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FRANCISCO CAMPOS REVELA AMBIÇÃO DE COMPETIR NO CICLISMO INTERNACIONAL

Jovem ciclista penafidelense formado na ADRAP, Francisco Campos é uma das maiores promessas da modalidade no nosso país, que já «brilhou» na Volta a Portugal e envergou a camisola das seleções nacionais jovens por esse Mundo fora.

Elemento da fortíssima equipa da W52/FC Porto, Francisco Campos concedeu uma grande entrevista ao Penafiel Magazine em que falou dos resultados de relevo que já conseguiu neste início promissor de carreira desportiva, bem como das ambições futuras, que passam pela chegada à elite internacional.

  • Como nasceu a tua paixão pelo ciclismo?

Muito simples, aquilo que cada um nasceu para fazer é-nos mostrado mais tarde ou mais cedo e eu, desde cedo, percebi que o ciclismo não era só um desporto, mas também uma maneira de viver. E assim cresceu a minha paixão por este desporto distinto.

  • Quando é que começaste e quais as primeiras memórias que recordas do início da prática desportiva desta modalidade?

Tenho bastantes recordações desses tempos, em especial dos treinos de gincana em que competíamos entre colegas para fazer o melhor tempo. Logo aí percebi que ser competitivo me corria nas veias.

  • És atualmente uma das figuras da formação da ADRAP e uma das «estrelas» das quais o clube mais se orgulha. Que importância desempenhou a ADRAP na tua formação como ciclista?

Quando falamos da ADRAP, falamos do melhor que a formação nacional tem, e não precisamos de dizer muito mais sobre a qualidade do trabalho que ali é feito. A ADRAP tem algo que não encontramos em muitos sítios, pois são sobretudo uma família e antes de nos ensinarem a ser melhor ciclistas, ensinam-nos a ser melhor pessoas. Eles certamente têm orgulho em mim e muitos outros que por lá passaram, e cada ciclista que ali passa não fica indiferente a esta escola.

percebi que o ciclismo não era só um desporto, mas também uma maneira de viver.

  • Se tivesses que enumerar alguns feitos marcantes dos teus anos de formação, quais seriam e porquê?

Nunca fui pessoalmente emotivo e que se contagie facilmente, mas para enumerar um momento marcante, destaco a Volta a Portugal de Juniores em 2015. Vencer a última etapa, onde mais tarde chegaram os profissionais na Volta a Portugal, foi sem dúvida um momento que significou muito para mim.

 

  • No teu entendimento, quais as razões que explicam que a ADRAP seja capaz de formar tantos ciclistas com muito talento, preparados para a alta-roda do ciclismo nacional?

Como expliquei anteriormente, esta escola de ciclismo ensina-nos a ser melhores pessoas e, acima de tudo, humildes, trabalhadores e companheiros, algo que é preciso para estar entre os melhores.

  • A partir de que momento é que começaste a sentir-te preparado para fazeres uma carreira profissional no ciclismo?

Acho que no primeiro ano de sub-23, em 2016, foi quando percebi realmente o que era o ciclismo e em 2017, foi definitivamente a minha afirmação e quando percebi que podia ser profissional.

 

  • Que balanço fazes de todo o teu percurso na ADRAP?

Extremamente positivo. Foram a minha segunda casa durante 10 anos, e trouxe de lá características que me diferenciam de muitos percebi que o ciclismo não era só um desporto, mas também uma maneira de viver. E assim cresceu a minha paixão por este desporto distinto.

  • Em 2018, quando chegas ao Miranda-Mortágua, qual a estrutura que encontras, e que condições te apresentaram para evoluíres como corredor?

Cheguei ao clube em 2017, uma estrutura que me deu das melhores condições que havia em Portugal. O Pedro Silva, a quem muito agradeço, ajudou-me a evoluir como ciclista, dentro e fora das competições.

  • Nas várias corridas que fizeste antes da Volta, conseguiste alguns resultados assinaláveis entre os mais jovens, e acabaste no «top-ten» da Juventude em provas como a Vuelta Ciclista Comunidad de Madrid ou o Grande Prémio de Portugal N2. Qual a importância destas prestações para o que irias conseguir na Volta?

Para mim foram resultados de pouco relevo, nada que me fizesse realçar, quando os meus objetivos eram bastante mais elevados.

  • Por duas vezes, conseguiste acabar uma etapa da Volta entre os dez primeiros. Qual a sensação de o teres conseguido, e que impacto tiveram essas classificações na tua carreira, e na atenção mediática que recaiu sobre ti?

Sem nunca ter corrido a Volta, fui com as ambições altas, e os top10 foram gratificantes, mas longe daquilo que realmente queria.

  • Em 2019, dás início a uma nova fase no teu percurso – o W52/FC Porto. Como surgiu esta oportunidade, e quais as razões que te levaram a aceitar o desafio?

Este foi um ano de mudança, em que abracei o projeto W52/FC Porto com grande expectativa e como o ciclista mais novo do plantel. É obviamente uma oportunidade que surge e que temos de agarrar. O calendário era vasto e com corridas de grande nível, o que me motivou a rumar ao clube.

  • De que forma sentes que estás a crescer desportivamente no clube, e que condições a estrutura te dá para dares seguimento à tua evolução desportiva?

A equipa dá excelentes condições e algumas oportunidades. A evolução tem sido grande, mas continuo com ambições de integrar estruturas maiores e com um calendário mais internacional.

  • Antes de passarmos à análise de 2019 de «azul-e-branco», foi com as cores de Portugal que brilhaste no Tour de l’Espoir. Como descreves essa participação em terras camaronesas?

Uma nova experiência, e foi com grande orgulho que vesti a camisola da seleção e levantei os braços. No geral, foi uma experiência enriquecedora para toda a comitiva.

  • Além de boas prestações em provas mais curtas, foi no Tour of Qinghai Lake, na China, que talvez tenhas registado o ponto mais alto do ano. Qual o rescaldo que fazes dessa presença em terras chinesas?

Na China, registei um bom momento da época, em que alcancei alguns lugares de bom nível, mas o momento mais alto do ano para mim foi na Corrida da Paz, pela seleção, onde alcancei um pódio na primeira etapa, no meio de futuros World Tour, e alguns deles já com contratos até.

a ambição é integrar uma formação internacional, com calendário e fundo monetário alto e equilibrado

  • Ficaste de fora da Volta a Portugal no ano passado. Que apreciação podes fazer dessa decisão tomada pela estrutura?

A Volta a Portugal é o objetivo principal da equipa, e o diretor levou a melhor formação para os objetivos estabelecidos.

  • Esta época, começaste na Clássica da Primavera. De que forma correu a tua prestação?

Sim, comecei lá a época, mas muito condicionado, depois de uma lesão longa e complexa. A recuperação era o principal objetivo.

  • Falar de 2020 é falar de um fantástico pódio absoluto nos Nacionais de Estrada, realizados em Paredes. De que forma é que se tornou possível alcançar semelhante resultado, e quais os fatores que te levaram a estar no sítio certo para trazeres a «medalha de bronze» para Penafiel?

Este ano tem sido um pesadelo para o ciclismo devido à pandemia e falta de competições. Em relação aos Nacionais de Estrada, foi preciso estar mentalmente forte e focado, pois o futuro era uma grande incógnita, mantive esse foco e tentei estar no meu melhor para competir. O resultado foi bom, mas a ambição é maior.

  • Num ano tão atípico, em que medida uma ausência tão prolongada de atividade desportiva condiciona a evolução de um ciclista, até pegando no teu exemplo pessoal?

Condiciona todos os que não podem competir porque a competição é que nos traz a maior evolução mas, no entanto, podemos evoluir a treinar.

  • Para 2020, quais os objetivos que ainda tens definidos para o que resta de uma época tão curta?

É difícil falar em objetivos, e só posso dizer que sigo focado para que, no caso de aparecerem competições em que a equipa quer que esteja presente, talvez o Grande Prémio O Jogo e o Grande Prémio Jornal de Notícias, eu possa estar à altura, mas depende da decisão da equipa e da evolução da pandemia.

  • Estás prestes a completar 23 anos de idade e dois numa das grandes equipas nacionais de ciclismo de estrada. Até onde julgas que podes chegar no panorama do ciclismo nacional e internacional e que objetivos tens definidos nesse âmbito para a tua carreira?

O objetivo é sempre para cima, até porque penso que limitado a esta «bolha» do ciclismo nacional, rapidamente chegarei a um ponto que vou estagnar. Por este motivo, a ambição é integrar uma formação internacional, com calendário e fundo monetário alto e equilibrado. Claro que, como para tudo, é preciso sorte e muito trabalho.