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SALVADOR ROCHA: “O SONHO COMANDA A VIDA! ACREDITO MUITO EM MIM!”

Salvador Rocha é um treinador penafidelense altamente qualificado no mundo do futebol, cujo percurso daria seguramente um excelente livro.

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A treinar ininterruptamente desde a época de 1995/96, quando deu início à sua aventura como treinador do futebol nos juniores do Fátima, é num Rio de Moinhos em crescimento que procura alimentar um sonho à medida do seu Nível 3 de Treinador de Futebol, que o torna habilitado para chegar mais além do que a Divisão de Honra da AF Porto.

 

Numa grande entrevista que deu ao Penafiel Magazine, Salvador Rocha abordou todo o seu percurso como treinador, e reiterou que continua a acreditar muito nas suas capacidades, para que o sonho de chegar a um patamar ainda mais competitivo continue vivo, de época para época.

 

Mister, terminou antes de tempo uma época que, por força da pandemia, tornou-se completamente atípica para toda a sociedade. Ao acabar o campeonato, o Rio de Moinhos era 10º no campeonato, na temporada que marcou o seu regresso ao clube. Que balanço faz da prestação da equipa esta época?

Sem dúvida que foi um final muito atípico, pelo motivo que todos já sabemos, mas o momento que passamos neste momento não é para brincadeiras, por isso o que seria mais que o esperado era que terminasse o campeonato, porque a razão é de saúde pública por tudo que está a acontecer em todo o Mundo. Mas falando do balanço desportivo, o que posso dizer de uma época que acabou prematuramente, é que acreditava que nos sete jogos que nos restavam, e em que íamos estar nos jogos decisivos, pois íamos defrontar os primeiros classificados, com a nossa classificação estável, e todos os jogadores disponíveis nesta reta final, íamos fazer mais pontos que nos podiam dar uma classificação mais ajustada com o futebol que era praticado pela equipa.

 

A sua ligação ao Rio de Moinhos já vem de há vários anos e, para além desta temporada, já orientou o clube em épocas anteriores, em particular entre 2011/12 e 2013/14. Que significado tem para si este clube?

A minha relação com esta instituição neste momento é boa. Além da amizade existe sintonia desportiva, que já se verifica há uns anos. A minha primeira ida para o SC. Rio de Moinhos foi já numa parte adiantada da época 2011/12, época em que eu já era treinador adjunto do Rebordosa, na 3ª Divisão Nacional e treinava também os juvenis, do mesmo clube. Mas quando aceitei em ir para o Rio de Moinhos, muitos chamaram-me de louco, que ia pegar numa equipa que estava morta, mas entendi que era um grande desafio para mim treinar este clube. Quando cheguei, a equipa estava na 1ª Divisão da AF Porto, em último com nove pontos em 18 jogos. Entendi ser um grande desafio e uma prova às minhas capacidades como treinador, e a verdade é que acabámos por fazer mais 20 pontos em 12 jogos e ficámos a um da manutenção. Na época seguinte, acabaríamos, no entanto, por subir novamente, continuei no comando técnico, e alcancei a manutenção na 1ª Divisão Distrital, até o meu percurso me levar a outras paragens. Contudo, ficaram os alicerces desta sintonia que existe hoje tanto com o clube como com o presidente António Silva, que me motivou a vir para o clube. E hoje temos além de uma sintonia profissional, também uma amizade que nos faz entender bem, sobre o que é melhor para o clube.

 

Entre a sua primeira época como treinador do Rio de Moinhos e esta última, o clube mudou substancialmente, e hoje tem melhores condições ao nível das suas infraestruturas e um projeto desportivo mais consolidado. Que opinião tem sobre este desenvolvimento do clube, e em que medida todo este crescimento ajudará o Rio de Moinhos a crescer?

As diferenças são enormes, o clube agora está na Divisão de Honra, e os objetivos todas as épocas está a ser conseguido com tempo. A nível das infraestruturas, o presidente e sua direção têm feito um trabalho fantástico em prol do clube e da terra, e têm tudo para ambicionar a mais. Dificilmente vejo clubes nesta divisão com melhores condições que o Rio de Moinhos, e para não falar até em divisões superiores. Mas para ter bons projetos a nível desportivo, são precisos apoios importantes e ter os pés bem assentes no chão para não se cometerem loucuras.

 

Tendo em conta que se avizinha uma crise económica e financeira, o que terá o clube de fazer não apenas para superar as adversidades que irão aparecer, como também para lançar as bases para um sucesso desportivo futuro?

Pois, vão ser um pouco complicadas as fases que se avizinham, vão ser precisos muitos esforços por parte de todos. Mas penso que o clube tem feito uma boa gestão no decorrer das últimas épocas, e no futuro não irá fugir à regra. Há que ter rigor a nível financeiro, para não se cometerem loucuras que tenham repercussões negativas no futuro. E nesse ponto sei que o presidente é um bom gestor.

 

Enquanto treinador, também já comandou as equipas do Paço de Sousa e da Calçada de Oldrões, em ambos os casos na 2ª Divisão Distrital. Que memórias retém dessas épocas, e como analisa cada uma delas?

Tenho muitas boas memórias. Sou um treinador que, por norma, cria uma boa relação tanto com os jogadores como com as direções, e foco-me bastante no meu trabalho e dou tudo de mim. Assim tudo se torna mais fácil, e a relação vai crescendo.

Em relação às análises que faço dessas épocas, são muito positivas. Começando pelo Paço de Sousa, que nessa época se inscreveu na AF Porto, de salientar que não só treinava os seniores, assim como os juniores. Criámos ali uma família, não havia a pressão da descida, o objetivo era pôr as equipas a jogar bom futebol e conseguimos uma boa prestação. Só acrescentar que, tanto nos juniores como nos seniores, o plantel era muito curto, mais precisamente 14 jogadores, em que alguns juniores ainda vinham ajudar nos seniores. Uma coisa que me deixou extremamente feliz foi que todos os que começaram a época acabaram.

Na Calçada de Oldrões, também tive uma época muito positiva, numa temporada de estreia da equipa sénior na 2ª Distrital. Em relação ao futebol jogado, mesmo num campo com as dimensões que são e que todos conhecem, praticámos um bom futebol e fizemos 30 pontos. Para primeiro ano de filiação na associação, um campeonato difícil e tendo praticamente todos os jogadores formados no Calçada, foi um grande campeonato. Do qual guardo boas recordações, mesmo das dificuldades. Pois isso fez-nos crescer ainda mais.

 

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Apesar de penafidelense, o Salvador inicia o seu percurso como treinador na zona centro do país, desde a época de 1995/96, quando começou uma carreira de cinco temporadas no Fátima, até chegar à zona norte, ao serviço do Lamego, em 2003/04. Como foi este início de carreira?

Foi no CD Fátima, numa localidade onde vivi 10 anos, e a oportunidade surgiu do nada porque nem pensava em ser treinador, por isso foi um pouco inesperado. Quando me convidaram fui tirar o Nível 1 e, do nada, estive cinco épocas no CD Fátima, tendo desempenhado os cargos de treinador dos juvenis, treinador dos juniores e ainda adjunto dos seniores. Eram todas as noites ocupadas, e o fim-de-semana também. Juniores ao sábado da parte da tarde, os juvenis ao domingo da parte da manhã e, na parte da tarde, estava com os seniores, vida difícil. Mas a paixão era mais forte que o cansaço.

Ainda antes de vir para o norte mais precisamente para a minha terra, e depois treinar o Lamego, ainda passei uma época no CDS Cultural do Cercal, outra no Vitoria FC Mindense e, por fim, na UR. Mirense. Foram logo seis épocas seguidas a treinar, e ainda ando por aqui e quase a completar 26 épocas consecutivas sem parar! Não é para todos e não sei se haverá muitos com este feito, a treinar 26 épocas seguidas sempre no início de cada época, em que só em duas delas não as terminei. Que devia ser notícia nacional!

 

Quando regressou ao Vale do Sousa, e antes de falar na sua passagem pelos juvenis do Penafiel, há um período de quatro anos no comando técnico dos juvenis, e depois pelos juniores, do Rebordosa, do qual parece guardar muitas saudades. Porque razão a passagem pelo Rebordosa foi tão marcante para si?

Quando regressei ao norte fui logo para o Lamego, e depois é que vim para os juvenis B do Penafiel. Na época seguinte, treinei os juniores B, com um excelente trabalho em que disputamos a conquista do título de juniores. Só não podíamos subir porque já tínhamos uma equipa de juniores no Nacional. Adorei fazer parte da formação do FC. Penafiel. A minha não continuidade, deveu-se um pouco às ideias que eu tinha. Dei o meu parecer, não acharam boa ideia, e segui a minha vida, e foi aí que fui treinar os juniores do Rebordosa. Foram duas épocas em que na segunda subimos de divisão. E como tenho referido, para mim todas as épocas são marcantes, como foi o caso desta. Tanto é que passadas duas épocas voltei para lá como adjunto e treinador dos juvenis, como já o referi nesta entrevista, aquando da minha ida para o SC Rio de Moinhos, em que fui acabar o campeonato.

 

Outro período em que fez um trabalho em percurso ascendente foi no Caíde Rei, em que levou a equipa, em 2014/15, ao 10º lugar da Série 2 da 1ª Divisão da AF Porto, e ao sexto da temporada seguinte. Como foi esta passagem pelo Caíde, e porque não continuou o trabalho que estava a ser feito?

A minha ida para o Caíde Rei aconteceu depois de duas épocas e meia no Rio de Moinhos. Quando cheguei ao clube, tive que fazer uma equipa praticamente nova, uma vez que os poucos jogadores que lá ficaram não tinham muitos minutos de jogo, da época anterior. Por isso foi um início de época muito difícil, com muitos jogadores a treinar à experiencia.

Por curiosidade, uma parte dos jogadores da época anterior foram para o Rio de Moinhos juntamente com o treinador que, entretanto, foi para lá e, que por acaso, tinha saído do Caíde, levando uns quantos, e outros saíram para outros clubes. No fim da primeira volta estávamos em penúltimo, com 12 pontos, e acabámos a época com 34. Foi uma segunda volta muito boa, em que demonstrei capacidade para fazer melhor na época seguinte com alguns reajustes. E assim aconteceu, com a entrada de três ou quatro jogadores para posições específicas onde achava que tínhamos lacunas.

Fizemos uma época que só não digo espetacular porque nos últimos cinco jogos fomos empurrados para trás. Depois de andarmos, entre a 12ª e a 26ª jornadas, no segundo lugar, a lutar para subir, coisa que o clube nunca me tinha pedido, nos últimos quatro jogos saímos da zona de subida. Ainda hoje não entendo o que aconteceu, ouvi uns rumores de como nos afastaram. Mas não tenho provas.

Depois houve eleições no clube, a nova direção entendeu que queriam outro treinador. Só tenho que respeitar quem toma as opções, e fui à minha vida. Pois é futebol.

 

Em 2016/17, antes de voltar a treinar no concelho de Penafiel, ainda passou pelo São Lourenço do Douro, e na época seguinte orientou os juniores do Aparecida. Que recordações guarda dessas épocas?

O São Lourenço do Douro foi um trabalho que poucos arriscariam. Quando assumi o compromisso, o clube estava na segunda distrital e acabou por ser repescado para a Série 2 da 1ª, uma série extremamente difícil. Com poucos jogadores, a maioria juniores, arregacei as mangas, e conseguimos o objetivo da manutenção. Passei as dificuldades que passei, deixei o clube na primeira e, depois de muitas promessas no decorrer da época o presidente, no final, nem uma palavra disse sobre a minha continuidade e, por isso, segui em frente. Porque desafios não faltam.

Antes do Aparecida passei pelo Calçada de Oldrões, e no final da época em que estive no Calçada, disse para mim que não ia treinar mais. Até que alguém que fazia parte do Aparecida soube que eu estava livre e convidou-me. Como poucas vezes digo não, lá fui eu treinar uma equipa da segunda distrital de juniores na última divisão, com o Nível 3. E foi uma época espetacular. Miúdos fantásticos, alguns dos quais ainda falo constantemente com eles, pois merecem tudo de mim, deram-me muito e só eu sei o que aprendi como treinador deles. Ainda tive o privilégio de conhecer o clube por dentro, sem dúvida um clube com paixão, e como dizem um clube mítico. Adorei!

 

Foi formado no Penafiel enquanto jogador, e continua com uma grande paixão a ligá-lo ao clube. Com tantos anos dedicados ao treino, e sendo um técnico detentor do Nível 3, até que ponto sente que mereceria uma oportunidade no clube?

Sim fui formado no FC. Penafiel, clube da minha terra, clube do meu coração, e onde passei duas épocas como treinador da formação. Acho que foi feito um bom trabalho, mas nós treinadores temos que estar preparados para tudo. Se me perguntasse se ainda gostava de lá estar digo, sem hesitar, que sim.

E acho que podia ser muito útil com a minha experiência e sabedoria no crescimento dos nossos jovens, independentemente do grau que tenho, pois o que nos faz mais capazes ou não, é o trabalho diário e o querer saber cada vez mais.

Em relação a oportunidades, eu posso achar que merecia, mas eu não decido isso. O que posso dizer é que sou muito profissional no que faço e, em relação ao que vejo e do que percebo, não ficaria atrás de nenhum treinador. Eu trabalho bem e ando atualizado e quem pode responder por mim, são os jogadores que por mim passam, esses são os que podem avaliar um treinador.

 

Ao nível da identidade de jogo que procura transmitir às suas equipas, como é que me pode descrever a mesma?

O que posso dizer assim de uma forma muito sucinta, é que tenho uma boa forma de jogar e uma identidade bem vincada. Não fujo um milímetro daquilo que entendo que é a melhor forma de juntar uma boa maneira de jogar e estar mais perto de vencer. Por norma os meus jogadores gostam de forma que eu treino e da forma como jogam, óbvio.

 

Até que ponto o facto de treinar em condições mais difíceis, por vezes em campos pelados, e com atletas amadores que não conseguem dedicar-se em exclusivo à prática futebolística, e nem sequer treinar todos os dias, condiciona todo o processo de operacionalização de um modelo de jogo que se tenciona trabalhar?

Ultimamente nem me posso queixar muito das condições em que ultimamente treinei tirando o Calçada que, pelo que tem feito pela formação, já merecia outras condições de treino, o qual desejo que o consigam, pois quem lá treina ou quem treinou, sabe que existe ali além de muita qualidade, existe muita paixão.

Mas respondendo à sua pergunta, é muito importante o jogador que vai ao treino tenha aquilo que eu sempre levo e aplico em cada treino, auto motivação. Pois muitos não sabem o que é ir três vezes por semana treinar das 20h30 às 22h00, depois de um dia de trabalho.

Mas não me posso queixar porque quase sempre ninguém falta, só por uma ou outra situação pontal derivada ao trabalho é que pode um ou outro pedir dispensa.

Por isso tudo que está estipulado para o treino acaba por funcionar em pleno, relativamente àquilo que pretendemos para o nosso modelo de jogo. E quanto a mais o cronograma é feito no início de cada mês para todos programarem a sua vida além futebol. Assim como os microciclos em cada início da semana determinam aquilo que se vai fazer em cada treino.

 

De que forma o Salvador se ajusta aos condicionalismos e limitações das condições de treino que costuma ter à sua disposição, em particular no tempo de contacto que tem com os jogadores, no sentido de tentar, da melhor forma possível, fazer com que a equipa cresça e evolua nos processos que são por si trabalhados?

Quem treina à noite e três vezes por semana, claro que tem condicionalismos, mas como referi acima tudo é preparado com antecedência. O tempo é curto, é certo. Aquilo que podíamos fazer no microciclo de quatro ou cinco treinos temos que reduzir a três, temos que trabalhar mais rápido e insistir muito em alguns aspetos que são mais importantes.

 

Até que ponto acredita que, se um dia tivesse a oportunidade de trabalhar a um nível superior, iria mostrar a um outro nível as suas competências como técnico?

Acredito muito em mim! Tudo que referenciei acima vem no enquadramento desta pergunta. Com mais tempo, com outras condições, poderia dividir os processos que pretendo para fazer um melhor trabalho, e tornar-se-ia mais fácil trabalhar e poder exigir mais aos atletas. Se com jogadores amadores a minha exigência é muita e eles aceitam com agrado, apesar de virem cansados do seu trabalho, nos profissionais isso não poderia existir, e como entendo que além de trabalhar bem, sou um bom condutor de homens, no nível mais acima o meu trabalho iria ser recompensado.

 

Enquanto pessoa que já jogou e treinou no Penafiel, como avalia o momento atual do clube, que se mantém na Segunda Liga, e que mudanças é que a passagem de SDUQ a SAD poderá introduzir, na sua opinião, nos objetivos desportivos do Penafiel no futuro?

A SDUQ é a única forma dos clubes preservarem a sua identidade e integridade institucional, mas cada vez mais isso deixa de ser importante, porque o dinheiro envolvido tem que ter outro tipo de gestão para a sobrevivência dos clubes. As SAD são uma melhor aposta. Com a passagem para SAD, se o dinheiro envolvido for credível, as contrapartidas são mais vantajosas, o que para a sobrevivência do clube é sempre uma vantagem. Por isso, nos dias de hoje, será mais vantajoso, havendo quem queira apostar no clube para a sua projeção e estabilidade. E neste momento, pelo que vou sabendo, o clube está estável e bem gerido.

 

Outrora uma das melhores escolas de formação do país, o Penafiel tem sentido dificuldades para se afirmar nos campeonatos nacionais dos escalões de formação, e luta para reocupar esse espaço que perdeu. O que deve ser feito na formação para que o Penafiel volte a ter nas suas escolas o «berço» de vários jogadores de elevado nível, que depois possam ser aproveitados nos seniores?

De facto, o Penafiel perdeu um pouco a identidade que tinha e que criou há muitos anos.

E a razão não é por alguns clubes dos arredores terem melhores condições que tinham há uns anos, mas também por cativarem mais os atletas a ficarem por perto de casa. Uma outra razão pode ser o facto de os jogadores hoje em dia serem menos ambiciosos, não têm sonhos, são muito comodistas e querem tudo fácil. Se me perguntassem se gostaria de treinar no Penafiel, na formação, ou noutro clube qualquer, claro que optava pelo Penafiel, um clube com nome e um clube de projeção. Lembro do meu ano de fim de formação, quando subiram seis jogadores aos seniores, eu era o sétimo, mas não tive essa sorte, mas andei uma época a treinar com eles. No entanto, não desisti, fui à procura do meu sonho e consegui andar na segunda divisão nacional e ser profissional, porque fui persistente e acreditava muito naquilo de que era capaz.

Por isso, para que o Penafiel volte a ter os melhores, também tem que os cativar, tentar motivar os jogadores e que deixem de pensar em mitos de que no Penafiel só jogam por interesse. Depois claro é preciso treinadores qualificados, que tenham algum passado como jogadores e de preferência no clube, e uma coisa que tem que ser o mais importante, antes de formar o jogador, é formar os homens para que possam perceber que, no fim, nem todos podem ser jogadores do clube.

 

No concelho de Penafiel, no que diz respeito ao futebol existe um «fosso» de competitividade entre o Penafiel e todos os restantes clubes do concelho, que competem nos distritais, sendo que apenas um, o Rio de Moinhos, está acima do último escalão. Até que ponto não deveria existir uma maior articulação entre todos os clubes do concelho, para permitir o aumento da competitividade dos emblemas penafidelenses amadores, e a criação, nos clubes amadores de Penafiel, de espaços onde os jovens saídos da formação «rubro-negra» pudessem adaptar-se às exigências do futebol sénior?

Sim de facto existe um fosso entre muitas equipas da nossa região para com o SC Rio de Moinhos e depois para o Penafiel, mas não podemos esquecer que o SC Rio de Moinhos já há muitos anos que anda nestas andanças, e foi preciso muito trabalho para se afirmar agora como um dos melhores clubes do concelho.

Não é fácil haver esse tipo de articulações entre clubes dos concelhos, porque existe em cada um o seu “bairrismo”, e a preocupação não está virada para o sucesso desportivo a nível concelhio, mas sim para a sua própria freguesia.

 

Regressando à sua carreira, de que forma acredita que esta crise sanitária, e as dificuldades que se lhe seguirão, irão afetar o futebol distrital, e a sua própria carreira como treinador em particular?

Na minha perspetiva não afetará muito o futebol a nível distrital. Continuo a ser treinador e se houver clubes interessados em mim, eu vou treinar, se não houver, fico em casa, o que seria esquisito ao fim de 25 épocas seguidas a treinar, mas já me preparei para isso. O futebol, como sempre digo, e ainda mais nas distritais, é um part-time das nossas vidas.

No que se refere a afetar os campeonatos a nível distrital acho que não, porque o dinheiro a ser empregue praticamente será o mesmo, e não será necessário cometer loucuras. Praticamente joga-se por amor à camisola, ou o que se ganha será para despesa de transportes para treinos.

 

Nas palavras que costuma muitas vezes transmitir, fala muitas vezes de que tem um sonho. Que sonho é esse, e o que vai fazer para o conquistar?

Como dizem os sábios, o sonho comanda a vida, e sonhar acordado alimenta o nosso ser. Todos os dias quando acordo, digo para mim, mais uma batalha ganha, agora lutar para vencer a próxima que é a que temos de lutar todos os dias. Gosto de chegar ao fim do dia e dizer que dei o melhor de mim, agora que a sorte apareça. Porque tudo também passa pela sorte e estar no sítio certo na hora certa.

Pergunto-me muitas vezes se o destino está traçado ou se vamos à procura dele. Eu entendo que ele está traçado, porque dou o melhor de mim todos os dias e a nível de futebol ainda não tive a oportunidade que sempre sonho.