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IVO PEREIRA: “O ADP PODE TORNAR-SE A BANDEIRA DE PENAFIEL NO FUTSAL PORTUGUÊS”

No mesmo dia em que celebra o seu aniversário, o treinador de futsal penafidelense Ivo Pereira é o grande entrevistado de hoje do Penafiel Magazine.

Ainda bastante jovem, Ivo Pereira é um dos grandes responsáveis pelo maior representante de Penafiel no futsal português, a Associação Desportiva de Penafiel (ADP), que hoje apresenta uma estrutura composta por cerca de 120 atletas, e sete equipas em várias categorias, desde a formação aos seniores.

Os promissores resultados nas camadas jovens, e a qualidade futsalística que se vai mostrando na equipa principal, justificam um discurso ambicioso, embora prudente, que aponta o ADP para patamares de competitividade mais altos. Cabe a Ivo Pereira, que foi homenageado pelo clube como um dos treinadores mais marcantes dos seus 25 anos de história, a tarefa de ser talvez o «timoneiro» de uma história que se espera vir a ter um final feliz.

 

O ADP terminou a Série 3 da 1ª Divisão da AF Porto no sétimo lugar. Qual o balanço que se pode fazer desta prestação?

Não é segredo que a presente época desportiva ficou aquém das expetativas, principalmente, depois de no ano transacto termos obtidos bons resultados. No entanto, não nos podemos basear apenas na classificação obtida. Até porque, comparativamente às épocas transactas, o desfecho não foi assim tão diferente.
De qualquer das formas, temos que estar satisfeitos com o trabalho que tem vindo a ser desenvolvido. Ficamos longe de alcançar um dos principais objetivos, subir de divisão, mas alguns indicadores fazem-nos acreditar que no futuro iremos ter sucesso.

 

Quais os aspetos positivos que puderam ser extraídos desta primeira fase da época, e que fatores menos positivos condicionaram, na tua opinião, a época do ADP, e o impediram de chegar a resultados melhores?

Enquanto técnico principal da ADP, estou muito satisfeito com o processo que tem vindo a ser desenvolvido e com a evolução da equipa a todos os níveis. Os atletas têm tido um comportamento, empenho e vontade em evoluir excecional. Este será, talvez, o principal aspeto positivo desta primeira fase da época. Embora os resultados nem sempre fossem os mais desejados, os atletas treinavam ainda com mais vontade e dedicação. Relativamente aos fatores menos positivos, acho que não faz muito sentido mencioná-los. Tenho algum receio de dar a ideia de estar a “inventar” motivos para desculpabilizar o insucesso. O importante é que sabemos o “porquê” de nem sempre termos conseguido resultados melhores, e estamos a trabalhar para colmatar estas situações.

 

Que descrição pode ser feita da equipa principal do ADP, em termos das suas características de jogo, e pontos fortes e fracos?

A equipa principal da ADP é constituída por jogadores com características completamente distintas e que nos permitem jogar de formas diferentes, de acordo com o adversário. Neste momento, temos sentido algumas dificuldades ao nível defensivo. Apesar de apresentarmos uma boa organização defensiva, com comportamentos bem definidos, falta-nos alguma agressividade ao portador da bola. Acabamos por conceder bastante espaço ao adversário para decidir e executar as tarefas, e isso reflete-se na quantidade de golos sofridos. Também temos algumas dificuldades ao nível da finalização. Temos como ponto forte a criação de oportunidades de finalização através do jogo organizado ou de transições rápidas, mas marcamos poucos golos. Recordo-me de um jogo em que, na segunda parte, os jogadores tiveram cinco vezes apenas com o guarda-redes adversário pela frente e não conseguimos fazer golo. Felizmente, vencemos este jogo, mas noutras ocasiões, a falta de eficácia acabou por se refletir no resultado final.

 

Quais os objetivos e expectativas do ADP no que respeita à participação na Taça Complementar?

A Taça Complementar providencia uma excelente oportunidade de aprendizagem às equipas dos escalões mais inferiores, pois, podemos defrontar equipas “teoricamente” mais fortes. Até ao momento, os jogos realizados serviram essencialmente para nos colocarmos à prova e identificarmos as nossas maiores dificuldades. É um erro afirmarmos que temos como principal objetivo ou expectativa vencer a Taça Complementar. No entanto, e como é lógico, vamos continuar a respeitar as equipas adversárias e jogar para vencer. Acreditamos que temos condições e qualidade para o fazer, mas não vivemos obcecados com esta ideia. No fundo, o fundamental é adquirirmos mais experiência e evoluirmos cada vez mais defrontando equipas de divisões superiores.

 

Qual a importância da formação do ADP no processo de construção de uma equipa sénior de cada vez mais qualidade?

Atualmente, temos jogadores na equipa sénior com bastante qualidade e potencial. Mas, estes jogadores não foram formados tendo em conta as ideias e metodologia atual do clube e, por isso, o processo de evolução acaba por ser mais demorado. Nos próximos anos, teremos jogadores vindos das camadas jovens com muito mais tempo de prática desportiva, com mais experiência competitiva e com uma formação sólida e assente no modelo do clube. E este será um fator determinante para que o plantel sénior tenha muito mais qualidade. Estamos a produzir jogadores capazes de integrar a equipa sénior do clube, jogadores que irão fazer a diferença. A formação da ADP será a base do sucesso que iremos alcançar no futuro.

 

Até que ponto a experiência competitiva dos jogadores da formação pode traduzir-se no acréscimo de qualidade dos resultados e exibições obtidos?

Os jogadores da formação ainda têm que passar por um processo evolutivo, ainda não estão completamente preparados para ingressar no plantel sénior e serem determinantes. Apesar de terem uma maior experiência competitiva ao nível da formação, jogar no escalão sénior é muito mais exigente. No entanto, nos últimos anos já temos vindo a tentar inseri-los e promover-lhes ainda mais experiências competitivas. E, apesar de ainda não conseguirem apresentar exibições consistentes, verificamos que são, sem dúvida alguma, mais-valias para o clube.
Por isso, poderemos ainda não verificar um acréscimo significativo de qualidade ao nível dos resultados, mas em termos de exibições sim. Tal como referi na questão anterior, a formação da ADP será a base do sucesso que iremos alcançar no futuro.

 

Que comentário fazes à chegada da tua equipa aos quartos-de-final da Taça, e quais as expectativas para a eliminatória com o Cem Paus?

Na presente edição da Taça, a ADP defrontou equipas que têm vindo a fazer uma excelente época desportiva e que nos causaram imensas dificuldades. Enquanto o Leça é 2º classificado da Divisão de Honra, o JD Águas Santas é o 5º classificado da Divisão de Elite e tem o maior número de golos marcados dos Campeonatos Distritais Seniores da AF Porto. O facto de termos ultrapassado estes adversários, e de nos termos apresentado em campo bem organizados, com ideias bem estruturas, dá-nos bastante alento e faz-nos acreditar que é possível passarmos à próxima eliminatória da Taça. Pela frente temos um adversário bastante difícil, mas acreditamos que temos qualidade para vencê-lo.

 

Nas comemorações dos 25 anos do clube, foste distinguido como um dos treinadores mais marcantes da história do ADP. Que análise fazes ao trabalho que desenvolveste no futsal do clube?

Pela ADP passarem inúmeros treinadores, diretores e atletas que tiveram um papel determinante no desenvolvimento desta instituição. Sinceramente, e apesar de ter sido “eu” o distinguido, considero que este foi um momento de reconhecimento do trabalho desenvolvido por toda a secção de futsal do clube. Não encarei esta distinção como sendo pessoal, pois, sem todos os técnicos que me acompanharam nos últimos seis anos e que acreditaram no projeto, isto não teria sido possível. Neste momento, este departamento tem cerca de cento e vinte atletas e sete equipas a participar nos campeonatos promovidos pela AF Porto. As nossas equipas dos escalões de formação têm obtido excelentes resultados. Ainda na época passada, a equipa de Juniores “A” conseguiu subir de divisão depois de terem terminado a fase de apuramento de Campeão em segundo lugar. Os nossos atletas têm vindo a ser convocados para os treinos da Seleção Distrital da AF Porto.  Estes são apenas alguns dados que nos indicam que estamos no caminho certo. Mas, pela frente ainda temos um longo percurso para atingir os objetivos a que nos propomos. Por isso, não quero analisar já o trabalho que desenvolvemos no futsal do clube, ainda não terminámos.

 

Até que ponto os penafidelenses devem acreditar que o ADP tem potencial para se tornar a grande «bandeira» de Penafiel no futsal português?

Esta instituição tem como principal objetivo o desenvolvimento, promoção e dinamização da prática desportiva de forma pluridisciplinar em vários contextos e expressões, assumindo uma importante função social e comunitária.
Isto é o que nos caracteriza, é o que nos faz abdicar de tempo precioso para estarmos com as nossas famílias. O importante é o desenvolvimento das crianças e jovens, o educar e formar através do desporto. E quando refiro crianças e jovens, refiro a todas as que queiram praticar futsal. Não fazemos captações e seleção de atletas tendo em conta as características de cada um. As inscrições apenas são feitas de acordo com o número de vagas disponíveis por escalão. No entanto, sabemos que, muitas das vezes, no desporto o nosso trabalho apenas é considerado bem feito quando vencemos, quando conquistamos troféus. Mas na ADP defendemos outros valores, lutamos pela formação do atleta. Por exemplo, no último ano, tivemos sete atletas que ingressaram no ensino superior. É com isto que os penafidelenses devem contar. Logicamente, a secção de futsal desta instituição também tem outros objetivos. Estamos a construir um modelo de desenvolvimento sustentável que nos permita tornar num clube de referência e ser reconhecido pela comunidade como centro de excelência na formação de jogadores. Queremos e estamos a produzir jogadores capazes de integrar a equipa sénior do clube, promovendo uma sólida formação, baseada em valores desportivos, pessoais e sociais. E acreditamos que iremos ter sucesso desportivo através deste modelo.
Em Penafiel já existiram algumas equipas que representaram muito bem o concelho. O problema é que existiram e já não existem. E o futsal tem assistido a este problema. Algumas equipas que foram fundamentais para a projeção e desenvolvimento desta modalidade passam por inúmeras dificuldades e algumas delas acabaram mesmo por desistir.
Agora defende-se a ideia que os clubes de futebol deviam criar equipas de futsal. Do ponto de vista competitivo, é fantástico, pois, podem suportar os custos inerentes à aquisição dos melhores jogadores. Mas e depois? Onde é que foram formados os melhores jogadores portugueses? Onde é que foi formado o melhor jogador do mundo?
A ADP não é um clube de elite. Temos potencial para nos tornarmos na “bandeira” de Penafiel no futsal português. Não hoje, não amanhã, mas num futuro próximo através de um percurso bem estruturado e com uma base suficientemente sólida para perdurar por longos anos.