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Provedor da Misericórdia de Penafiel quer projetar a instituição na região

Joaquim Barbosa Esteves, de 73 anos de idade e natural de Paço de Sousa, reassumiu o cargo em eleições realizadas no final de dezembro de 2020, após um breve período como provedor em substituição, depois do falecimento do provedor Júlio Mesquita, em junho do ano passado

O novo provedor da Santa Casa da Misericórdia afirmou, em declarações ao Penafiel Magazine, que o seu mandato será pautado por projetar a instituição “com olhos de ver ao longe”, mas sem perder de vista os objetivos fundamentais da sua missão.

 

Joaquim Barbosa Esteves, de 73 anos de idade e natural de Paço de Sousa, reassumiu o cargo em eleições realizadas no final de dezembro de 2020, após um breve período como provedor em substituição, depois do falecimento do provedor Júlio Mesquita, em junho do ano passado.

Na altura, o antigo vice-provedor disse que assumia, temporariamente, a direção para evitar eleições antecipadas e para dar continuidade aos projetos entretanto lançados.

Acrescentou, ainda, que não se iria candidatar ao sufrágio marcado para dezembro de 2020, afirmando que já tinha dado uma década da sua vida à Misericórdia e defendendo que “devia ser obrigatório a todos os irmãos a passar pelo cargo para ficarem a par das dificuldades e trabalho necessários” para dirigir uma das mais antigas instituições de Penafiel, com mais de cinco séculos em existência.

“Hoje continuo a defender o mesmo, que as futuras direções deviam ser feitas em rotatividade”, adiantou em declarações ao Penafiel Magazine, frisando que uma boa parte da sua vida foi dedicada ao associativismo, tendo passado por várias instituições do concelho e que, agora, tinha “o direito de escolher” o que quereria fazer com o resto da sua vida.

Contudo, explica que a reação às declarações, tanto dentro da Misericórdia como da sociedade civil de Penafiel, foram uma “surpresa”.

“Recebi vários telefonemas de Irmãos que me questionavam e, sobretudo, desacordavam da decisão de não me candidatar”, explica, acrescentando que o suporte para uma eventual candidatura também emanava fora de portas da instituição.

“Uma delas foi do presidente do executivo da Câmara de Penafiel (Antonino de Sousa) que disse que eu tinha provas dadas e que era a pessoa certa para liderar a Santa Casa da Misericórdia de Penafiel”, acrescenta.

Os votos de confiança ajudaram a reverter a sua decisão original, adianta, a rapidamente começou a construir uma lista com vista, sobretudo, a uma gestão eficaz.

“Temos que ter, sobretudo, alguma paciência e capacidade de pensar, mas também um bom corpo administrativo e um quadro técnico à altura. Nesse caso, não custa assim tanto ser provedor”, anota.

 

Covid-19: Instituição passou por um momento difícil, mas ultrapassou o desafio

O novo provedor, que assume o cargo por quatro anos, recordou ainda os “momentos difíceis” que se abateram sobre dois dos três lares da instituição, logo no início do ano, que registaram surtos de covid-19 entre a sua população.

As infeções ocorreram nos lares Santo António e São Martinho, recorda, e foram contidos graças aos esforços “extraordinários” de colaboradores e o trabalho “incansável” da delegada de saúde de Penafiel.

Adiantou que em ambos os lares procederam ao isolamento dos casos de infeção e que todos os utentes afetados recuperaram.

Anota, ainda, que se registaram, na altura, duas mortes, mas por “causas não relacionadas” com a covid-19.

“Estou consciente que esta situação sensibilizou os colaboradores, porque ainda hoje, já com essa situação ultrapassada, mantêm o mesmo rigor e atitude”, sublinha.

O provedor explica que, entretanto, diligenciou um programa que permite a visita de familiares, mas sem contato, uma vez por semana e com hora marcada.

Recorda, por outro lado, que a experiência tem implicações no futuro, alertando as pessoas para a importância de evitar, sobretudo, o “facilitismo”.

 

Continuidade e sustentabilidade orientam o projeto para os próximos quatro anos

Joaquim Barbosa Esteves afirma que, com o seu mandato, pretende dar continuidade a vários dos projetos entretanto lançados, numa ótica de manter a sustentabilidade do projeto e, ao mesmo tempo, providenciar as melhores condições possíveis, tanto a utentes como colaboradores.

Muito em breve, recorda, vai inaugurar uma Cozinha Universal que será responsável pela confeção de refeições para os três lares da Misericórdia e o Serviço de Apoio Domiciliário (SAD).

A obra, orçada em cerca de um milhão de euros, justifica-se por uma questão de economia e de sustentabilidade, adianta, reforçando que a instituição já é autossuficiente em vários aspetos da alimentação, nomeadamente com a produção própria de grande parte dos vegetais que utiliza.

Para o lar São Martinho, indica que a Misericórdia tem um projeto em vias de arrancar para a renovação do sistema de aquecimento e a instalação de painéis solares, um investimento que visa, sobretudo, “uma maior poupança na conta energética”.

No lar Oliveira Mendes, a instituição tem planeada uma expansão sob a forma de uma nova ala para acolher utentes afetados com problemas na área da saúde mental e uma requalificação das atuais instalações.

O projeto, orçado em cerca de um milhão de euros, aguarda aprovação e lançamento a concurso, sublinha.

Em cima da mesa, e a aguardar uma série de autorizações, está também a renovação de um edifício em frente à Igreja Matriz de Penafiel de que a Misericórdia é proprietária e que pretende converter em apartamentos para arrendar.

O provedor adianta que as receitas provenientes serão mais uma fonte de rendimentos que vai contribuir para reforçar as contas da instituição.

 

Projetar a instituição, mas sem perder de vista a “missão principal”

Segundo o atual provedor, algo em que se falou, na altura da constituição da lista às eleições, era de projetar a Misericórdia “com olhos de ver ao longe”.

“Mas não podemos fugir àquilo que é a nossa missão principal, nomeadamente termos as melhores condições possíveis, sobretudo que nunca falte nada aos nossos funcionários e colaboradores e que os utentes sejam bem servidos”, explica. E acrescenta:

“Recentemente, fomos abordados por um casal do Porto que aqui procurava os nossos serviços. Questionei, por curiosidade, as razões por nos escolher e explicaram que tínhamos sido recomendados por um responsável pela área social de um dos hospitais do Porto. Para mim, é uma satisfação imensa saber que a Santa Casa da Misericórdia de Penafiel é uma instituição recomendada, na região”.