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RICARDO BARROS: “O NOSSO OBJETIVO SERÁ ANDAR NOS LUGARES DA FRENTE”

A poucos meses de completar 31 anos, o treinador Ricardo Barros é um dos habituais entrevistados do Penafiel Magazine.

O motivo é óbvio. Com uma carreira construída a pulso no futebol sénior distrital, já conseguiu celebrar três subidas de divisão, duas na 2ª Distrital e uma na 1ª, e prepara-se para a sua primeira aventura na Divisão de Honra, ao leme do São Lourenço do Douro.

No fim de mais uma campanha de sucesso com o Citânia de Sanfins, o nosso jornal foi saber do rescaldo de mais uma temporada, e da antevisão de uma época que, seguramente, será mais exigente.

 

Vamos começar esta entrevista com a notícia recente do teu ingresso no São Lourenço do Douro, da Série 2 da Divisão de Honra da AF Porto. Como surgiu esta oportunidade de ingressares neste clube, e quais os motivos que te levaram a aceitar este novo passo no teu percurso?

O presidente demonstrou uma grande vontade em trabalhar comigo e a minha equipa técnica, por isso foi fácil chegar a acordo. O que nos fez aceitar este projeto foi claramente a ambição e os objetivos que me foram propostos, e a forma humilde com que o projeto me foi apresentado.

 

Ainda que saibamos que os plantéis nos distritais podem mudar muito de um ano para o outro, qual a imagem que tinhas, enquanto homem do futebol, do São Lourenço do Douro, bem como do nível de competitividade que este clube demonstra nos distritais?

Na minha opinião sempre foi um clube muito competitivo, com um histórico de grandes jogadores e treinadores e que, nos últimos anos, tem subido muitos degraus nos distritais e ainda poderá subir mais, olhando para a forma como têm sido competitivos.

 

De que forma está a decorrer o processo de construção do plantel para a próxima temporada? Isto é, qual a descrição que já nos podes fazer sobre os jogadores confirmados para a nova época, e qual o perfil de potenciais reforços que queres recrutar para o plantel?

Primeiro estamos a tratar de renovar com grande parte do plantel do ano passado. Depois, faremos os ajustes no plantel em função das saídas, que já tivemos, de alguns jogadores para outros clubes.

 

Quando te endereçou o convite, que objetivos a direção do São Lourenço do Douro te pediu para a nova época desportiva?

Foi continuar nos lugares da frente. O São Lourenço do Douro habituou os adeptos, nos últimos três anos com o mister António Sousa, a andar sempre nos lugares cimeiros, desde a 1ª Divisão Distrital até à Divisão de Honra, e isso foi exatamente o que me foi proposto.

 

Na tua carreira, este é mais um patamar de subida de competitividade que experimentas enquanto treinador, que chega agora à Divisão de Honra. Quais as dificuldades que mais esperas agora nesta competição e, enquanto técnico, que competências julgas ter que aprimorar para te manteres como um dos bons treinadores da região, agora num campeonato diferente?

Ainda bem que falas nisso, pois eu comecei como desconhecido na 2ª Distrital, e entro em novembro, na temporada de 2015/16, para treinar o Lamoso, que estava em último lugar. Acabámos nos lugares da frente, e desde aí tem sido sempre a subir a pulso. Já tive, aliás, oportunidades em anos anteriores de treinar nas Divisões de Honra e Elite, mas preferi lutar por subidas de divisão e chegar com resultados e preparado. Por isso vou continuar a trabalhar com muita ambição e dedicação, e mostrar as minhas competências como o tenho feito até aqui.

 

Fazendo uma incursão na tua carreira, em 2015/16 és treinador, durante quatro meses, nos juvenis do Croca, mas destacas-te na época seguinte, com um dos teus feitos dessa época a ser a manutenção da equipa de iniciados do Freamunde no campeonato nacional dessa categoria? Que balanço fazes dessa época, e de que forma essa experiência nos nacionais te ajudou a melhorar competências como técnico?

Quando saí do Croca, tinha três convites para treinar e fazer o estágio de treinador, e o Freamunde foi a melhor solução para mim. Deram-me a oportunidade de trabalhar nos sub-15 do nacional como adjunto e foi o melhor para mim, aprendi muito.

 

Nessa época, a primeira fase do campeonato foi horrível, com quatro pontos conquistados em 11 jogos, mas a segunda fase fica marcada por uma recuperação extraordinária, em que consegues a manutenção à justa. O que explicou esta grande evolução, em termos de resultados e exibições, que tornou possível a concretização desse objetivo?

Éramos uma equipa técnica muito competente e dedicada, e esse foi um segredo. Quem trabalha e não desiste consegue atingir os seus objetivos.

 

Em paralelo com os iniciados do Freamunde, treinavas a equipa principal do Lamoso na Série 2 da 2ª Divisão da AF Porto, aos 27 anos de idade. Como se proporcionou essa oportunidade, e como descreves essa experiência com um plantel sénior na altura?

A oportunidade foi-me dada pelo presidente e o diretor desportivo, numa das melhores experiências que tive, que muito contribuiu para ser o que sou hoje. Começo em último na 2ª Divisão Distrital e deixo o clube na 1ª Distrital com a manutenção garantida a seis jogos do fim.

 

De que forma gerias o tempo entre as duas equipas, e conseguias liderar dois processos desportivos distintos em simultâneo?

A paixão pelo treino e jogo e a ambição que tinha fez com que conseguisse gerir o tempo, pois sabia que era a minha oportunidade de mostrar o meu valor, e tinha de a agarrar.

 

Outro dos aspetos dessa temporada é que treinavas em duas realidades distintas – formação e equipa sénior. Quais as diferenças entre o tipo de processos e lideranças que se implementam, por um lado, na formação e, por outro, na orientação de uma equipa sénior?

Eram situações completamente diferentes. No Freamunde eram jovens que estavam a aprender e eu era adjunto, no Lamoso já eram jogadores feitos, e com personalidades fortes. Tirava muito da forma como trabalhava na formação em termos de alguns processos, e adaptava à realidade sénior, mas com uma forma de comunicação diferente das minhas ideias, como é óbvio.

 

Quais as diferenças que devem caracterizar a forma de ser líder de uma equipa de iniciados, da de um treinador da equipa principal? Quais as características de liderança mais ajustadas a cada uma destas realidades?

Depende do contexto. Na formação somos formadores, o nosso objetivo é potenciar aspetos técnicos e ensinar os miúdos com as nossas ideias, e temos de ser pedagógicos com uma liderança cuidada. Nos seniores, muitos dos jogadores já não evoluem muito mais e, por isso, é que trabalhamos mais aspetos táticos e físicos, com uma forma de trabalhar para os resultados em conjunto com uma ideia de jogo. É mais estratégico porque dependemos dos resultados para nos mantermos nos cargos.

 

E entre um campeonato nacional de iniciados e um campeonato distrital de seniores, quais as principais distinções que se podem estabelecer, entre aquilo que se exige a um treinador num contexto de prova nacional, e de competição distrital?

Depende muito da competição distrital que se compara, mas, no meu caso, a diferença, por exemplo, em termos de intensidade era muita. No nacional havia muita qualidade, e miúdos que mais tarde chegaram a profissionais. Nos distritais da minha realidade, os elementos do plantel já eram jogadores feitos e que trabalhavam além de jogar futebol. Só tínhamos dois treinos, logo as diferenças eram óbvias no meu caso. Por isso a minha exigência, até mesmo para mim, era muito grande.

 

A remodelação dos quadros competitivos levou o Lamoso à subida de divisão, e o certo é que na época seguinte consegues a manutenção da equipa na 1ª Divisão. Que análise fazes dessa temporada, e o que possibilitou a ti e à equipa adaptarem-se tão bem às maiores exigências competitivas?

Foi um campeonato muito tranquilo porque todos percebiam as minhas ideias. Desde a direção à equipa técnica e jogadores, deu para gerir bem o plantel e trabalhámos todos bem para esse objetivo, até porque tínhamos um plantel bom para a realidade, em que todos os jogadores foram escolhidos pelos técnicos da equipa.

 

O que te fez decidir regressar à 2ª Divisão em 2018/19, para treinares o Macieira?

Quem me conhece sabe que foi uma decisão difícil, e poucos tomariam naquele momento a opção que segui, porque tinha o convite para continuar onde estava, e mais alguns convites, até da Honra. Contudo, o projeto que me apresentaram e a ambição do presidente de ficar nos lugares de subida, levou-me a assumir o risco de regressar à 2ª Divisão Distrital. Dado que sou um treinador ambicioso, preferi assumir um projeto de subida que me valorizasse, do que lutar por objetivos mais humildes em patamares superiores.

 

Depois de uma época em que a tua equipa venceu a série e subiu de divisão, como te sentiste enquanto treinador, após uma temporada de tamanho sucesso?

Senti-me feliz por ter atingido os objetivos do clube e superei-me a mim mesmo com as dificuldades que tive nesse ano. Só sorrimos no final da época. Aquele grupo, além de ter muita qualidade, trabalhou muito, e mereceu muito aquela subida de divisão.

 

Ao seres alvo de tanta atenção por parte tanto da comunicação social como das pessoas da tua rede de contactos, por causa dos feitos obtidos, como geriste emocionalmente toda esta situação positiva que marcou o teu percurso?

Para ser sincero não ligo muito a isso. Foi um percurso positivo porque atingi os meus objetivos e da equipa e isso é o que me deixa mais feliz. Como a minha ascensão no futebol foi sempre a pulso, não me iludo muito com momentos, e estou sempre consciente dos desafios e exigências que tenho de superar, para estar mais perto do sucesso.

 

Em 2019/20, no Citânia de Sanfins, mais uma temporada de grande nível, agora na 1ª Divisão da AF Porto. O que tornou possível a concretização deste objetivo?

Mais uma época muito exigente mas que não acabou, ou melhor, acabou a nove jogos do fim. Ainda poderia haver muitas mudanças na classificação, mas no geral foi mais uma época de muita dedicação e trabalho, em que pelos vistos também será mais uma subida de divisão minha que ficará para o currículo pessoal.

 

És um treinador com resultados positivos em duas divisões distintas, e mereceste agora uma oportunidade na Divisão de Honra. Quais os aspetos da tua forma de trabalhar e liderar equipas, que estão na base das competências técnicas, táticas e psicológicas que te conseguem levar ao sucesso em diferentes contextos de competitividade?

Não gosto muito de falar de mim, mas sou muito exigente e dedicado e foco-me muito nos objetivos. Tenho uma comunicação direta e rápida, trabalho muito os aspetos psicológicos e técnico-táticos e adapto-me bem aos jogadores. Isto é muito pouco sobre mim mas é a descrição mais geral que consigo fazer.

 

Quais as tuas características como treinador que entendes estarem desenvolvidas a um nível muito interessante, e quais os aspetos em que julgas ter que evoluir mais?

Evoluir tenho quase todos porque estamos sempre aprender e temos de melhorar de ano para ano, por isso todos os anos me tenho desenvolvido.

 

Em que medida julgas que a Divisão de Honra irá levar-te a melhorias ainda mais substanciais das tuas competências desportivas?

É mais um projeto, mais uma época em que vou aprender e evoluir com as dificuldades que irei encontrar certamente.

 

Quais os objetivos e desafios que, pelo menos a curto prazo ou nos próximos anos, gostarias de alcançar no futebol?

O meu objetivo é chegar à Elite da AF Porto, não tenho mais que isso como objetivos no futebol para te ser sincero, mas só o futuro o dirá.