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Livro “A Confissão e a Culpa” de Germano Almeida apresentado em Penafiel

FOTO: Arnindo Mendes

Germano Almeida, o cronista de Cabo Verde como aceita ser considerado, apresentou no Escritaria, em Penafiel, o seu novo livro “A Confissão e a Culpa”.

 

Com este livro, o autor agraciado em 2018 com o Prémio Camões, celebrado em Penafiel em 2021, completa a trilogia do Mindelo, iniciada com “O Fiel Defunto”, e que tem em “O Último Mugido” o intermédio da trama em que a personagem central é um escritor, e o acontecimento principal o seu assassínio.

Os dois primeiros livros representam o antes e o depois da história do assassínio de Miguel Lopes Macieira, o escritor mais reconhecido e celebrado das ilhas, morto momentos antes da cerimónia do lançamento do que viria a ser o seu último livro, acontecimento de grande relevância na sociedade porque marcava o regresso do escritor à ficção. O relato de um acontecimento amplificado na sociedade mindelense, mas sem que em “O Fiel Defunto” e em “O Último Mugido”, Germano Almeida apresente a razão para o assassinato de Macieira pelo seu melhor amigo, Edmundo do Rosário.

 

 

Em “A Confissão e a Culpa” em vez de um narrador sempre presente nos dois primeiros volumes, temos um relato na primeira pessoa do assassino encarcerado na cela da prisão a contar e espiar a sua culpa. Um homem só na sua solidão, a contar que não matou o seu melhor amigo, suprimiu-o. Neste último livro da trilogia do Mindelo poderá dizer-se que tudo se esclarece, mas na verdade tudo também se confunde.

Germano Almeida, em entrevista ao Penafiel Magazine/Tâmegasousa.pt, disse que esta não foi uma sequela planeada, porque “quando escreveu o primeiro volume, não pensava escrever o segundo”.

“Neste caso, quando dei o livro por terminado, as personagens mantiveram-se em mim, como que dizendo agora vamos jantar, e o segundo volume começa precisamente com um jantar”, acrescentou.

Quanto ao terceiro, aceitou o desafio de encontrar uma razão para o assassínio do escritor Miguel Lopes Macieira.

“As pessoas dizem que ficamos sem saber porque o homem matou, e quando matou para mim não havia razão”.

 

Hélder Quintela