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PENAFIDELENSE JÚNIO SOARES CELEBRA SUBIDA AOS NACIONAIS EM REBORDOSA

Treinador-adjunto da equipa de juniores do Rebordosa Atlético Clube, Júnio Soares foi um dos «timoneiros» da equipa que viu recentemente confirmada a subida à 2ª Divisão Nacional de futebol, da sua categoria competitiva.

Numa altura em que o concelho de Penafiel vê surgir uma nova geração muito promissora de treinadores desportivos em várias modalidades, o Penafiel Magazine foi conhecer este jovem com formação em Ciências do Desporto pela UTAD, e que já tem uma experiência enriquecedora como treinador de formação no clube do concelho de Paredes.

 

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  • Foi uma grande notícia para o futebol da região a confirmação da subida dos juniores do Rebordosa à 2ª Divisão Nacional da categoria. Como foi acolhida por ti esta notícia, e qual o significado que tem este acontecimento para o teu percurso?

Foi acolhida com muita alegria, satisfação e euforia. Era algo que desejávamos muito e sentíamos que era uma injustiça muito grande caso não acontecesse devido à interrupção dos campeonatos. Em termos individuais e para o meu percurso, acredito que me abrirá muitas portas para além da ajuda que dará naquilo que é a minha formação.

 

  • Como descreves o percurso, o evoluir desta época histórica, que culminou com este final tão feliz?

Começámos como recém-promovidos à primeira divisão distrital da nossa associação, e sem dúvida o primeiro objetivo era a manutenção. Com o desenrolar do campeonato, e com as coisas a saírem bem, passámos a acreditar em mais e acabámos por concluir a primeira volta em primeiro lugar. Redefinimos o nosso objetivo, queríamos o apuramento para a fase de subida, e surge a interrupção devido a este maldito surto quando tudo corria como planeado e a nossa equipa estava cada vez melhor.

 

  • Que características podem ser apontadas a esta equipa de juniores, e quais os fatores que estiveram na origem do sucesso desportivo obtido?

As maiores características desta equipa eram a qualidade acima da média nas tabelas, o gosto por ter bola, a obsessão que tinha em recuperar após a perda, mas sem dúvida que o que mais nos podia caracterizar era o espírito de sacrifício e união do grupo que, para mim, foram a chave do sucesso.

 

  • Até que ponto a realização de uma época tão bem conseguida teve reflexo na evolução competitiva destes atletas, e em que competências é que, globalmente, eles mais cresceram na tua opinião?

Penso que qualquer atleta que está familiarizado com determinada divisão e muda para uma mais competitiva com equipas de renome, automaticamente é obrigado a adaptar-se e só isso trará crescimento para o mesmo. Aliado a isso, tínhamos uma equipa com muita qualidade em que todas as semanas os duelos pelo lugar no «onze» eram enormes. Tudo isso faz com que os jogadores cresçam em todos os aspetos, mas, sem dúvida, saíram com muito mais maturidade e bastante ricos taticamente.

 

  • Que grandes adversidades e exigências é que podemos encontrar na perspetiva de jovens atletas e treinadores de formação, quando olhamos para uma Série 2 da 1ª Distrital de juniores em que alinham emblemas históricos como o Paços de Ferreira ou o Aves através das equipas B, ou mesmo emblemas conceituados da região, como o Paredes, o Felgueiras ou o Aliados de Lordelo?

Sabíamos que ia ser uma série muito equilibrada e competitiva, e com o desenrolar do campeonato isso ficou cada vez mais provado. Quando jogamos com equipas da região, sabemos que independentemente de classificações ou momentos da equipa, os jogos são sempre diferentes porque muitas das vezes a maior parte dos jogadores conhece-se, as rivalidades são grandes e faz passar tudo o resto para segundo plano. Com as equipas B, nunca sabemos muito com o que contar, porque aliado à qualidade que normalmente apresentam, muitas das vezes tinham jogadores das equipas principais a rodar.

 

  • Com esta subida, o Rebordosa vai representar o Vale do Sousa nos campeonatos nacionais do futebol de formação. Que explicações podem ser encontradas para a qualidade deste trabalho desenvolvido pelo clube com futebolistas mais jovens?

Quem acompanha o trabalho que o clube tem feito repara que nos últimos dois anos, conseguimos subir quase todas as nossas equipas de divisão e, de momento, só temos uma equipa na segunda divisão distrital. Visto que o futebol vive de resultados, temos aqui um indicador de que seguimos no caminho certo e que o trabalho de toda a estrutura está a ser feito de forma exemplar, com quatro subidas em dois anos e uma delas ao campeonato nacional.

 

  • Agora que sabem que vão disputar os Nacionais, quais os objetivos que estão definidos, e quais as dificuldades e exigências que esperais encontrar neste novo patamar?

O nosso objetivo passa por fazer o melhor possível. Sabemos que vamos estar perante uma realidade totalmente diferente, clubes com estruturas e organizações diferentes, jogadores com contratos profissionais, equipas recheadas de qualidade…, mas vamos à luta!

  • O que se pode esperar da equipa de juniores do Rebordosa nesta presença histórica nos nacionais?

Uma equipa com muita vontade, sem medo de assumir e que deixará tudo em campo pela conquista dos três pontos.

 

  • Perante a qualidade e a competência destes jogadores, é perfeitamente plausível que a equipa principal olhe para estes jovens talentos como garantias de futuro do clube. Como é a inter-relação de trabalho entre as equipas técnicas de juniores e seniores, e qual o acompanhamento que é feito pela equipa principal relativamente à evolução dos mais jovens?

As coisas corriam com muita naturalidade e a equipa técnica dos seniores observava muitas vezes aquilo que eram os nossos jogos e treinos. Tínhamos alguns jogadores em que muitas semanas trabalhavam com a equipa sénior e até chegaram a estar presentes em jogo. O processo era ainda mais facilitado uma vez que o nosso mister fazia parte da equipa técnica dos seniores. Este ano as equipas técnicas mudaram, mas acredito que se vá manter o mesmo padrão.

 

  • Quando olhamos para a presença de jovens como o guarda-redes Jorge Ferreira ou o avançado Edu Leal, que fizeram parte destes dois anos de uma geração de luxo no clube, e que agora estão na equipa principal, sentimos haver um trabalho de continuidade que aproveita estas jovens mais-valias ao serviço de uma equipa cheia de ambição. Como se tem processado, partindo da tua experiência no clube, esta transição dos jovens para as equipas seniores, e quais as perspetivas para futuras integrações igualmente bem-sucedidas?

Como referi anteriormente, é um processo muito natural. É sabido que temos jogadores de muita qualidade todos os anos (e cada vez mais) o que realmente salta sempre à vista de qualquer pessoa do clube e que esteja atenta àquilo que são as nossas equipas de formação. O processo fica cada vez mais facilitado agora com a nossa equipa de sub-23, que consegue preparar e transitar os jogadores para o futebol sénior de uma forma mais “suave”, e claro, será cada vez melhor esse processo de integração de qualquer jovem na equipa principal.

 

  • A equipa principal do Rebordosa tem obtido excelentes classificações na Divisão de Elite e tem revelado ambição de ser uma das equipas mais competitivas da região. Até que ponto a experiência competitiva que estes jovens estão prestes a adquirir nos Nacionais pode ser importante no reforço desta ambição?

A ambição e os objetivos da equipa sénior passam sempre pela subida aos nacionais. Ao passarem por um campeonato tão competitivo como o é a 2ª Divisão Nacional de juniores, estes jovens certamente estarão melhor preparados para mais tarde poder servir a equipa principal, e oxalá que também no campeonato nacional.

  • Além de acompanhares esta geração de «craques» jovens mas já consagrados, tens percorrido a formação do Rebordosa como treinador principal de escalões como os sub-10, os sub-11 e agora os sub-13. Que descrição nos podes fazer deste teu trabalho?

Até agora tem sido tudo muito positivo. No primeiro ano consegui ser campeão de série com a minha equipa de sub-10 e, em simultâneo, vencemos também a nossa serie no campeonato de juvenis, onde era adjunto.  No ano passado transitei para os sub-11, onde conseguimos a melhor classificação do escalão dos últimos anos, e trabalhava também nos sub-19 como adjunto onde atingimos a subida ao nacional. Agora, o objetivo é tentar dar continuidade ao trabalho e o mais gratificante, além dos resultados, é mesmo a evolução dos atletas a todos os níveis.

 

  • Quais são as principais diferenças, ao nível de métodos e objetivos de trabalho, entre trabalhar com um júnior ou um juvenil, ou lidar com atletas de escalões como os infantis ou benjamins?

Bem… sabemos que nos escalões mais baixos, o princípio dos trabalhos rondará sempre aquilo que são as bases do futebol e princípios competitivos e humanos. O conhecimento do jogo é muito menor, são crianças que muitas das vezes nunca deram um toque numa bola, não sabem o que é uma equipa e tudo o que a envolve, a sua maturidade tem muito para evoluir… Tratam-se de realidades totalmente diferentes, onde devemos e temos de ser ainda mais ponderados. Em escalões mais avançados trabalhamos muito mais o futebol em si. Claro que com outras adversidades, principalmente quando temos atletas naquelas fases críticas.

 

  • Até que ponto as condições que o Rebordosa coloca à disposição de técnicos e atletas da formação são adequadas à realização de um trabalho de qualidade?

Penso que ninguém se poderá queixar daquilo que o clube nos oferece, aliás, acho que todos deviam visitar e conhecer aquilo que são as nossas instalações e o que temos à disposição.

 

  • Na tua opinião, que fatores é que acharias poder ser melhorados, de modo a permitir potenciar mais a capacidade e qualidade destes jovens atletas?

O que faz mais falta é mesmo por vezes a falta de espaço devido às muitas equipas. Embora se organize sempre da melhor forma, penso que só ficará resolvido aquando da conclusão do novo campo sintético.

  • Ainda és um jovem de 23 anos e já tens uma experiência interessante como treinador de futebol. O que te levou a investir neste percurso de treinador?

Desde cedo fui muito apaixonado pelo futebol e dizia querer ser treinador. Joguei desde os 11 anos até que vou estudar (Ciências do Desporto), e vi que tinha essa oportunidade de agarrar o sonho. Acabei por não seguir o ramo para não restringir a licenciatura, mas, mal acabei, tirei o curso de treinador e comecei a exercer.

 

  • Que treinadores e filosofias de jogo e treino mais te inspiram, e influenciam a forma como vês o futebol e queres que as tuas equipas joguem?

Quanto a treinadores, só darei uma referência e principalmente pela sua forma de ser e estar, Luís Castro. Filosofias de treino, só me posso basear na leitura porque quanto a treinadores de referência nunca vi a sua forma de trabalhar. Quanto a mim, gosto que as minhas equipas gostem e saibam ter bola, que quando não a podem ter, sejam obcecadas pela sua recuperação e gosto que sejamos bastante objetivos dando muito liberdade naquilo que é o processo ofensivo.

 

  • Quais os objetivos que tens definidos para tentares alcançar, e até onde acreditas que terás competência para chegar?

Quero fazer o meu caminho sem pressas e sem queimar etapas. Quero continuar a minha formação enquanto treinador, passar pelos escalões todos da formação e, claro está, chegar ao futebol sénior. Quando lá chegar, tentar continuar a subir e se conseguir o profissional, perfeito. Uma coisa é certa, trabalharei sempre com esse objetivo e ambição. Se surgir a oportunidade, agarrá-la-ei, mas com calma, ainda tenho 23 anos e muito pela frente.

 

  • Enquanto penafidelense, como analisas o estado atual do futebol do concelho, tanto ao nível do futebol sénior como da formação?

Penso que tem evoluído de forma muito considerável e positiva. Os investimentos feitos em prol das melhores condições para todos têm sido notórios e o facto de grande parte dos clubes se estarem a federar só mostra sinais de evolução.

 

  • Até que ponto consideras que seria importante voltarmos a ter o Penafiel na primeira liga, e qual a tua opinião sobre a capacidade que o clube tem de lá voltar?

Claro que para a cidade e para o nosso futebol só traria coisas boas e muito mais visibilidade. Quanto à capacidade eu não sei aquilo que são os objetivos e principalmente a capacidade financeira do clube. Agora que condições e qualidade não faltam, nos últimos anos tivemos provas disso.

 

  • Ao nível da formação, clubes como o Penafiel, Calçada de Oldrões ou Rio de Moinhos, mas também formações como o Rans, Castelões, Croca, Paço de Sousa ou Irivo têm obtido resultados de destaque. Em função do que vai acompanhando do trajeto destas coletividades, que conquistas acredita poderem vir a ser obtidas na formação futebolística das equipas penafidelenses?

Acredito que cada vez mais se vão afirmar e algumas consolidar e certamente, pela forma de trabalhar de algumas, daqui a uns anos teremos cada vez mais jogadores penafidelenses nos grandes palcos.

 

  • Até que ponto não te poderemos ver um dia ao serviço de uma das equipas do nosso concelho?

Certamente um dia acabará por surgir. Já tive propostas, mas de momento estou bem e com um projeto superinteressante, que não poderia abandonar de forma nenhuma. Mas acredito que sim e que mais cedo ou mais tarde, acabará por acontecer.

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