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Romaria de S. Martinho de Penafiel mantém matriz centenária – historiador (C/VÍDEO)

O historiador de Penafiel Coelho Ferreira considera que a centenária romaria de S. Martinho, naquela cidade, mantém a matriz original, como grande ponto de compra e venda de produtos agrícolas e vestuário para o inverno.

 

Em declarações à Lusa, explicou que o evento, por coincidir com o final de muitos trabalhos agrícolas, às portas do tempo frio, sempre serviu para o comércio de agasalhos, nomeadamente as samarras de Penafiel, e produtos agrícolas da época, com destaque para a castanha e o vinho novo.

A referência mais antiga ao evento, explicou, remonta a um documento de 1049, quando a feira se realizava na antiga paróquia de S. Martinho de Muazes, onde hoje ainda se situa a capela de Santa Luzia.

Em meados do século XVI, por altura da edificação da Igreja Matriz, dá-se a fusão de três paróquias da atual área da cidade de Penafiel: S. Martinho de Muazes, Espírito Santo e S. Bartolomeu de Louredo.

A designação da nova paróquia, contou, passou a ser S. Martinho de Arrifana, então um núcleo urbano em crescimento por estar a uma jornada do Porto (cerca de 30 quilómetros) e, por isso, ponto de paragem dos viajantes.

 

 

Já no foral de 1741 havia referências à importância da feira.

Por essa altura, indicou o investigador, foi também uma das maiores feiras de gado cavalar do país, tradição que prevaleceu muito anos, tendo o quartel militar da cidade e o exército como um dos principais clientes.

O historiador penafidelense referiu, por outro lado, que o evento começou por ter um cariz religioso, dedicado ao padroeiro, para se transformar numa feira, sobretudo a partir do momento em que Penafiel, em 1741, passou a ser concelho, até alcançar o estatuto atual de uma das maiores romarias do país.

A componente de animação, assinala, também é antiga, embora tivesse moldes diferentes dos atuais.

A chegada do comboio a Penafiel, em 1875, conferiu um grande impulso ao certame. A partir desse altura, passou a haver mais pessoas na localidade para usufruírem da feira ao longo de 10 dias de muita animação e comércio.

Outro dado revelado pelo historiador sobre a história da festa de S. Martinho em Penafiel é que, além da paragem recente, em 2020, devido à pandemia de covid-19, a festa já esteve suspensa outras vezes no passado, também devido a questões sanitárias.

 

 

Numa dessas vezes, acabou por se realizar em abril, tradição que ainda hoje se mantém com o chamado S. Martinho pequenino realizado naquele mês.

O S. Martinho de Penafiel regressa este ano ao figurino tradicional, “com tudo aquilo a que tem direito”, apesar de algumas restrições no espaço dedicado à prova do vinho novo, devido ao contexto pandémico, disse à Lusa o vereador Adolfo Amílcar.

Segundo o autarca, em vez da habitual presença das quatro adegas cooperativas da região, vai haver um vinho único, o “Vinho de S. Martinho”, selecionado entre os melhores, que será disponibilizado em onze locais da feira.

O evento arranca quarta-feira e vai estender-se até ao dia 21, prevendo a organização que dezenas de milhares de pessoas acorram àquela cidade do distrito do Porto.

Outra novidade do S. Martinho de 2021, assinala Adolfo Amílcar, é a disponibilização de um novo acesso rodoviário que ligará a Variante do Cavalum à tenda gastronómica.