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NUNO BROCHADO: “A MINHA GERAÇÃO VAI TER QUE SE FAZER À LUTA CONTRA A CRISE”

A entrevista com um jovem penafidelense, neste caso o Nuno Brochado, partiu da vontade de o Penafiel Magazine querer conhecer a forma como os mais novos vivem momentos que nem as gerações que os antecederam, chegaram a viver.

Quando saímos da campânula de estereótipos acusatórios da falta de interesse que os mais jovens alegadamente têm face aos problemas que os rodeiam, vamos deparar-nos, na verdade, com uma geração que já nasceu livre, e está disposta a manter-se livre e inserida num contexto global, amplo, onde a cidadania nacional coabite com o sentimento de pertença a um espaço maior do que o território nacional.

No meio de uma entrevista enormemente enriquecedora, Nuno Brochado falou-nos de como está a viver a pandemia, e de que forma esta tem afetado as suas rotinas. Falou também de política, educação, história ou economia, e daquilo que poderá vir a ser o futuro que espera tantos jovens como ele. No meio de tudo isto, uma garantia – a de que nunca virará a cara à luta contra as adversidades que apareçam.

Podem seguir as reflexões do Nuno numa rubrica da sua autoria, intitulada “Do juridiquês para português”, disponível no endereço https://www.instagram.com/nbrochado/channel/, cujo sucesso tem sido enorme, e a todos os jovens que queiram partilhar as suas reflexões com a comunidade, fica o convite do Penafiel Magazine para mais entrevistas com uma geração que também deve ter a sua voz, no futuro de todos.

 

 

Apesar de ainda jovem, fazes parte de uma geração que já viveu uma grande crise económica em 2008, e que poderá viver uma outra crise, que já começou com os efeitos da pandemia. Como é que, para um jovem, é viver um período, por estes dias, tão único das nossas existências, e inimaginável há tão pouco tempo?

Acho que é importante imaginar como a minha geração, agora com 20/21/22/23, viveu a crise de 2008. Certamente tomamos consciência dela, porque estaríamos minimamente atentos às notícias, mas, muito provavelmente, porque se repercutiu na nossa forma de vida, por via dos nossos pais e familiares. Crescemos com perspetivas sobre limitações, com as expressões “apertar o cinto”, “austeridade”, e outras, sem termos sequer o consolo de uma memória vivida sobre períodos de grande prosperidade. Finalmente, alguns anos mais tarde, em 2014/2015, teríamos os nossos 15/16/17, fomo-nos apercebendo de um sentido de inversão do período que havíamos experimentado. Sonhávamos com dias melhores para os nossos pais, e que certamente se refletiriam em dias melhores para nós, contudo longe de ser a nossa vez de enfrentar o touro “crise”. O mercado de trabalho continuava a ser uma perspetiva longínqua. Ainda não nos competia a nós pagar as contas ou encontrar as soluções adequadas para os problemas.

Acontece, a meu ver, que esta crise se vai notabilizar por uma experiência diferente da nossa parte. Esta, a minha geração, encontra-se presente no mercado de trabalho ou completar a sua formação no ensino superior. Estamos a uma distância sobranceiramente mais crítica de ser a nossa vez de, conforme o disse anteriormente, enfrentar o touro. Falhar nessa missão é adiar as nossas perspetivas de emancipação. Perdemos a luminosidade de dias de progressivo crescimento, experimentados nos últimos cinco anos, e estamos agora a ser martelados com a certeza que, depois desta pandemia, a realidade que nos espera é diferente. E, pelo menos durante algum tempo, mais dura.

Esta crise marcará a minha geração de uma forma diferente da anterior porque já não a vamos ver entrar nas nossas vidas pelos planos frustrados de terceiros. Nós seremos os desiludidos. Mas também seremos nós quem terá as armas para se fazer à luta. E para qualquer sabedor de história: depois da tempestade vem sempre a bonança, leia-se, um conjunto imenso de oportunidades e o surgimento de novos setores e formas de singrar na vida. Quem sabe não se abre, depois desta dramática crise económica e social, todo um vasto mundo que poderemos nós, a geração mais informada, mais tecnológica e mais escolarizada de sempre, dominar.

Não queria deixar de lado o seguinte reparo… uma pergunta para a qual não tenho ainda uma resposta, mas sobre a qual vou pensando de tempo a tempos. Basta olharmos para a segunda metade do século XX para invocar o período dos 30 gloriosos anos de crescimento mundial (1945-1975). Será ainda interessante ressuscitar os períodos pós-integração de Portugal na CEE e que nos renderam vastos fundos de coesão que impulsionaram o país.

Um vasto conjunto de empresas, negócios e grandes empreendedores que conhecemos em Portugal surgiram dessas alturas. Grandes marcas mundiais foram perpetuadas nesse período. Não é crível que elas durem para sempre. Nem os Impérios duraram. Mas acontece que a minha geração, nestes 20 anos, ainda não foi agraciada com um golpe desses nas circunstâncias e que possa fazer florescer a próxima grande “dinastia”. Estou curioso para perceber quando será isso… e também para entender como vamos reagir perante a dita. Será que estas grilhetas que psicologicamente nos marcam (as sucessivas crises) nos vão tornar mais ou menos expeditos? Mais ou menos empreendedores? Somos cada vez mais escolarizados. Ou seja, somos cada vez mais instruídos e temos um vasto conhecimento técnico. Sabemos muito sobre o que já existe. Mas essa “caixa” não nos pode forçar a viver dentro dela? Menos livres para, por exemplo, criar uma empresa em vez de tentar progredir na hierarquia de uma sociedade já estabelecida, usando o currículo como chave de entrada?

 

Desde que se começaram a sentir os efeitos da pandemia, o que mudou na tua vida, e naquelas que foram as tuas rotinas diárias?

A minha rotina mudou radicalmente. Infelizmente, para pior. A minha realidade versa dois modos de estar que se complementam, mas que são muitíssimo opostos. Um sem o outro afeta-me. Não o nego. Quais são essas vertentes? Um lado incrivelmente social, que anseia por momentos de convívio, que aprecia os espaços públicos com imensa vida. Não abdico do(s) meu(s) café(s) e confesso-me do tipo de aluno que gosta de estudar num lugar barulhento. Tenho interesses variados, entre eles a gastronomia, e por isso sou um apreciador nato de um bom restaurante. Em suma, aquilo que se definiria como um «bom-vivant». Por outro lado, estar sozinho, principalmente à noite, ou até nos próprios cafés/esplanadas, também me é essencial. É o meu momento de estar comigo. Onde analiso aquilo que adquiri em sociedade. Onde estudo, leio, aprendo, penso e duvido. Sou particularmente aficionado pela minha biblioteca e é nela que me refugio nessas alturas, no silêncio das madrugadas. Ora bem, de repente, tudo isso mudou. A primeira vertente está em suspenso e mesmo a segundo sofreu retaliações. As primeiras semanas custaram menos a passar do que as seguintes. E, provavelmente, não é inspirador para o leitor, mas a verdade é que começo a acusar uma gigantesca saturação. Admito-me um privilegiado pelas condições das quatro paredes que me rodeiam, mas não deixam de ser quatro paredes de uma “prisão”. Procuro contrariar isso com algumas caminhadas à noite, pequenos passeios de carro (sou um aficionado automóvel, também) e com muitas chamadas para amigos.

Isto tudo afetou a minha produtividade bruta, em termos académicos; todavia, também me obrigou a puxar pelas minhas “Little Grey Cells” e a diversificar os meus dias: leio muito mais jornais, estudo muito mais diplomas legais (e criei um IGTV intitulado “De juridiquês para português”, que aconselho, naturalmente, a seguirem no meu Instagram: @nbrochado) sobre as circunstâncias atuais, dedico-me à culinária, coisa que já antes fazia, e até já cataloguei as estantes de livros todos, num Book Journal, inspirado em DaVinci.

 

Sendo tu um estudante universitário, que descrição e análise fazes à forma como o ensino superior procurou adaptar-se à ausência de aulas presenciais?

Antes de mais devo fazer uma declaração de interesses: sou aluno da Universidade Católica, e pertenço ao programa da Dupla Licenciatura, ou seja, estou neste momento a frequentar duas licenciaturas ao mesmo tempo – Direito e Gestão. Isto significa duas coisas: por um lado sei que estou a lidar com um meio privilegiado, onde as dificuldades económicas, para acesso a um computador, por exemplo, foram renegadas para segundo plano, por não serem tão prementes, permitindo assim uma mais rápida e ágil configuração do modelo de ensino à distância. Por outro lado, as duas licenciaturas, em duas faculdades, têm forma de operacionalização muito diferentes, porque os próprios métodos e mecanismos de ensino são diferentes, em virtude dos conteúdos nela tratados.

Dito isto, qual é o feedback que tenho a transmitir? É exequível. Faz-se. Utilizamos uma plataforma americana chamada “Blackboard” onde estamos em conferência com os professores. Uma turma inteira. Normalmente, os alunos com câmaras e microfones desligados para que não se sobrecarregou a rede e eles, os professores, tanto se mostram a si próprios (a minha versão favorita, mais humana, menos robotizada) ou a slides que montam para servirem de acompanhamento às matérias. The show must go on. E é isso que tem acontecido. Mas com um preço. Não sei quantificá-lo, porém, estou certo de que ele existe. Quero com isto dizer que, na universidade, nós não esperamos que nos transmitam conhecimento normativo. Até porque isso seria impossível servir de alicerces a uma boa formação. É suposto que os professores sirvam de guia e nos ajudem a trilhar autoestradas mentais a partir das quais nós desbravamos caminho. Principalmente em Direito. Sinto muito que essa é a verdadeira fundação do curso. As metodologias de ensino à distância têm vindo a suprimir uma parte dos momentos de brain storming que definiam as situações de maior produtividade da aula. A inibição generalizada, a falta de perceção sobre qual o momento certo para intervir, tem vindo a constituir entraves a esses momentos.

Outra nota digna: a capacidade de concentração e produtividade de alunos e professores são muito diferentes. Uma tarde de aulas em frente ao computador pode tornar-se incomportável e, por isso, alguns professores já foram reduzindo os períodos das suas aulas, aceitando essas perdas, ou proporcionando mais momentos de pausa.

Esta realidade permitirá, durante a tempestade, navegar à vista e aportar o barco (leia-se, terminar o ano) mas terá efeitos no futuro, mais ou menos esbatíveis… estou curioso para perceber quais serão. E como serão consideradas as avaliações? “O normal” parece-me uma resposta injusta em termos tão anormais.

 

Na opinião pública, começa a lançar-se o debate em torno das desigualdades que o ensino à distância agrava, em virtude de, por um lado, poder haver estudantes mais carenciados sem computador e/ou acesso à internet e, por outro, estarem fechados os locais que poderiam disponibilizar esse acesso, como o caso das bibliotecas municipais. Até que ponto sentes, entre os casos de alunos que conheças, o peso de uma situação deste género, e o que terá o sistema de fazer para minorar desigualdades aos quais todos poderão estar sujeitos?

Esse debate faz todo o sentido. A Escola é o grande meio democrático de concretização da equidade. Assim, não faz sentido que num período como este se abandone uma porção de alunos por razões económicas relativamente ao seu ponto de partida.

Este parágrafo não traz nada de novo mas serve de suma à concretização de um panorama geral: inúmeras famílias não terão acesso a um computador/internet em casa, impedindo as aulas por videoconferência. Por outro lado, a existir, é também uma dificuldade quando esses computadores são alvo de uma disputa (por necessidade) entre, por exemplo, dois filhos alunos e um pai em teletrabalho.

A Escola tem vindo a demonstrar, dentro das suas capacidades e em colaboração com a sociedade civil, um amplo esforço para suprir estas dificuldades. Enquanto que numa sala de aula todos estão em plano de igualdade face à mensagem que recebem do professor, uma vez chegados a casa, a existência de um espaço próprio para trabalho, de um ambiente de concentração e de um background de apoio da própria família, influencia as aprendizagens. Há, por isso, aqui uma necessidade de nivelarmos o tabuleiro, novamente, com recurso ao engenho e à criatividade. Como se pode fazer isso? Tenho uma sugestão: olhemos para os objetivos e tentemos alcançar os mesmos, independentemente de os meios variarem de estudante para estudante.

Há duas grandes distinções que faço: ensino básico e ensino secundário. Não vou discutir aquilo que deveria ser a Escola e o seu modelo de avaliação mas antes o que é, à data. O ensino básico reveste-se de uma função fundadora, em termos de alicerces, ou seja, procura ensinar-nos a pensar, a ler (mais do que no sentido literal), a interpretar e compreender. Começamos a estabelecer ligações. O ensino secundário, muito voltado para o modelo de exames que aguarda os alunos no final do seu percurso escolar, está mais voltado para a aquisição de conceitos normativos chave, ou seja, fazer uso das ferramentas do pensar adquiridas na fase anterior, servindo de argamassa para os tijolos do edifício. Se o objetivo é esse fica aqui uma breve sugestão exemplificativa:

Para um aluno do básico que não tenha computador, empiricamente, não é difícil conceber que viva numa zona onde, fruto do desfavorecimento, se verifica um espirito de comunidade maior. Nessas comunidades há sempre gente pronta a ajudar e, em muitos casos, falamos mesmo de uma população mais envelhecida, como é uma boa parte do nosso tecido demográfico. Para minorar os impactos do desfavorecimento no acesso à tecnologia, um professor de História, a lecionar o Estado Novo, em vez de criar as ferramentas de pensamento no seu aluno por via de aulas diárias ou fichas online (eficazes para os mais favorecidos), este poderá desafiar o seu pupilo a fazer o seguinte: via telefone, conversas da varanda ou pequenos bilhetes deixados na porta dos vizinhos, entrevistar os mais velhos sobre as memórias que tem em relação a essa altura. Esse professor, via SMS (aparelho muito mais democrático), pode guiar o pequeno na construção do inquérito e na interpretação dos resultados. Claro que é muito mais desafiante. Mas, provavelmente, durante aquele trabalho de duas semanas, o professor vai encontrar uma ponte com o aluno, vai desafiá-lo a pensar, vai ajudá-lo a estimular o raciocínio e vai conseguir que este fique com este seja bem-sucedido nos objetivos da Escola. São períodos excecionais que exigem muita flexibilidade. Que não podem ser desperdiçados, mas que exigem uma enorme capacidade de adaptação. Não há respostas certas, sequer.

Para os alunos de secundário, a realidade é outra. Eventualmente, podermos ter que apostar em programas a mais longo prazo, para garantir a apreensão dos conteúdos, como a diminuição da massa critica dos programas nos anos subsequentes ou a criação de tempos letivo dedicados à recuperação de algum trabalho que se possa perder; mas sem nunca deixar de estimular os estudantes durante estes meses contando, porém, com uma maior autonomia dos mesmos. Não há soluções ideais. E, certamente, nem todas terão que ser postas em prática de forma simultânea.

 

Que impacto este acesso mais generalizado, por força das circunstâncias, ao ensino à distância, poderá ter na conceção das atividades letivas e na organização de todo o sistema de ensino como um todo?

Recorrendo um bocadinho a respostas dadas em perguntas anteriores, não defendo, de forma alguma, que estes mecanismos de ensino à distância, mesmo que generalizados, possam ser considerados uma forma de substituição. Porém, acho relevante notar duas coisas: em pleno século XXI, o nosso modelo de analfabetismo é a infoexclusão, aqueles que não são capazes de funcionar com mecanismos básicos de informática. Além do problema que se põe por falta de acesso a um computador, é importante que um jovem saiba manuseá-lo em múltiplas vertentes, para lá do navegar na internet. Acho que as Escolas vão ganhar consciência disso. Quem sabe não teremos finalmente uma progressiva transição dos apoios à compra de manuais escolares para a compra de tablets ou computadores, que passarão a ser o verdadeiro portfólio dos alunos, numa perspetiva de durabilidade muito maior. Manuais digitais, novos recursos interativos, fichas de trabalho: um avanço nas escolas, capaz de impulsionar o ensino por via de novas ferramentas e, ao mesmo tempo, contribuir para a sustentabilidade do planeta. Nem as editoras sairiam a perder por meio do licenciamento de conteúdos em contratos diretos com o estado (leia-se, todos os alunos) e, naturalmente, com os particulares que procurem expandir os recursos disponíveis.

 

No âmbito da tua experiência de confinamento, quais os aspetos que mais positivos retiras deste tempo de maior isolamento social, pelo menos físico, e quais as grandes dificuldades e exigências a que já foste sujeito?

O aspeto positivo, o único, é mesmo o tempo. Queixamo-nos da falta dele e agora parece que sobra. Tive oportunidade de fazer mais coisas e dedicar-me a outros projetos. Sinto, contudo, que o tempo é maior em termos absolutos, mas não em termos relativos. A minha produtividade diminuiu. Isso e abdicar do outro meu lado de que falei são as duas maiores dificuldades com que lido.

 

Qual o papel que a tua família tem desempenhado na manutenção de um ambiente doméstico agradável e positivo, mesmo numa situação tão complexa e difícil?

Em termos gerais, o meu pai continua a trabalhar, fora de casa, e por isso para ele ainda se mantém uma certa normalidade. A minha mãe está em teletrabalho, com a escola, e o meu irmão é estudante. É essencial que cada um consiga ter o seu espaço de produtividade. Tem sido essa nossa grande preocupação.

 

Falando da tua experiência, em que medida este período de confinamento “familiar” se traduziu em alterações nas características das relações entre vocês?

Eu sou uma pessoa muito temperamental. E admito que o confinamento às vezes me torna mais irritável. É muito importante que todos mantenhamos a calma e que procuremos ao máximo fazer algumas coisas juntos mas também dar espaço a que cada um se reserva para si.

 

Se porventura já falaste com colegas e amigos sobre toda esta situação, que relatos mais interessantes ouviste da parte deles, relativamente à forma como têm vivido estes tempos?

Mantenho contacto com vários amigos. Todos eles têm formas muito particulares de lidar com esta situação, provando mais uma vez a versatilidade do ser humano. Há aqueles que encaram este período como um verdadeiro inferno. Outros apostaram tudo na manutenção das rotinas na maior extensão possível e, ainda tenho uma amiga minha que, 20 anos depois, descobriu que gosta de correr no jardim de casa dela. Todos encaram a vida académica com muitas reservas. Compreendemos que seja difícil tomar decisões nesta altura. Mas para nós, alunos, a falta de uma linha condutora fixa aumenta exponencialmente (como a curva) o nosso stress e pode levar-nos a perder o foco. Tentamos ser as âncoras uns dos outros… já dei por mim a estudar em grupo, via FaceTime.

 

Falando agora numa perspetiva mais geral, que avaliação fazes da forma como Portugal tem gerido esta crise sanitária, seja do ponto de vista governativo e institucional, seja do ponto de vista do comportamento dos cidadãos quanto ao esforço que lhes é pedido?

Há uma vertente sanitária e epidemiológica em função da qual eu não me atrevo a pronunciar. Não é de todo a minha área de conhecimento. Mas, por outro lado, tomo nota de algumas referências: verifica-se um comportamento cívico dos portugueses que é digno de nota e muito exemplar. O meu argumento quanto à “desnecessidade” de declarar o estado de emergência tão cedo prendeu-se muito com isso, saber que, por livre iniciativa, a maior parte do país já acatava conselhos antes de serem ordens. Do ponto de vista do Governo e das Instituições, mais uma vez, devo fazer uma declaração de interesses: sou fiel às estruturas democráticas, não embarco em criticas antissistema e sou solidário com o processo que tem vindo a desenvolver. Ainda para mais tenho a certeza de duas coisas: eu não tenho os dados todos para os poder julgar errados e, ate mesmo eles, lutam contra uma escassez de dados que lhes poderia servir de respaldo a melhores decisões. Desta feita, numa luta constante entre a economia e a saúde, sabendo que as duas vertentes representam Vidas, acredito profundamente no trabalho que tem vindo a ser desenvolvido e, à data que fazemos esta entrevista, Portugal tem dado mostras de, numa relação de proporcionalidade face aos seus recursos e dimensão, estar a conseguir combater com grande sucesso o problema. Sem atropelos democráticos.

 

Para um jovem que se interessa por assuntos políticos como tu, de que forma avalias a prestação da nossa classe política neste período?

A cada setor cabe um chapéu. Ao governo, na sequência do que disse anteriormente, deixo uma nota muito positiva. Ao Presidente da República, depois de uma primeira fase onde esteve fora de cena (fruto do auto-isolamento), sinto que o mesmo retomou a sua normal cadência, com uma particularidade. Ainda que pertençam a fações políticas diferentes, Presidente e Governo estão neste momento a trabalhar com um só corpo e duas cabeças. Há uma coordenação brutal que transmite segurança, que nos faz esquecer determinadas divergências, e que assegura uma sensação de continuidade. O PR ocupa uma figura muito importante de comunicação em termos de gestão desta crise. Isso só pode ser visto com bons olhos, principalmente durante a vigência do Estado de Emergência.

Rui Rio está a ser Rui Rio. E distingo-o um pouco do PSD, porque se outro fosse o líder acredito que o discurso era outro. O mesmo está a reforçar a sua tese de “Portugal primeiro”, apoiando o Governo na toma das medidas essenciais. Quando a coisa azedar, no pós-pandemia, não vai dar a cara por medidas desagradáveis ao eleitorado, mas agora está a fazer o seu papel de suporte. De não atrapalhar, não criar demasiadas divergências. Não concordei com a postura que tomaram em relação à questão das prisões e outras, quando remeteram para um voto contra todas as propostas recentemente apresentadas na Assembleia da República. Cento e tal é um exagero. Mas ignorar por completo todas as matérias, até aquelas que tinham origem no Governo, está errado. Até porque na sequência da sua máxima, o Governo governa, então não faria sentido servir de bloqueio a propostas vindas do mesmo. Está, todavia, a trilhar um bom caminho para suceder a António Costa. Já é tradição o PSD surgir em momentos de dificuldade para substituir o PS no governo. Os restantes partidos têm tido uma postura mais discreta. André Ventura sabe das presidenciais em breve e por isso continua a tentar fazer barulho. A propósito, começo a achar cada vez mais improvável um candidato do PS a disputar as eleições com Marcelo.

 

Depois da pandemia, haverá um futuro, que se perspetiva difícil num futuro próximo. Tendo todos a noção de que o impacto económico desta situação será grande pela negativa, que possíveis problemas te deixam mais apreensivo e que possam surgir, e quais as medidas que considerarias mais importantes e urgentes, no sentido de os minorar?

Acho que o pós-pandemia vai demorar a chegar. Precisamos de vacinar uma grande parte da população e isso vai demorar. As grandes questões do médio prazo são três, a meu ver: garantir o funcionamento do máximo de setores possíveis da sociedade, em segurança; proporcionar o recomeçar da máquina económica (as empresar tem que produzir e os consumidores adquirir) e para isso o dinheiro tem que circular de uns para os outros, por via do emprego. Se as pessoas mantiverem o emprego então é meio caminho andado para concretizar esse objetivo, evitar os problemas sociais e não sobrecarregar o Estado. Por isso é preferível investir agora do que mais adiante, por meio dos subsídios de desemprego. Um último problema: a nossa economia, e a do mundo, vive numa escala de total interdependência entre si, ou seja, nenhum país é autossuficiente. Isso significa que não é possível imaginar que a economia de Portugal ganhe ânimo sem que a de Espanha, Alemanha, América do Sul, etc. ganhem também (45% do PIB português é referente a atividades de exportação). Mais um motivo para se falar de uma resposta europeia…

 

Ao olhar para as negociações à escala europeia sobre pacotes significativos de apoio à economia, famílias e empresas, e a algumas polémicas que surgem entre países com posições divergentes sobre esta matéria, que considerações fazes sobre a capacidade que a União Europeia possa ter de agir como um bloco coeso, na luta contra a recessão económica que se seguirá à covid19?

À data, e sabendo quais as conceções mentais que ocupam a Casa Branca, nenhuma outra organização política tem a capacidade para lidar com este assunto senão a UE. Talvez a China mas há custos não financeiros aos quais não devemos ceder. Assim sendo, sou dos que defende uma espécie de Plano Marshall, nomeadamente por via de um Novo Pacto Verde, aproveitando esta oportunidade para evoluir no sentido de uma economia mais ecológica e, além disso, menos dependente da China em termos de produção industrial. Ou seja, uma luta que teria de ser da Europa toda, solidária, mas também com visão de futuro e que poderia ajudar a construir um verdadeiro palco de desenvolvimento.

Acho que daqui já se entende como acredito que é vital a intervenção europeia. Face aos últimos acontecimentos, percebemos que o processo está longe de ter esta dimensão, mas estava mais longe há uma semana. O que quer isto dizer? A Europa, ao contrário dos EUA, não possui um sistema de pirâmide que permita ao Conselho Europeu, à Comissão ou ao Eurogrupo determinar com meros acordos políticos uma solução gigante e comum que faça todos ficarem bem na fotografia. Não deixam de se tratar de nações independentes que, em primeira linha, terão os seus políticos a querer responder diretamente aos interesses e preocupações dos seus eleitores. E bem, é a democracia. Como tudo se faz por unanimidade, ainda mais complicado fica. Nesta medida eu acredito que as decisões tomadas pela última reunião do Eurogrupo são um primeiro passo. E dar um passo em frente é melhor do que nenhum. Espero ansiosamente por novas soluções.

Gostaria mesmo de partilhar uma ideia simples que retoma a importância da Europa, para lá do puro princípio: o mercado europeu é, para os chamados “países ricos” o verdadeiro ponto deste projeto, alegam muitos. Se assim é, espero que entendam o quão fragilizado sai esse mercado em virtude da crise que se avizinha. Se não vierem a concretizar apoios sob a égide da solidariedade, então que se justifique pelas necessidades económicos. Pela noção de que um mercado mais capaz também beneficia essas potências.

Não me pronuncio sobre cenários hipotéticos daquilo que pode vir a acontecer num caso ou noutro. São demasiado especulativos e não me sinto em condições de adivinhar o futuro dessa forma.

 

Com ou sem pacotes de apoio, muitas pessoas estão já a sentir perdas de rendimentos e postos de trabalho, numa situação que ainda agora começou, e que está a atingir sobretudo os trabalhadores mais precários em termos contratuais. Fazendo tu parte de uma geração que se habituou a ouvir frases feitas como a de “não há mais empregos para a vida no futuro”, ou a valorização e elogio de ideias conducentes a uma maior “flexibilização” do mercado de trabalho, assentes muitas vezes em perdas de estabilidade laboral, até que ponto um jovem como tu concorda com esta visão mais liberal do mercado ou, pelo contrário, acha que os efeitos desta crise sobre os trabalhadores mais precários justifica uma luta a travar pelo reforço dos direitos dos trabalhadores, e da estabilização das suas vidas profissionais?

Esta é uma excelente pergunta. E porquê? Porque eu não tenho uma resposta para ela. Em que sentido? Se pensarmos nos EUA, marcado por um mercado laboral muitíssimo mais flexível do que o nosso percebemos como é muito fácil um indivíduo perder o emprego num dia e conquistar outro emprego no dia seguinte. Culturalmente, e até porque o seu espirito de ligação à família e à terra é outro, é perfeitamente exequível que mudem de casa, cidade, estado em busca de um novo emprego. Tudo porque as suas vidas profissionais são isso mesmo, um dia está outro não.

Em Portugal, todavia, temos que pensar em duas coisas: nem essa é a realidade cultural que nos acompanha (sabemos a dificuldade que é para muitos emigrarem), nem temos uma economia que está construída de raiz para impulsionar microprojetos de durabilidade variável. Ou seja, não podemos querer aplicar a mesma receita.

Por principio, eu concordo com uma maior intervenção do Estado na proteção dos trabalhadores, sem pôr em causa a gerência da empresa, ou seja, não acho que haja os bons e os maus. Acho que os dois lados devem ser capazes de formar as suas vontades autonomamente e prosseguir com os seus interesses, regulados por um conjunto de normas que não permitam que ninguém calque os pés a ninguém. Ao mesmo tempo, não sei como reagiria o nosso tecido empresarial a uma legislação laboral como a americana… e alguém dizer que sabe é pura ilusão. É um exercício teórico. Aquilo que vivemos na primeira metade da década, além de representar um curto período de tempo, foi também um período negro na nossa economia. Não faz sentido estabelecer paralelos com o que os americanos vivem em tempos bons e em tempos maus. (Refiro-me a momentos de maior flexibilização entre 2012-2015.)

Se no fim do dia o preço for um crescimento mais lento mas mais sustentado, no sentido em que ninguém fica para trás e se cumprem com os direitos dos trabalhadores, então talvez eu prefira essa visão, reitero, por principio, para Portugal. Acho mais justa. Mais humana. E acho que é aquela que faz com que o Estado melhor cumpra o seu papel.

Não deixo, contudo, de notar que esta é a minha inclinação, não a minha resposta definitiva. É um tema sobre o qual tenha a humildade de sentir a necessidade de discutir muito para chegar a conclusões mais sedimentadas, seja para que lado for.

 

Uma crise traz problemas e tensões sociais significativas. Desemprego, pobreza, fome, privações materiais e falta de recursos para investir em serviços essenciais à população são algumas das consequências a enumerar, entre muitas outras, e que podem alimentar um discurso de maior ódio e ressentimento com o “sistema” e as instituições. Até que ponto consideras haver um risco de crescimento de tendências populistas na política, e o que julgas ter de se fazer para combater a proliferação desse discurso?

Acho que sim. Um risco enorme aliás. Quando alguma coisa corre mal na vida das pessoas, sendo situações como as enunciadas, estas ressentem-se do poder do Estado. Fruto da profunda desinformação e muitos sensacionalismos, uma posição acrítica face algumas ideias e um desinteresse enorme, os que se ressentem das crises e dos problemas tendem a culpar (com ou sem razão) quem estava no poder. Ainda hoje ouvi: “Os Governos servem para ser criticados”, faz parte do jogo democrático saudável. E essa crítica, em democracia, representa uma substituição nas urnas. Até aí tudo bem. O problema é que as características anunciadas anteriormente (que se resumem em preguiça mental e má comunicação social e política) norteiam os eleitores na procura da voz que berra mais alto contra os que estão no poder. E berrar mais alto não significa ter as melhores alternativas. Aqueles que apoiam os populistas, como também cá temos, procuram alguém que os governe como se faria o governo de um país diretamente de um café da vila. Ora bem, isso dá asneira. Porque tudo o que dá direito a respostas rápidas e fáceis, na maioria das vezes, nem sequer foi pensado convenientemente.

Mas reitero que este tipo de movimento singra porque o jornalismo, em muitas ocasiões, não cumpre com o seu papel de informar convenientemente e porque as pessoas estão de tal forma descontentes que atiram o seu voto para quem sentem que mais vai incomodar o “sistema”. Se o primeiro ponto fosse combatido, talvez os eleitores tivessem outras armas com as quais manobrar esses incómodos do sistema. Conseguiriam desmontar os seus argumentos e perceber que eles são ainda menos credíveis do que as forças com as quais estão revoltados.

 

Quando olhas para o Mundo na sua globalidade, que impacto achas que esta pandemia vai ter nas relações de forças entre as várias potências e blocos regionais espalhados pelo globo?

Acho que ainda é cedo para percebermos isso, mas temo um reforço do contexto que já vínhamos a notar: a China, ainda que caía brutalmente, será dos poucos países onde o PIB se vai fazer acompanhar de um sinal positivo. Desenvolveu manobras de propaganda face aos apoios que tem concedido a vários países que lutam com a pandemia e com isso procura consolidar se num lugar cimeiro, de referência, em vez de serem o parente rico de quem todos desconfiam. Os EUA estão a fechar-se em si mesmos… Trump não percebeu a importância da América no mundo e isso é um erro que põe em causa os princípios pelos quais se ganhou a 2ª Guerra Mundial. Veremos o que acontece à Europa. Dependerá muito das respostas que conseguir produzir em face do citado anteriormente.

 

Que principais modificações julgas que vão ser sentidas a nível político, económico e social, que serão deixadas por este período?

A nível económico acho que vamos ver reforçada a interferência da tecnologia no nosso dia a dia. Vão ser descobertas ferramentas do teletrabalho que, entretanto, se podem vir a perpetuar. E espero que se compreenda melhor a necessidade de a Europa e o Mundo não estarem dependentes de um só país produtor de vários itens essenciais. Mais ainda, sentir-se-á naturalmente o efeito de uma crise que ainda deixa muitas incógnitas, por ser totalmente nova. Como vai, afinal, ser a “curva”? Quão depressa vamos regressar à normalidade e qual a dimensão do impacto no elemento mais importante de todos: o desemprego.

A nível social não sou dos que acredita que sairemos daqui uma sociedade melhor ou mais coesa ou mais solidária. Momentos de crise suscitam sempre a união nacional, principalmente quando há um inimigo comum. Retomada a normalidade, na vida de cada uma, toma lugar um conjunto muito variado de prioridades que dificilmente se conjugarão em torno de uma manutenção da dita união. Mas, ao mesmo tempo, durante pelo menos algum tempo, acredito que se vá sentir um comportamento diferente, principalmente nas fachas etárias mais avançadas, em relação às multidões. A ideia de estarem em espaços confinados com muita gente, as viagens e o contacto muito próximo com os demais podem encontrar aqui uma espécie de sequelas psicológicas que servirão de entrave à vivência que antes experimentávamos. Por os relatos afiançarem que este é um vírus que propõe menos riscos diretos à nossa saúde, talvez os jovens se afastem dessa tendência. Naturalmente, essa alteração aos hábitos de consumo terá repercussões económicas que ainda estamos longe de imaginar.

Por fim, e a inversão da ordem foi propositada, a nível politico antevejo duas grandes possibilidades, muito dependentes da reação que se está a configurar à crise. Ou seja, países como o Brasil, ou os EUA, estão a entender o resultado de um político insano estar sentado à frente dos Governos. A ideia de que podemos arranjar um antissistema para nos salvar tem como grande problema o facto de ele não saber trabalhar com o dito sistema, nem mesmo quando dele as populações dependem para sobreviver, literalmente. Nesses países talvez haja uma nova ponderação das medidas que se colocam nas balanças dos eleitores e, desse ponto de vista, refletir-se numa mudança do trajeto político dos mesmos. Na minha opinião, até à data, a COVID-19 é o maior desafio da Administração Trump, por exemplo. E aquele em que o preço do fracasso é maior: a presidência, em novembro, mesmo com um opositor fraco.

Por outro lado, essa noção de que uma realidade balanceada pode ser uma dádiva talvez não assista aos países que, ainda que governados por moderados, acabem metidos numa sarjeta, com problemas de desemprego, fome, precariedade laboral e empresas a fecharem dia sim dia não. Nesses há terreno fértil para proliferarem as supracitadas soluções de café e de revolta contra os poderes instituídos (no bom sentido da definição). Quiçá, todavia, o sucesso na superação equilibrada desta crise seja, em todo o caso, uma ótima machadada para remeter a esse perigo democrático.

 

Numa perspetiva mais centrada no nosso concelho e comunidade de residência, o que sentes que pode mudar, quando o confinamento passar e a “normalidade” for progressivamente retomada?

Preocupa-me que Penafiel esteja pejado de pequenos negócios, que sustentam uma família ou duas, e que, como a grande maioria do tecido empresarial português, não tem capacidade para aguentar um esforço de tesouraria a longo prazo, ou uma quebra abrupta de rendimentos. Há imensos serviços, negócios e produções que existem no concelho desde antes de eu nascer, tem história. Superaram crises mas nunca tiveram que fechar portas por completo. Entrar pouco dinheiro na caixa é diferente de não entrar nenhum. Temo que a realidade para a qual vamos voltar seja bem diferente. E que essa nova realidade afete outras que conheço de perto e das quais não nos lembramos sempre. As escolas, por exemplo. Representação de sucesso numa das regiões mais desfavorecidas do país estas terão que reforçar o seu trabalho na comunidade por cada aluno cuja situação familiar se deteriorar em virtude desta crise.

 

Ainda és muito jovem, mas já viveste uma crise em 2008, e podes começar a viver uma segunda, em 2020. Como é que um jovem gere uma situação destas, e de que forma lidar com contextos sistematicamente exigentes tem impacto numa geração como a tua?

Acho que esta pergunta me faz ressuscitar muito do que disse na primeira. A primeira crise e esta, além de serem muito diferentes na sua origem, serão muito diferentes na forma como nós a experimentamos. Se é verdade que em 2008 a vivemos pelos olhos dos nossos pais, esta, se se prolongar por dois ou três anos, vai afetar os primeiros anos da minha geração no mercado de trabalho. Isto significa planos de emancipação, de carreira e de Vida que são adiados. Pensar constantemente nessa realidade, à data, é infrutífero. Porque podemos fazer pouco. E aquilo que não tem remédio remediado está. Nesta medida, salta-me à vista uma ideia: para os que forem alunos universitários há que construir o melhor currículo possível, em todas as vertentes, e aproveitar as oportunidades ao máximo. Pode parecer vago mas a explicação é simples: uma crise, mesmo que enorme, não significa que os lugares desapareçam todos. Significam que escasseiam. É uma corrida pelo pódio que se revela extremamente inglória. Para os que vencem, ótimo. Esses ganham a prisão de uma carreira segura. Para os que perdem, parabéns, com algum génio e engenho ganharam a liberdade de explorar o incerto e fazer dele o que vos aprouver.

 

Enquanto jovem, tens uma vida inteira pela frente, e seguramente objetivos para atingir. Com que perspetivas encaras o futuro, mesmo perante as exigências que se vão colocar diante das vidas de todos nós?

Com otimismo. Quase tão irritante como o do Primeiro-Ministro, segundo o Presidente da República. Talvez seja a ingenuidade própria da idade. Mas conheço o caminho que tenho vindo a traçar. Sei o quão longe estou disposto a ir para o continuar a desbravar. Ainda nem à luta fui a primeira vez, mal de mim se entrava no ringue com um espirito de derrotado.