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“É ESSENCIAL DOTAR A ECONOMIA LOCAL DE MEIOS E FERRAMENTAS CAPAZES DE DAR CONFIANÇA AOS SEUS CONSUMIDORES” , NUNO BROCHADO – AEP

Nuno Brochado assumiu, no início do mês de março, a presidência da Associação Empresarial de Penafiel (AEP) para o triénio 2020-2022. Poucos dias depois, porventura não imaginaria que, no desempenho destas novas funções, iríamos ser confrontados com uma hedionda pandemia que, como refere nesta entrevista, constitui grande incerteza e de consequências incalculáveis quanto ao impacto final na economia.

Nuno Brochado, até então vice-presidente da direção da AEP, sucedeu a Pedro Bessa numa transição pacífica, marcada pela renovação de novos e jovens elementos nos corpos sociais daquela instituição.

Com a retoma gradual da atividade económica, depois de um período acentuado de confinamento geral para impedir a propagação do vírus Covid-19, o presidente da AEP revela que está a ser preparado, em conjunto com a Câmara Municipal, “um plano estratégico mais abrangente a todas as atividades económicas para dinamização da economia local”.

“Para a retoma da economia estamos neste momento concentrados em ajudar os empresários a reiniciarem a sua atividade de forma segura, com o objetivo de preservar a saúde e segurança dos seus colaboradores e clientes, durante o período de coabitação com o COVID-19”, acentua, a propósito do recente lançamento da iniciativa de “Retoma Segura das Atividades”.

Nuno Brochado revela que, desde o início da pandemia, a AEP “adotou uma ação muito pró-ativa. Não ficámos parados à espera de sermos contactados para tomarmos decisões”.

“Quando ocorreu a primeira decisão para o encerramento de diversos espaços e serviços, a AEP já tinha disponibilizado aos seus associados um plano de contingência. Prevendo o encerramento de outros espaços comerciais ao público também sensibilizámos os nossos associados a procurarem outras formas de desenvolverem a sua atividade através das plataformas digitais e outros meios que pudessem minimizar o impacto desta paragem. Fomos disponibilizando informação sobre as diversas medidas que o Governo ia disponibilizando e demos apoio ao cumprimento das mesmas. Promovemos sessões de esclarecimento para que pudessem esclarecer as dúvidas que todos iam tendo. A nossa preocupação foi procurar e implementar uma atuação bastante “próxima” do associado e fomos apoiando no que era possível”, especifica.

A associação também soube adaptar-se na garantia dos serviços e permanente apoio aos seus associados, que “nesta fase não parou e nem sequer abrandou”, mantendo um sistema de rotatividade do teletrabalho conjugado com o presencial.

“Esta pandemia também veio demonstrar que existem uma série de funcionalidades que não eram percetíveis e por isso não estavam a ser exploradas por parte dos empresários, que agora passaram a fazer parte das suas atividades básicas e quotidianas”

“A maior mudança deu-se na Formação Profissional ao nível dos Cursos de Aprendizagem onde estamos a ministrar formação via e-learning. Para tal tivemos de capacitar os nossos formadores e formandos e que levou cerca de três semanas a concretizar. Em resumo, transformámos o presencial pelas já existentes plataformas de comunicação”, ressalva.

Quanto ao cancelamento dos diversos eventos organizados pela AEP durante este ano, o presidente da associação, esclarece que a decisão “prende-se essencialmente pela responsabilidade social que temos perante a sociedade”.

“Não seria sensato organizar eventos que promovem aglomerados e a interação entre os diversos agentes. Esses eventos poderiam potenciar a propagação do vírus. Contudo, no futuro e caso se verifiquem condições para a organização de algum evento iremos considerar essa realização”, afirma.

“Reitero uma ideia que é para nós fundamental a retoma económica não vai ser um acontecimento de determinado momento, muito menos é um evento estanque, será um processo com interações a vários níveis e com a ação de vários agentes perlongado no tempo”, evidencia Nuno Brochado.

Entre os sectores mais atingidos nesta pandemia, com o confinamento e consequentes restrições decorrentes do perigo de contágio do vírus, o presidente da AEP reconhece que a hotelaria, restauração e a atividade turística são dos mais penalizados.

“São negócios que vivem do “caixa” diário para honrar os seus compromissos. Este é um setor tido como altamente exposto em todo o mundo, e sofrem as consequências da dependência do comércio e da livre circulação de pessoas, já muito condicionada em todo o mundo”, comenta, acentuando que “esta limitação à circulação de pessoas leva a que atividades ligadas ao setor não alimentar também sejam severamente atingidas”.

Contudo, Nuno Brochado, para além do empenho de todos os profissionais da área da saúde, que tão corajosamente têm estado na linha da frente contra o inimigo, destaca o valor do sector alimentar.

“Trabalhar hoje, no campo, nas unidades de transformação e embalagem, na logística e nos transportes, nos espaços de venda, para garantir o abastecimento alimentar, quando toda a pressão social vai no sentido do isolamento e do encerramento é um ato de coragem. É de inteira justiça reconhecer a importância deste setor”, salienta, enaltecendo também os negócios do comércio local “que fizeram um excelente trabalho de adaptação a esta realidade”.

“Não desistiram e reinventaram os seus negócios apostando no comércio digital e nas entregas porta-a-porta”, anota com satisfação.

“Considero que esta crise nos deve trazer ensinamentos de diversa ordem relativamente aos modelos de trabalho e comportamento social. São vários os desafios e oportunidades que esta pandemia nos proporciona tanto ao nível da organização do trabalho como da preparação da sociedade em geral para enfrentar crises como esta”, afiança.

Quanto ao futuro, um problema desta dimensão universal exige verdadeiras soluções globais.

“A incerteza é imensa relativamente à evolução da curva epidemiológica, à duração necessária da quarentena e ao consequente impacto final desta pandemia na economia. Sabemos, no entanto, que esses efeitos vão ser brutalmente negativos”, considera.

“Com a queda da procura são adiados os investimentos, aprofundando o efeito da queda do consumo. Estes fatores são agravados pelo medo e incerteza”, sustenta, reconhecendo que “a grande adversidade será a resistência à mudança, mas ela terá de desaparecer se queremos sobreviver”.

Olhando para dentro, a retoma económica no concelho e na região, o novo presidente da AEP, não tem dúvidas que o principal desafio reside na confiança.

“Desde o início que identificámos como principal desafio a confiança, pelo que no curto prazo o essencial é dotar a economia local de meios e ferramentas capazes de dar confiança aos seus consumidores para se retomar as dinâmicas comerciais”, sublinha.

“Esta pandemia também veio demonstrar que existem uma série de funcionalidades que não eram percetíveis e por isso não estavam a ser exploradas por parte dos empresários, que agora passaram a fazer parte das suas atividades básicas e quotidianas”, prossegue, revelando que a AEP poderá ter um papel importante neste domínio e que, por isso, já estão a trabalhar em algumas ideias.

A retoma da atividade trará novas oportunidades, nomeadamente para uma localidade como Penafiel com uma forte dinâmica e afluência no comércio local: “No que toca ao comércio de proximidade estamos confiantes que estes negócios vão sobreviver e vão reaparecer mais fortes e adaptados à nova realidade. No curto prazo penso que eles terão alguma vantagem sobre as grandes superfícies, que vão enfrentar profundas dificuldades para criar laços e relações com os clientes”.

“A AEP está a planear em parceria com a Câmara Municipal um plano estratégico abrangente a todas as atividades económicas para dinamização da economia local. Esse plano está a ser preparado e terá um mix entre comércio digital, promoção das atividades económicas e retoma progressiva e segura”, adianta, confiando numa forte retoma económica.

Quanto às medidas de apoio considera que “o Governo tem um papel fundamental: garantir um nível de rendimento estrutural aceitável de famílias e empresas numa lógica agregada e sem marginalizar setores de modo a passarmos esta redução financeira/económica com o menor impacto possível”.

“A injeção de meios no sistema tem de ser clara, transparente e com regras claríssimas, sem burocracia excessiva. Só assim, as empresas poderão ser um elo ágil para canalizar os meios para a economia real. Haverá injustiças, mas também não haverá modelos perfeitos”, defende, realçando que “aquilo que as empresas precisam é de decisões céleres e eficazes que saiam do papel e se transforem em meios financeiros das empresas”.

Quanto às medidas de apoio anunciadas pela Câmara Municipal de Penafiel, constata que estão vocacionadas “para os mais atingidos por esta pandemia e pelo que se vê vocacionadas para a população, ou seja, para aqueles que são os mais vulneráveis”.

“Ao nível económico existiram algumas medidas, mas penso que ainda não chegou o momento do executivo se focar no sector empresarial, ele virá a seu tempo. Certamente que no futuro irá haver um reforço do nosso trabalho em conjunto para a dinamização económica e empresarial porque depois das pessoas e das instituições, surgem as empresas e, nós, enquanto associação representativa deles”, conclui.

Clique aqui e leia a entrevista completa do presidente da Associação Empresarial de Penafiel, Nuno Brochado:

“A INCERTEZA É IMENSA QUANTO AO IMPACTO DESTA PANDEMIA NA ECONOMIA” – Nuno Brochado, AEP