalidade.

Como descreve o apoio que lhe é dado pela equipa Rompe Trilhos/Ajpcar, e qual a importância desta equipa no seu sucesso como praticante?

A equipa Rompe Trilhos / Ajpcar é como uma segunda família para mim. Pode não ter os “meios materiais” que outras equipas terão, mas tem também o que muitas outras não têm, um ambiente espetacular e pessoas amigas e que estão sempre lá para apoiar. Passamos momentos fantásticos juntos!

Como descreve o estado atual do ciclocrosse português, e quais as suas perspetivas de evolução?

Não posso dizer que o ciclocrosse português vive um mau momento, mas também não posso dizer que vive o melhor momento. Julgo que nos últimos dois ou três anos as coisas “amornaram” um pouco, depois de uma fase de franco crescimento a partir do ressurgimento da vertente no nosso país em 2010. Obviamente que gostava de ver a modalidade crescer mais. Acho que está na altura de a Federação Portuguesa de Ciclismo dar um passo em frente e começar a levar os nossos jovens a competir fora de Portugal. Só a correr com os melhores e em eventos de maior nível conseguimos subir a fasquia também por cá. Acho também que todos os intervenientes na modalidade deveriam encará-la de forma cada vez mais séria. Todos, desde atletas, equipas, organizadores, comissários e federação. Só aumentando a exigência com nós próprios conseguiremos fazer evoluir o ciclocrosse em Portugal e aproximar-nos um pouco do que vemos por essa Europa fora.

Créditos das fotos: UVP-FPC