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TIAGO TEIXEIRA: “O CROCA VAI LUTAR PARA SUBIR DE DIVISÃO”

Tiago Teixeira é um dos mais promissores treinadores de futebol penafidelenses da nova geração, e que está a mudar a face do Atlético Clube de Croca na 2ª Divisão da AF Porto.

Aos 29 anos e com trabalho feito em emblemas do concelho, o jovem natural de Croca regressou ao clube da sua freguesia para projetar o crescimento desportivo da entidade liderada por Alfredo Magalhães, que tem feito um trabalho incansável de melhoria substancial das instalações desportivas da coletividade, rumo a um futuro risonho de um clube que esteve em risco de fechar portas.

Esses tempos difíceis parece que já lá vão. E a verdade é que, no meio dos obstáculos, o Croca prepara-se para atacar a subida de divisão, depois de uma temporada passada em que a sua competitividade veio ao de cima. 

Caberá a Tiago Teixeira e a um grupo combativo de jogadores meter mãos à obra, e tentar fazer história ao serviço da carismática e apaixonante formação croquense.

No teu regresso ao Croca, a equipa passa de duas «lanternas-vermelhas» seguidas para uma luta pelos lugares cimeiros, e terminou a Série 2 da 2ª Divisão Distrital no sexto lugar. Que balanço fazes de uma época em que a equipa foi muito mais feliz do que em épocas anteriores?

Foi uma época muito mais feliz devido à mudança da estrutura da direção, em que se conseguiu recuperar ex-jogadores do clube e essencialmente da terra.

Quais os fatores que, no teu entendimento, possibilitaram a criação de uma equipa capaz de melhorar, de forma tão evidente, os resultados normalmente evidenciados pelo clube?

Primeiro, foi muito importante trabalhar com pessoas que, neste desafio que me lançaram para colaborar com o clube, mostraram ambição de o melhorar em todos os sentidos. Após ter sido construída a estrutura diretiva e um plantel em que conhecia a maioria dos atletas da terra, tudo se tornou muito mais fácil, pois muitos destes jogadores já tinham passado pelas minhas mãos na formação, sendo que também convivi com vários atletas desde os meus 12 anos, daí o meu conhecimento.

A preparação da época de 2019/20 foi marcada por uma renovação da estrutura técnica e diretiva, que antecedeu a preparação da época que agora acabou. Em que medida estas alterações promoveram melhorias no trabalho realizado pelo clube?

A ideia surgiu de uma pequena conversa de café, em que constatámos que era preciso uma mudança radical no clube. Uma vez que era ano de eleições, nós próprios começámos a falar com pessoas que pretendiam um rumo diferente e achassem que eram capazes de fazer algo melhor, e juntámos cerca de 30 elementos para a direção e vários colaboradores que ajudam e não estão na mesma. Depois de formarmos a atual direção e como já estava definida a equipa técnica, começámos a construir a equipa. Inicialmente, havia uma lista de 40 jogadores a abordar, no sentido de se tornarem reforços do clube, e assim conseguimos vários regressos de jogadores com renome, daí a melhoria significativa dos resultados obtidos.

Que argumentos teve o Croca para, apesar das suas limitações, convencer jogadores experientes e competitivos do futebol distrital a reforçarem o clube, e a fazer parte deste projeto?

O Atlético Clube de Croca é diferente, é um clube que nunca mais se esquece. Quem por aqui passa fica completamente apaixonado pelo clube, e quando as pessoas são bem tratadas é muito mais fácil um dia mais tarde regressar. Tal como disse anteriormente, ao reunirmos toda esta direção e equipa técnica, sentimos que qualquer jogador quereria voltar ao clube independentemente das condições. Sei que com melhores condições ainda mais jogadores viriam de equipas superiores.

Apesar das melhorias na equipa, o início da época não foi fácil e, à quinta jornada, a equipa só tinha uma vitória, e chegou a sofrer uma goleada em Baião. O que aconteceu para que o início da época tivesse sido complicado?

No início de época sentimos um pouco de pressão pois era uma equipa completamente renovada e sabíamos perfeitamente que iríamos sentir algumas dificuldades, tal como aconteceu. O jogo de Baião foi um «abre-olhos». Além de eu não poder estar no banco devido a 10 dias de castigo, tudo corria mal. O campo estava inclinado e cada vez que o Baião ia à baliza era golo. Foi uma semana muito difícil, mas com verdadeiros homens, que souberam ser capazes de ultrapassar um momento tão difícil.

Ao longo de dez jornadas, o Croca foi imbatível, esteve invicto por mais de dois meses, e ganhou oito dessas partidas. Quais os fatores que explicam semelhante sucesso desportivo da equipa neste período?

Esta sequência foi a resposta ao «abanão» de Baião e, a partir deste momento, vi o meu plantel mais unido do que nunca. Muito mais organizado e com capacidades de lutar pelo resultado, e mesmo estando em alguns deles a perder por 3-0 ou 3-1, a dar a volta ao texto.

Depois de uma reta final razoável, e na sequência do cancelamento da época antes de tempo, até onde poderia ter ido esta equipa, se porventura a temporada tivesse chegado ao fim?

Na segunda volta já tínhamos jogado com a maioria dos nossos adversários diretos e os jogos seguintes com o Lomba Amarante (fora) e São Vicente do Pinheiro (casa) iriam ditar muito o que poderia ser o nosso destino. Depois dessa fase, teríamos vários jogos com equipas mais abaixo na tabela classificativa, mas com muita noção das dificuldades que nos iriam criar, e na penúltima jornada tínhamos um jogo difícil contra o líder Nespereira, e aí já poderia estar muita coisa definida ou não, mas isso agora não sabemos. Penso que poderíamos ter ido mais além do que aquilo que fomos.

Outra das novidades da temporada foi o regresso do Croca à formação. Que descrição e avaliação fazes da época dos vários escalões de formação nos respetivos campeonatos?

O regresso da formação era muito importante, e conseguimos criar a equipa de infantis em futebol de 7 e a equipa de juvenis em futebol de 11, e o facto é que os nossos jogadores fizeram uma época muito boa. Em relação aos infantis, na primeira fase conseguiram conquistar o quarto lugar na classificação e ser apurados para a Divisão de Elite, em que se juntam as melhores equipas. Até ao momento do cancelamento do campeonato tinham três pontos, mas o contexto em que competiam era bastante mais difícil. Na minha opinião como coordenador da formação, excelente trabalho dos meninos e do seu treinador. Quanto aos juvenis foi uma época inesquecível, em que conquistaram o terceiro lugar no campeonato já com o calendário terminado, pois na nossa série, além de termos de folgar uma jornada, ainda desistiram três equipas da competição, e isso prejudicou um pouco a evolução da equipa devido a paragens frequentes. Também tiveram altos e baixos, mas sempre a pensar fazer melhor.

Tendo em conta a importância crescente que é atribuída à formação como uma forma de garantir o futuro dos clubes, que condições julgas que o Croca tem para desenvolver o seu projeto de formação, e garantir o seu crescimento?

As nossas condições não são as melhores para desenvolver o processo de formação, mas ainda eram piores do que agora, pois em termos de balneários temos agora todas as condições para as nossas crianças e jovens da formação, e na próxima época vão haver mais novidades em termos das nossas instalações. Temos um grande problema que é o campo, que de inverno faz muita lama e é um dos fatores que nos impedem de ter jogadores na formação. Felizmente já conseguimos autorização para alargamento do campo faltando apenas resolver uns pequenos pormenores. Após resolvermos a questão do alargamento, de seguida poderemos colocar sintético e aí sim termos melhores condições para os nossos jogadores.

Ao olharmos para as notícias que vão saindo, percebemos que a planificação do plantel para a próxima temporada já está a decorrer, e vários jogadores já foram confirmados para a próxima época. O que podemos esperar do plantel do Croca para a nova temporada, e quais as melhorias que se vão tentar introduzir no plantel?

Começámos cedo porque queríamos assegurar já de imediato vários jogadores da época passada e reforçar alguns setores muito importantes. Na próxima época queremos atacar a subida de divisão e para tal acontecer temos de nos preparar muito bem.

Depois de uma primeira época onde tiveste tempo para colocar em prática algumas das tuas ideias de jogo para a equipa, em que aspetos esperas melhorar, ao nível da qualidade de jogo evidenciada pela equipa?

Uma das minhas prioridades é melhorar no processo defensivo, pois marcávamos muitos golos, mas também sofríamos muitos, esta é uma das minhas tendências. Com a vinda de mais reforços e de grande qualidade vou poder explorar mais um pouco a forma de jogar tanto nos processos defensivos como ofensivos, e tendo um plantel equilibrado vai ser mais fácil assimilar processos diferentes de jogo que pretendo inserir na equipa.

Em relação a objetivos para esta época, quais as metas a serem definidas para a equipa principal?

O principal objetivo para a próxima época é fazer ainda melhor do que a época passada e lutar por um lugar de subida de divisão.

Quando olhamos para a tua carreira em clubes de Penafiel, tanto na formação como agora nos seniores, percebemos que são várias as excelentes campanhas que as tuas equipas fazem, em diversos escalões. Que aspetos do teu trabalho e da tua forma de treinar e liderar uma equipa, estão na base dos resultados que consegues?

A base deste processo é ter sempre um plantel unido e com capacidade de lutar por objetivos, explorar as capacidades de cada jogador um e melhorar os aspetos menos positivos, daí saindo o nosso modelo de jogar.

Até que ponto te sentes como um dos bons treinadores do concelho, com capacidade para trabalhar em exigências competitivas maiores?

Na minha opinião não há treinadores iguais. Cada um tem a sua maneira de pensar e de trabalhar, e mesmo trabalhando um modelo igual cada um tem o seu próprio procedimento e ideia do jogo. Sou um treinador que procuro sempre fazer o melhor possível por onde passe. Procuro sempre inserir objetivos coletivos para motivar os jogadores a atingi-los o mais rapidamente possível.

Enquanto jovem treinador, tens ainda muitos anos pela frente, muito potencial para evoluir e vários anos de aprendizagem por fazer. Quais os objetivos que, enquanto técnico, gostarias de atingir no teu percurso, pelo menos a curto prazo?

Nos próximos anos gostaria de acrescentar mais algo à minha ainda curta carreira como treinador, e estou interessado em seguir o curso de Treinador UEFA “B” Basic Grau ll, para já o meu segundo objetivo. O primeiro objetivo é subir o Atlético Clube de Croca à primeira distrital de seniores.