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NUNO ARAÚJO: “A RESPOSTA A ESTA PANDEMIA DEPENDE DA UNIÃO DE TODOS”

Se o PSD é colaboração no Parlamento, o PS é colaboração no concelho de Penafiel.

Numa entrevista feita pelo Penafiel Magazine ao líder dos socialistas penafidelenses, Nuno Araújo realçou a importância da união de todos, na superação de um desafio tremendamente exigente.

Nas suas declarações, são contínuos os elogios à ação de um Governo e instituições que souberam estar à altura de uma pandemia de enorme dimensão, e cuja evolução ainda merece da comunidade científica muitas dúvidas e poucas certezas.

A nível concelhio, considera as medidas constantes no plano municipal “Juntos Vamos Vencer” um “primeiro passo” no apoio às famílias penafidelenses, mas reitera a necessidade de implementar medidas mais robustas e abrangentes, que não se limitem a proteger os que menos têm, mas que estejam ao lado de uma classe média ainda não recomposta da crise de 2008.

 

 

No início deste ano, e em particular no mês de março, o país e o Mundo começam a sentir em grande escala os impactos de uma crise sanitária sem precedentes na história contemporânea. Como podemos olhar para este momento histórico tão peculiar?

Este é um momento excecionalmente difícil, que coloca um desafio à humanidade que, nem nos nosso piores pesadelos, esperávamos viver. Esta crise epidemiológica tem repercussões no nosso dia a dia, muito semelhantes a um ambiente de guerra. Nós, europeus, que crescemos num espaço de paz, de fronteiras abertas e num mundo global, não conhecíamos um momento como este, sem ser através dos livros de história. Não obstante a seriedade e dimensão deste desafio, olho para o futuro com a confiança de que o espírito de solidariedade e cooperação que caracteriza o nosso povo nos permitirá, através da força do nosso coletivo, vencer este flagelo.

 

Até agora, que avaliação faz do trabalho das instituições, tanto do Governo como da Direção-Geral de Saúde, no âmbito das medidas que têm sido implementadas na gestão desta situação?

Diria que estamos a fazer um bom trabalho. O confinamento às nossas casas, apenas com deslocações imprescindíveis, tem sido a melhor forma de combater este surto, pois é essencial quebrar a cadeia de propagação do vírus. As circunstâncias são árduas, difíceis e exigentes, mudando todos os dias, por isso, o foco tem sido proteger as pessoas, ajustando a estratégia sempre com o valor vida como primeira prioridade. Temos ainda procurado salvar o máximo de empresas possíveis e os respetivos empregos, pois haverá um momento, debelado este monstro, em que vamos precisar de relançar a economia e isso só é possível com trabalhadores e empresas.

 

Um dos debates que mais têm ocorrido na opinião pública a propósito da gestão desta crise, tem sido o contraponto entre a implementação de medidas graduais e que vão sendo ajustadas em função da gravidade das situações, e a defesa de medidas mais severas e restritivas de controlo da pandemia desde o início. No seu entendimento, qual a melhor forma de gerir esta situação?

A forma como estamos a gerir é mesmo a melhor. As decisões tomadas na contenção deste vírus têm sempre como base o parecer técnico de cientistas e profissionais de saúde que têm décadas de experiência acumulada no combate a estes fenómenos. Tenho, pois, a plena convicção de que as medidas graduais são ajustadas, porque simplesmente não é possível parar um país de um momento para o outro. Não conseguimos, enquanto país, sobreviver sem a manutenção dos serviços essenciais a laborar: hospitais; comunicações eletrónicas; toda a cadeia alimentar; água; eletricidade; forças de segurança; serviços postais; bombeiros e toda as inúmeras atividades de apoio a estas. Até por comparação a outros países, Portugal parece estar na linha da frente dos que melhor têm sabido responder a este inimigo sem rosto.

O alarme e preocupação provocados por esta situação podem ser geradores de uma pressão da opinião pública para adotar medidas mais restritivas, mesmo que por vezes os especialistas e técnicos possam apontar em direções diferentes. Pergunto-lhe de que forma um governante deve, na sua opinião, agir perante esta situação conflitante, e se o Governo liderado por António Costa tem sabido manter este equilíbrio?

Um país não pode ser governado com base na pressão pública. Os verdadeiros líderes afirmam-se em momentos como este. Em momentos exigentes, que exigem que a tomada de decisão seja racional e suportada no parecer técnico daqueles que dedicaram toda uma vida a estudar este fenómeno. Não é tempo de entrar em concursos de popularidade, é tempo de salvar vidas, salvar os rendimentos das nossas famílias, salvar postos de trabalho e salvar as nossas empresas. Todas as medidas a tomar têm que ter sempre estes princípios bem presentes e não a sua maior ou menor popularidade. O Governo tem sabido salvaguardar superiormente todos estes princípios e o Primeiro Ministro, António Costa, tem-se revelado um grande líder, até a nível europeu, uma vez que muito do nosso futuro será decidido também aí, na União Europeia.

Outro dos debates, ainda mais recentes, foi entre a defesa da continuidade de medidas de forte contenção do contacto social, e a necessidade de olhar para a economia com preocupação, e a consciência de que a perpetuação do atual estado de coisas pode agravar ainda mais uma situação que sabemos que será difícil. Que análise faz da forma como o Governo tem gerido esta situação?

Como disse, acho que tem havido um excelente equilíbrio entre as medidas de contenção social e a necessidade de preservar o máximo possível da nossa economia.

 

As instituições governamentais e não-governamentais têm estado debaixo de forte escrutínio, e o lançamento de suspeições sobre as informações que vão sendo veiculadas pelos organismos oficiais vai existindo. De que forma interpreta estes casos, tendo em conta a avaliação do trabalho feito pelas entidades oficiais?

As informações que tem sido prestada estão corretas e são verdadeiras. Não há interesse nenhum do Governo, Presidente da República ou da DGS em avançar com informação que não seja o mais fidedigna possível. Depois há muita desinformação a circular nas redes sociais criadas única e exclusivamente para lançar a confusão e o pânico e cabe a cada um de nós combate-la.

O tema da saúde pública foi muito debatido na campanha para as últimas legislativas, com críticas à alegada falta de mais investimento no setor. Até que ponto as fragilidades do Serviço Nacional de Saúde poderão condicionar a capacidade de combate a esta pandemia?

Não vejo fragilidade no SNS, ele é um dos melhores do mundo. No entanto, acho que não há nenhum país que tivesse preparado para enfrentar uma pandemia desta dimensão.

Em recente entrevista à TVI, o primeiro-ministro assegurou que não falta material nos hospitais, e não é previsível que venha a faltar. Passado pouco tempo, as ordens de médicos, enfermeiros e farmacêuticos contestaram tais declarações. Até que ponto os portugueses podem confiar nas palavras de António Costa neste plano em particular?

Temos que confiar nas palavras do Primeiro Ministro e da DGS, não haverá falta de equipamentos, desde que sejam canalizados para quem realmente precisa deles, em particular os profissionais de saúde que estão na primeira linha do combate a esta pandemia, e o facto é que têm chegado ao nosso país várias toneladas de equipamentos de proteção individual.

Preservar o emprego, apoiar as empresas e ajudar as famílias nesta fase difícil são alguns dos grandes objetivos das medidas de apoio que o Governo anunciou, para minorar os efeitos da crise económica que se seguirá. No seu entendimento, e olhando para a vertente económica de toda esta situação, como avalia a estratégia do Governo, plasmada num recente decreto-lei aprovado pelo Conselho de Ministros para apoiar a economia?

Como já mencionei anteriormente a estratégia que está a ser adotada está correta, as medidas a prazo irão surtir efeitos positivos na preservação do emprego e das empresas. Agora todos nós temos a consciência de esta crise será muito difícil de conter e que irá originar muitos efeitos nefastos, dos quais demoraremos alguns anos a recuperar.

Quais as medidas governativas que elenca como mais importantes, no âmbito do conjunto apresentado para proteger o país da crise económica que se pode adivinhar?

Layoff, prorrogação do subsídio de desemprego, protelar o pagamento das prestações do crédito à habitação das famílias e dos créditos das empresas, acrescidas das linhas de crédito criadas especificamente para as empresas.

Além das medidas já apresentadas, que outras sugestões poderiam, na sua opinião, ser seguidas para reforçar essa parte do combate?

As medidas têm que ser apresentadas em função do evoluir da situação, acho que estamos a atacar todas as dimensões do problema e estou certo que com o decorrer do tempo mais medidas serão implementadas. Por isso, a nível nacional acho que estamos a trabalhar bem, façamos o mesmo a nível local (municipal) e europeu.

A um nível mais local, a Câmara Municipal de Penafiel apresentou o seu plano municipal “Juntos Vamos Vencer”, com o intuito de apoiar famílias e empresas, e preparar o relançamento económico pós-covid19. Quais os pontos fortes e as maiores fragilidades deste plano?

O ponto forte desta medida será o sinal que passa à população de que a Câmara Municipal está atenta e disposta a auxiliar o nosso povo neste momento de necessidade. A parte menos positiva é o limite de €200 “per capita”, para que as famílias de penafidelenses possam aceder à maioria das medidas previstas nesse pacote. Acho, portanto, que este pacote terá que ser encarado como um primeiro passo, para uma nova proposta que contenha medidas mais robustas e capazes de chegar à maioria dos penafidelenses, uma vez que os efeitos devastadores deste vírus se fazem sentir na quase totalidade da nossa população e não na pequena franja dos nossos concidadãos que apresentam rendimentos dentro do limite dos €200 per capita.

 

Se pudesse elencar medidas particularmente positivas nesse plano estratégico, quais as que destacaria?

A possibilidade do pagamento faseado das faturas da água e da luz e também o apoio na aquisição de medicamentos por parte das famílias mais necessitadas.

 

Se pudesse enumerar medidas que, na sua opinião, faltam no plano, o que sugeriria?

Falta claramente subir o limiar de €200 per capita para aceder às medidas mais robustas do plano, para um rendimento que seja condizente com a média de rendimentos per capita das nossas famílias. Creio também que deveria ser ponderada a introdução de uma moratória na renda devida pelos concessionários de infraestruturas municipais, que neste momento se encontram impedidos de exercer a sua atividade: é essencial para ajudar a manter a sua viabilidade.

Que impacto teme que esta situação poderá trazer no nosso concelho, a vários níveis?

Desde logo, o impacto na saúde dos nossos concidadãos. São conhecidos os números referentes à incidência de doenças respiratórias no nosso concelho, o que faz com que o nosso povo seja uma população de risco face a este fenómeno epidemiológico. A outro nível, preocupa-me também os impactos económicos que esta “paragem forçada” possa ter nas nossas empresas e, por isso, nos postos de trabalho que são essenciais à manutenção dos rendimentos das nossas famílias. Como comecei por dizer, vivemos tempos verdadeiramente difíceis e vão exigir o que de melhor tem o nosso povo: solidariedade, cooperação e resiliência.

Enquanto líder do maior partido da oposição em Penafiel, que posicionamento se poderá esperar de si e dos socialistas penafidelenses no âmbito do papel que quererão desempenhar na resolução desta situação?

Volto a dizer, a resposta a este problema está na união do nosso povo, todos temos um papel a desempenhar. A uns competirá ficar em casa, interrompendo a cadeia de transmissão do vírus. Outros, por exercerem tarefas essenciais ao regular funcionamento do país, terão que continuar a laborar, sacrificando-se por todos nós. A quem exerce responsabilidade políticas, face a um desafio desta dimensão, compete ter a capacidade de trabalhar em conjunto com todas as outras forças partidárias na construção de soluções que permitam mitigar ao máximo os estragos causados à nossa população por este flagelo. O PS será uma força de colaboração e está à inteira disposição daqueles que foram eleitos para liderar o nosso concelho, para os auxiliar em tudo o que se mostre necessário na resposta a esta crise: podem contar com o PS.

Uma crise destas proporções exigirá uma forte coordenação e apoio entre os estados-membros da União Europeia, no sentido de ajudar a uma rápida e consistente ultrapassagem desta situação, que proteja os países em maior fragilidade da especulação dos mercados financeiros e das taxas de juro elevadas. De que forma a União Europeia deverá responder a esta situação, sendo certo de que tal atitude é praticamente fundamental não só para a retoma económica pretendida, como para a sobrevivência do projeto europeu? 

O nosso Primeiro Ministro foi muito acertado nas palavras que nos dirigiu sobre o projeto europeu. É chegada a hora de a União Europeia estar à altura dos valores da solidariedade e fraternidade que presidiram à sua fundação. Está na hora dos Estados-Membros olharem para os problemas dos Estados vizinhos como se dos seus se tratassem e preparar uma resposta coesa, unida, a uma só voz a esta pandemia. É altura de união e de reforço do projeto europeu. Tudo o que não passe por aqui, significará a desagregação do projeto europeu.