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PEDIDOS DE AUXÍLIO DISPARAM NA CARITAS

São cada vez mais os pedidos de ajuda de famílias que recorrem à solidariedade da Caritas no apoio para aquisição medicamentos, pagamento de rendas e necessidades alimentares. A instituição já disponibilizou cerca de 80 mil euros para auxiliar diversas carências de inúmeras pessoas a quem a pandemia tirou rendimentos e o emprego.

Em entrevista ao Jornal de Notícias, Eugénio Fonseca, presidente da Caritas Portuguesa, que coordena as várias Caritas Diocesanas espalhadas pelo país, não tem dúvidas de que a crise provocada pela pandemia de covid-19 é a que tem maior impacto no agravamento da pobreza nos últimos 100 anos.

“Surgiu este problema sanitário que arrastou consigo uma contração económica bastante significativa. Na Caritas temos sentido isso com um número de crescentes novas situações de pessoas que nunca procuraram o auxílio da nossa instituição e que agora o estão a fazer até para a satisfação de necessidades que na crise anterior apareceram mais tarde, como as necessidades alimentares”, afirmou Eugénio Fonseca, em entrevista ao JN, revelando que a Caritas já apoiou com a entrega de vales para compra de alimentos em supermercados 4660 pessoas, num apoio de 58.465 euros.

Acresce a este valor, cerca de 77 mil euros para apoio no pagamento de rendas, eletricidade, medicamentos e exames médicos.

Segundo Eugénio Fonseca, a maioria dos pedidos de ajuda chega de quem ficou desempregado, mas também de quem teve uma quebra nos rendimentos e de outra franja muito apoiada pela Caritas, os migrantes, que manifestam junto da instituição a vontade de regressar aos países da origem, um apoio assegurado pelo Estado e para o qual são encaminhados.

A estas cerca de 5700 pessoas apoiadas pela linha específica de apoio para a pandemia juntam-se outras 50 mil que pediram ajuda às Caritas diocesanas no primeiro semestre. Só houve capacidade de resposta para 26 mil.

“Claro que não pudemos atender a todas, não há recursos suficientes. As Caritas diocesanas não puderam fazer peditório nas ruas e não tiveram o ofertório das missas. Isto veio criar um desaire muito grande na contabilidade das próprias Caritas”, sublinhou ao JN, Eugénio da Fonseca.