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RUI BRITO FONSECA: “O ISCE DOURO SERÁ UM PARCEIRO DECISIVO NO FUTURO DE PENAFIEL”

Rui Brito Fonseca

Num dia em que o ISCE Douro comemora o seu quinto aniversário, desde o seu nascimento na cidade de Penafiel, não há melhor sentido de oportunidade para divulgar a entrevista realizada pelo Penafiel Magazine ao atual presidente da instituição, Rui Brito Fonseca.

Com um percurso profissional de mais de 20 anos no mundo académico e empresarial, Rui Brito Fonseca é licenciado em Ciência Política e Relações Internacionais, mestre em Ciências do Trabalho, e doutorado em Sociologia e, portanto, dotado de conhecimentos académicos e científicos tão importantes na análise da situação tão complexa que vamos viver nesta crise inesperada, ao nível do trabalho, da coordenação política nacional e internacional, e nas relações humanas, tanto na vida privada como nas instituições.

Estes contributos serão tão importantes no desenvolvimento de uma instituição de ensino superior que promete trazer a Penafiel um importante fator de competitividade. Com o ISCE Douro, Penafiel oferece à região uma solução que vem colmatar uma das suas grandes carências – a da baixa oferta de formação no ensino superior existente no Tâmega e Sousa.

E num mundo do trabalho, do emprego e do desenvolvimento das várias regiões em busca da retoma e consolidação da sua atividade económica, que estará sujeito a mudanças significativas num futuro muito próximo, será com o ISCE Douro que Penafiel contará para estar na vanguarda dessas mudanças, e consolidar a sua centralidade regional enquanto polo dinamizador do Tâmega e Sousa.

 

De que forma surgiu a oportunidade de assumir a presidência do ISCE Douro, em setembro do ano passado?

A minha relação com o Grupo PEDAGO – Entidade Instituidora do ISCE Douro – tem cerca de uma década; como tal, há um processo de conhecimento mútuo e um capital de confiança construído durante estes anos que conduziu a este desfecho.

Naturalmente, o processo de sucessão no ISCE Douro não foi um processo realizado de um momento para o outro. Quando o Doutor Ricardo Martins, administrador da PEDAGO, me endereçou o convite para assumir um cargo desta relevância, foi necessária a realização de um processo decisório reflexivo e ponderado. A tarefa de assumir a presidência do ISCE DOURO era de grande importância e relevância para o ISCE Douro e para a PEDAGO, cujas expectativas eu não podia defraudar, por um lado, e implicaria uma mudança radical na minha vida pessoal, por outro, pois teria de mudar a minha residência da zona de Lisboa para Penafiel.

Foi um processo trabalhado em conjunto com o Doutor Ricardo Martins, durante os meses que antecederam a substituição formal da presidência, onde decorreu um acompanhamento dos processos em curso, assim como de um conhecimento do ISCE DOURO e dos seus profissionais, docentes e não docentes. Digamos que foi desenvolvido um verdadeiro projeto de integração que permitisse uma transição suave e bem estruturada, capaz de permitir uma transição na continuidade, a par de uma visão de futuro diferenciada.

 

Quais foram os motivos que o levaram a assumir esta responsabilidade?

Por definição, assumo-me como alguém que gosta de desafios e de novas aprendizagens, adaptável à mudança e inquieto por natureza. Julgo que um dos grandes desafios do ser humano é ser capaz de reconstruir-se e reinventar-se, consoante os desafios que se colocam no seu caminho. Sempre foi essa a minha perspetiva!

O desafio é gigante, pois a adversidade e a resistência implícitas em qualquer desafio são fatores com os quais eu teria de saber lidar, enfrentar e transformar em oportunidades positivas. Contudo, a experiência acumulada de vários anos, na gestão de empresas, dá-me um conforto e uma calma que me permitem encarar este desafio com serenidade e confiança.

O apoio que a PEDAGO me prestou desde o início do processo, a par do apoio pessoal do Doutor Ricardo Martins, foram elementos fulcrais neste processo. O capital de confiança mútua existente, construídos em quase uma década de relação, dissiparam quaisquer hesitações que poderiam existir. Para além disso, o facto de ter encontrado no ISCE DOURO uma equipa motivada, empenhada e aberta à inovação, também facilitou a minha integração na instituição e no meio social.

Poder ser parte da história da construção e desenvolvimento de uma Instituição de Ensino Superior como o ISCE DOURO, essencial para o progresso da cidade de Penafiel e da região do Tâmega e Sousa, conjugado com o prazer pelo planeamento estratégico institucional, assim como pela gestão de pessoas, motivaram-me a assumir as funções que hoje desempenho.

 

Qual a visão estratégica que traz consigo nesta nova missão que se encontra a desempenhar?

A visão estratégica que pretendo desenvolver no ISCE DOURO passa por vários vetores do domínio interno que concorrem para o mesmo objetivo de sucesso, e que passam pela abertura à comunidade, cultura organizacional, corpo docente, oferta educativa, investigação científica e projeção.

No que concerne à abertura à comunidade, considero que há um trabalho de abertura às instituições locais e regionais a continuar e a aprofundar. Apenas com um ISCE DOURO, intimamente conectado com as forças vivas, locais e regionais, em harmonia com outras instituições de âmbito mais amplo, é possível afirmar decisivamente o ISCE DOURO.

Quando falo de uma organização que tem como objetivo crescer, quantitativamente e qualitativamente, há mudanças organizacionais a operar faseadamente. Qualquer processo de crescimento implica mudança, crescente formalização dos processos, crescente desmaterialização, mutação cultural e implementação de modelos de desempenho diferenciados.

Neste quadro, o corpo docente tem um papel central. Estamos num ponto de viragem em que tenho presente que é necessária uma crescente aposta na qualidade e estabilidade do corpo docente, de modo a fomentar processos cooperativos e competitivos melhor enquadrados. A nossa afirmação, local e regional, passa pela qualidade real e percecionada do nosso corpo docente e, como tal, são um capital que valorizo muito.

No que respeita à oferta educativa, a estratégia de crescimento passa também pelo crescimento da mesma. Considero que uma maior oferta educativa, crescentemente ajustada às necessidades das instituições e empresas locais e regionais, é o caminho certo para o sucesso do ISCE DOURO e para o desenvolvimento regional.

Depois, tenho um objetivo muito claro que passa pelo crescente estímulo da investigação científica, com a criação de um Centro de Investigação do ISCE DOURO, acreditado pela FCT e capaz de ombrear com Unidades de Investigação e Desenvolvimento, de elevada qualidade e mais anos de antiguidade. Pretendo contribuir para que ISCE DOURO seja a Instituição de Ensino Superior de referência na região.

Naturalmente, esta não é uma corrida de velocidade ou de meio fundo. Pelo contrário, é uma corrida de fundo, com várias etapas em direção a uma meta clara e definida. Mais do que isso, é uma estafeta. Em que a estreita articulação e a partilha de princípios e valores comuns, entre a equipa de topo, é essencial para que a meta seja atingida com segurança.

 

Em que aspetos quer contribuir, enquanto Presidente da instituição, para tornar o ISCE Douro uma entidade de inestimável importância no desenvolvimento regional?

Não tenho qualquer dúvida de que o ISCE DOURO é já hoje uma entidade de inestimável importância do desenvolvimento regional. Quando temos cerca de 90% dos nossos graduados a trabalhar na sua área de formação, isso significa claramente que estamos a dar resposta a necessidades de formação que as empresas e as instituições tinham. Esse é o nosso melhor indicador de sucesso.

Mas é claro que isso não me satisfaz. Quero mais. Quero que a instituição cresça e contribua de uma forma ainda mais decisiva para tornar a região do Tâmega e Sousa numa das mais competitivas do Norte de Portugal, por via da formação de qualidade dos seus trabalhadores e empresários no ISCE Douro.

É por isso que os eixos estratégicos enumerados antes são tão importantes nesta caminhada construída, passo a passo, desafio a desafio, obstáculo a obstáculo.

Estou certo de que, cada vez mais, o futuro de Penafiel e da região do Tâmega e Sousa passa pelo ISCE Douro.

 

Em que medida, e tentando desenvolver um pouco a questão anterior, o ISCE Douro se pode assumir como uma instituição importante para Penafiel e o Tâmega e Sousa?

É claro que quando introduzimos uma instituição como o ISCE DOURO, com a proximidade local que a carateriza num meio social como Penafiel e o Tâmega e Sousa, estamos a dar um sinal muito claro às populações e às empresas. Um sinal muito claro de que Penafiel pode ser o epicentro de desenvolvimento de toda a região do Tâmega e Sousa, formando com qualidade os profissionais do futuro, criando emprego de qualidade e bem remunerado.

As empresas podem contar com um parceiro que conhece bem as necessidades da região, em estreita articulação com a Associação Empresarial de Penafiel, ajudando-as a desenvolver melhores diagnósticos prospetivos, contribuindo para a inserção de jovens profissionais na vida ativa, estimulando o empreendedorismo, entre outras iniciativas, contribuindo assim também para o seu sucesso.

As famílias e os mais jovens podem contar com o ISCE Douro, como o parceiro ideal para a sua formação, reduzindo gastos com uma formação superior no Porto ou noutro distrito (despesas com aluguer de quartos, alojamento, transportes). Assim, os nossos jovens podem estudar perto de casa, no conforto do lar e com a companhia e proteção das suas famílias, gerando riqueza na Cidade de Penafiel e na região do Tâmega e Sousa

 

Ao fim de oito meses de trabalho, o que nos pode dizer do que já foi feito na instituição até ao momento?

Do muito que já foi desenvolvido nestes oito meses de trabalho, destacarei algumas iniciativas mais marcantes para a vida do ISCE DOURO.

Começaria por destacar o significativo investimento realizado na contratação de docentes de elevada qualidade, de modo a podermos ministrar um ensino de crescente qualidade. Estou certo de que os docentes contratados foram a escolha acertada no momento certo, pois têm demonstrado ser importantes ativos para a Instituição, a vários níveis, pelo seu dinamismo, empenho, resiliência e capacidade intelectual.

Depois, realçar o trabalho de diplomacia social desenvolvido com o intuito de aprofundar a relação do ISCE DOURO com as Instituições e Empresas. Disso são exemplo as várias reuniões ocorridas com a Câmara Municipal de Penafiel, com a CIM Tâmega e Sousa, com a Junta de Freguesia de Penafiel, com a AEP, com o ACES, com a Paróquia de Penafiel, com os Bombeiros Voluntários de Penafiel, com a Comunicação Social local, com várias IPSS, com empresários, com outras escolas, entre outras organizações. Este é um trabalho essencial, para a criação de parcerias institucionais, capazes de gerar valor para a Cidade de Penafiel e para a Região do Tâmega e Sousa.

Ao nível da oferta educativa, realço o trabalho no crescimento da oferta educativa, cuja materialização mais imediata é a abertura já no próximo ano letivo 2020/2021 do CTeSP em Acompanhamento de Crianças e Jovens. Mas estamos a trabalhar mais no crescimento da nossa oferta educativa, ainda para o próximo ano letivo.

Encetámos também uma nova dinâmica no que concerne ao impulso à investigação científica, apoiando os nossos docentes nesse processo, com vista à criação da massa crítica necessária à criação de um Centro de Investigação autónomo, capaz de potenciar a investigação aplicada, devolvendo à comunidade mais-valias científicas, valorizadoras da Cidade de Penafiel e da Região do Tâmega e Sousa.

Ao nível mais micro, reforçámos com equipamento os nossos laboratórios de Multimédia e de Desporto, tendo ambos uma valência tripla: a formação dos nossos estudantes, a realização de investigação científica, assim como a prestação de serviços à comunidade. Para além disso, reforçámos uma política de aquisição de obras para a nossa biblioteca, tendo sido possível desde o início deste ano letivo, reforçá-la em mais de 200 obras que serão úteis para o estudo dos nossos estudantes e docentes. Também procedemos à instalação de um serviço de reprografia no interior das nossas instalações, melhorando um serviço aos alunos que era algo deficitário. Por fim, investimos nos espaços de convívio do ISCE Douro, criando um lounge moderno e funcional, onde os nossos estudantes passam os seus tempos de lazer e estudo.

Naturalmente, em 8 meses, a equipa do ISCE DOURO já fez muito mais. Contudo, estes são exemplos claros de uma Instituição de ensino que se recusa a parar no tempo, estando constantemente a inovar, com vista ao crescimento da mesma e da melhoria contínua do serviço aos alunos.

 

Para quem não conhece a ISCE Douro, e olhando para a oferta formativa, nota-se que a educação, o desporto e o turismo desempenham um papel de grande relevância entre as ofertas ministradas. Há algum fundamento nessa observação?

Começaria por acrescentar à lista que refere o Multimédia, pois temos um CTeSP e uma Licenciatura, ambos nessa área. Queria destacar que essa é uma área de ponta, onde a empregabilidade é elevada e onde se situa uma boa parte dos empregos do futuro. A crise do COVID19 mostra bem como as tecnologias da informação e comunicação e o recurso a aplicações multimédia são essenciais para que o teletrabalho possa ser uma realidade e a comunicação vídeo entre famílias também. Do mesmo modo, são estes profissionais que asseguram que tenhamos plataformas de comunicação à distância que permitem que tenhamos aulas à distância, não prejudicando os objetivos de aprendizagem dos estudantes. De facto, muito do nosso futuro, nas mais diferentes áreas do nosso quotidiano, passa pelo Multimédia. A seu tempo, Penafiel e o Tâmega e Sousa podem tornar-se num cluster de empresas de multimédia, com um enorme potencial exportador e criador de riqueza.

O Turismo é apesar de tudo a área menos relevante no ISCE DOURO, pois parece não existir a devida valorização social do potencial de empregabilidade dos profissionais desse setor, o que tem dificultado o crescimento da procura desta oferta.

No que se refere ao Desporto, este é uma aposta mais do que ganha, pois tanto o nosso CTeSP como a licenciatura permanecem com crescentes índices de procura. A par disso, porque os nossos cursos têm uma forte componente prática, com estágios em ginásios e outras empresas de desporto, a inserção profissional fica ainda mais facilitada.

Também na Educação, base do desenvolvimento económico e social de qualquer sociedade, a procura tem sido crescente, seja ao nível dos CTeSP, Licenciaturas ou Mestrados. Nota-se uma crescente consciencialização social da importância destas ofertas formativas para o desenvolvimento regional e para uma maior empregabilidade.

 

Em que medida as áreas supracitadas podem ser capazes de tornar a instituição uma referência na produção de conhecimento ao nível das mesmas?

Não querendo ser juiz em causa própria, eu diria que, neste momento, o ISCE Douro é já uma referência na produção de conhecimento, nas diferentes áreas.

Tem crescido, de modo gradual e sustentável, o número de artigos científicos assinados por docentes do ISCE Douro, seja em publicações nacionais ou internacionais. Este é um caminho que continuaremos a traçar, dando passos seguros, com o objetivo de reforçar a nossa posição de referência na investigação científica. Estou certo de que quando agregarmos os atuais núcleos de investigação num centro de investigação reconhecido pela FCT, conseguiremos reforçar ainda mais esta posição. Esse é o nosso desígnio!

 

Até que ponto podemos esperar por um alargamento da oferta formativa por parte do ISCE Douro?

Conforme mencionei antes, no que respeita à oferta educativa, a nossa aposta é no seu crescimento. Este crescimento irá consubstanciar-se na abertura, já no próximo ano letivo 2020/2021, do CTeSP em Acompanhamento de Crianças e Jovens. Para além disso, estamos a trabalhar em mais oferta educativa, ainda para o próximo ano letivo.

 

Um dos grandes desafios para o desenvolvimento do Tâmega e Sousa no futuro prende-se com a necessidade de mais investimento em ensino superior presente na região. Em que medida o ISCE Douro está à altura de responder a este desafio estratégico, e qual a importância que poderá desempenhar neste âmbito?

Esse é o grande desígnio do ISCE Douro: crescer e alargar a sua oferta educativa. O nosso crescimento, em número de estudantes e docentes são, ao longo destes quase 5 anos, o melhor indicador do nosso sucesso e do caminho acertado da nossa estratégia.

Mas não estou satisfeito! Quero que o ISCE Douro continue a crescer e a formar um número crescente de pessoas, com vista a tornar a região do Tâmega e Sousa numa região altamente competitiva, do ponto de vista da formação dos seus humanos. Estou certo de que o ensino superior é a única via para esse objetivo!

 

Por detrás da oferta formativa, há também um corpo docente a ministrá-la. Para um estudante interessado em ter uma formação de excelência, o que pode esperar do ISCE Douro neste aspeto?

O nosso corpo docente é um corpo docente que, apesar de jovem, tem uma elevada qualidade. Essa qualidade mede-se por indicadores tão objetivos como o número de publicações e comunicações (nacionais e internacionais) de cada um deles, do apreço e admiração que os nossos estudantes nutrem pelos mesmos, assim como pelo caminho de constante atualização – científica e pedagógica – que cada um deles realiza.

Naturalmente, a receita do nosso sucesso está na qualidade dos nossos docentes que “vestem a camisola” pelo ISCE DOURO e vivem o seu quotidiano com empenho e dedicação. Não se obtém o sucesso sem equipas fortes e coesas, por isso no ISCE DOURO a constituição das equipas de trabalho assume tal importância.

Em suma, um estudante que queira vir estudar para o ISCE Douro pode esperar encontrar um corpo docente de qualidade, empenhado, dedicado, atualizado e com um trabalho de proximidade com os seus estudantes.

 

Os encargos financeiros que se impõem à mudança para uma cidade diferente, uma situação que acontece com frequência numa região que carece de instituições de ensino superior com a proporção e oferta desejadas, leva muitos alunos penafidelenses a migrar para outras localidades, estando fora do concelho pelo menos durante a semana. O que está a fazer, e o que poderá vir a fazer o ISCE Douro na tentativa de inverter esta realidade?

O ISCE Douro é a solução para a redução dos encargos financeiros com os estudos, para as famílias penafidelenses e de todo o Tâmega e Sousa. Se não, vejamos: um estudante que vá estudar para o Porto, Vila Real ou Bragança terá de arrendar um quarto ou uma casa (nunca gastará menos de 300 €), terá de alimentar-se (dificilmente, gastará menos de 200€) e, para além disso, terá de deslocar-se semanalmente ou quinzenalmente, para visitar a família (um custo entre 25€ e 50€). Falamos de um custo de cerca de 550€, o que fica muito acima de qualquer mensalidade paga no ISCE DOURO.

O ISCE DOURO, como Instituição de Ensino Superior de proximidade, sita em Penafiel, é a solução mais económica e de qualidade, para toda a população do Tâmega e Sousa. É melhor para os estudantes, para as famílias, para o desenvolvimento local e regional que os estudantes desenvolvam as suas atividades académicas, estando a viver na morada de família, fortalecendo laços comunitários, essenciais ao nosso futuro comum. É por isso que incansavelmente estamos a dar a conhecer o nosso trabalho à comunidade, articulando-nos crescentemente com a mesma.

Para terminar esta questão, resta repetir que os nossos graduados são o melhor indicador da nossa qualidade de ensino, pois cerca de 90% trabalha numa área relacionada com a sua formação

 

A migração de jovens penafidelenses, e de outros concelhos da região, para cidades com universidades e institutos politécnicos em outras regiões, leva-os a vivências pessoais e profissionais que podem potenciar o risco de o Tâmega e Sousa perder muitos dos seus jovens qualificados, e reduzir a sua capacidade competitiva num mundo em que o conhecimento científico desempenhará uma importância cada vez maior. Até que ponto sente o receio, por parte das instituições da região, deste problema, e que estratégia poderá ser levada a cabo para colocar o Tâmega e Sousa como recetor e fixador de gente qualificada?

Essa é uma questão que não nos preocupa muito, pois temos consciência de que os estudantes têm no ISCE Douro tudo o que podem encontrar nas outras Instituições de Ensino Superior. Sendo honesto, têm mais. Têm uma proximidade com os docentes que não encontram noutras instituições e têm, essencialmente, um acompanhamento diferenciado. Cada estudante para nós é único e merece um acompanhamento individualizado. Talvez por isso, também, as famílias com filhos com NEE procurem o ISCE DOURO para os estudos superiores dos seus filhos. Aqui sabem que eles vão ter um acompanhamento “olhos nos olhos” e que não serão apenas um número numa pauta.

Hoje já somos um recetor e fixador de pessoas qualificadas. Grande parte dos nossos estudantes são oriundos de concelhos de toda a Região do Tâmega e Sousa e mesmo de fora desta. O nome ISCE Douro é já símbolo de qualidade educativa, muito para além das fronteiras da região, atraindo jovens de diferentes partes do país.

Estamos conscientes de que se aqui chegámos foi com muito trabalho e empenho e que essas premissas vão continuar a nortear o nosso quotidiano tornando-nos, cada vez mais, num polo de atração e de fixação de pessoas qualificadas, contribuindo decisivamente para o desenvolvimento e competitividade regionais.

 

Os tempos de pandemia que vivemos vieram trazer para a realidade um cenário completamente imprevisto há uns meses atrás. Tendo em conta as enormes exigências sociais, financeiras e económicas que vão ser colocadas aos portugueses, que impacto este problema internacional poderá ter na estratégia de desenvolvimento do ISCE Douro?

Seria uma irresponsabilidade não ter em linha de conta a enorme turbulência económica e social que esta pandemia acarreta. Estamos conscientes de que ao nível internacional, nacional e, como tal, regional, estaremos perante uma das mais difíceis crises económicas dos últimos tempos. Contudo, também sabemos que é em tempos de crise que a posse de um diploma de estudos superiores faz a diferença no acesso ao emprego. Sabemo-lo pelas estatísticas oficiais e sabemo-lo pelo “vox populi”. Em tempos de crise, em que a disponibilidade financeira das famílias é menor, o ensino superior é o caminho mais rápido para o emprego e, como tal, para ultrapassar a crise. Por outras palavras, se há momento em que as famílias devem investir no Ensino Superior é quando se aproxima uma crise!

Para além disso, conforme demonstrou bem a nossa rápida adaptação ao ensino à distância, o ISCE DOURO é uma organização muito dinâmica e com capacidade de antecipação das realidades. Recordo que ainda o Governo não tinha decidido suspender as atividades letivas presenciais, o ISCE DOURO já tinha tomado essa decisão uma semana antes. Do mesmo modo, muitas Instituições de Ensino Superior ainda estavam a refletir sobre como implementar o ensino à distância, já a equipa do ISCE DOURO tinha feito essa reflexão e já estava a lecionar à distância.

Contudo, estamos atentos aos impactos que os fatores externos podem ter no ISCE DOURO, procurando refletir sobre alternativas a seguir, antecipando alguns dos efeitos nefastos desta crise.

 

Até que ponto a valorização do conhecimento científico e técnico trazida pela crise, poderá refletir-se positivamente na valorização e apoio da atividade e trabalho do ISCE Douro nos próximos anos?

Julgo que é prematuro para desenvolver uma reflexão desse tipo, face à informação que temos disponível, sobre a evolução e impactos diretos da crise. Todavia, conforme já aqui salientei a posse de um diploma de ensino superior é uma mais-valia em tempos conturbados. Para além disso, o conhecimento científico e técnico que produzimos no ISCE DOURO será, com toda a certeza, de grande utilidade nos anos vindouros, onde a crise e a recuperação da mesma estarão no centro das nossas preocupações.

 

Que importância terá a localização do ISCE Douro na cidade de Penafiel, no plano de desenvolvimento da instituição? Ou seja, que importância tem para o ISCE Douro estar situado na cidade que é hoje sentida como referência em toda esta região?

Penafiel, desde há 250 anos, que detém um posicionamento geográfico estratégico, no âmbito regional. Como tal, afirmou-se como um paradigma de desenvolvimento local e regional, fosse pela sua vocação comercial, fosse pela sua ambição industrial.

No quadro de uma Cidade com estas características, o ISCE DOURO veio colmatar um setor de atividade e desenvolvimento, essencial em qualquer Cidade que se quer projetada no futuro com sucesso, como é o caso de Penafiel. A nossa instalação na Cidade de Penafiel ocorreu no momento certo, pois a Cidade estava num momento de viragem social e económica que apenas é possível realizar com a participação do Ensino Superior. Estamos na Cidade certa e chegámos no momento certo!

O ISCE DOURO é hoje parte dessa mudança, no sentido de uma cidade mais moderna e aberta ao mundo, uma cidade que não só exporta para todo o mundo, como atrai pessoas qualificadas e forma novas pessoas altamente qualificadas, de múltiplas origens. Não tenho dúvidas de que esta mudança social, assente na qualificação das pessoas, irá transformar positivamente Penafiel, no espaço de uma década. Seremos mais competitivos, mais robustos socialmente e economicamente, portadores de uma crescente mundivisão, sem perdermos a identidade que nos distingue das cidades que nos rodeiam.

 

Uma previsível crise económica poderá colocar em perigo a sustentabilidade de muitas empresas ligadas a setores de hotelaria e turismo, tão importantes na atividade económica de Penafiel, bem como à indústria, por força do atraso ou congelamento de encomendas, e à diminuição substancial de atividade comercial. De que forma uma instituição como o ISCE Douro pode ser um parceiro importante no trabalho de retoma económica que terá de seguir-se?

O ISCE DOURO poderá ser o parceiro decisivo nesse processo, dado que tem um corpo docente qualificado e capaz de produzir análises da realidade e desenvolver estudos prospetivos, essenciais à projeção do futuro. A retoma económica dependerá, entre outros fatores, do contributo que o ISCE DOURO, em parceria com os agentes económicos – mormente através da Câmara Municipal, da CIM e da AEP –, poderá dar para essa necessária reflexão e ação sobre a realidade. O nosso capital de conhecimento e a diversificada experiência académica dos nossos docentes poderão ser decisivos nesse processo. Estamos e estaremos sempre disponíveis para contribuir para encontrar soluções para os problemas, em parceria com as “forças vivas” da Cidade de Penafiel e da Região do Tâmega e Sousa.

 

A digitalização da atividade laboral, o recurso massivo ao teletrabalho e a mais que previsível introdução da robótica na atividade laboral, poderão conduzir a uma alteração rápida e efetiva do paradigma do «trabalho das nove às cinco», cujos «engarrafamentos» em «horas-de-ponta» merecerão uma cada vez maior atenção de sociedades cada vez mais sensíveis a problemas ambientais. Até que ponto Penafiel e a região começam a estar preparados para enfrentar os desafios do mundo do trabalho que se avizinham, e o que pode fazer o ISCE Douro nesta matéria?

A conectividade é uma realidade crescente e está a mudar o nosso mundo a uma velocidade nunca vista. Estamos todos conectados uns com os outros, através de múltiplas plataformas e redes sociais. Um dos primeiros impactos desta hiperconectividade, se assim lhe quisermos chamar, é a mudança comportamental. Na última década, demos saltos gigantes a este nível: há computadores, telemóveis e tablets, em quase todos os lares; fazemos as compras on-line, encomendamos o jantar on-line, desenvolvemos relacionamentos sociais e afetivos on-line; ou seja, estamos a passar das relações interpessoais diretas para as relações sociais mediadas. As novas gerações, as gerações dos denominados “nativos digitais”, não conhecem outro mundo que aquele que é mediado digitalmente, sobretudo através do telemóvel androide, que serve para quase tudo e pouco para telefonar. Estamos a construir uma sociedade onde o individualismo, a “liquidez” dos relacionamentos (na aceção de Zygmunt Bauman) e a flexibilidade laboral – sobretudo através de plataformas digitais –, serão o futuro.

Sem ter receitas para uma questão dessa complexidade, temos, resumidamente, três desafios essenciais, para a Cidade de Penafiel e da Região do Tâmega e Sousa: um primeiro de índole tecnológica; um segundo de natureza educativa; e um terceiro – que resulta dos anteriores – de natureza social.

O primeiro desafio passa pela digitalização da Cidade de Penafiel e de toda a Região do Tâmega e Sousa, com vista a dotar as mesmas de estruturas tecnológicas robustas, capazes de suportar os necessários interfaces tecnológicos que mediarão a relação entre os info e hiper consumidores (na aceção de Lipovetsky) e as empresas. Do mesmo modo e em simultâneo, as empresas têm de fazer esta mudança rápida para o mercado digital, desenvolvendo modelos de negócio inovadores. Igualmente, a Administração Pública – nos seus mais diversos setores – também terá de acompanhar ou conduzir estes processos, transformando o atendimento e serviços presenciais em serviços digitais, virtualizando-se.

O segundo desafio é de ordem educativa. A este nível, as escolas estarão de estar adaptadas às novas necessidades dos jovens, na sua atividade educativa, adaptando espaços, conteúdos, metodologias, pedagogias, ou seja, a breve trecho, o ensino será muito diferente do que conhecemos hoje, muito mais consonante com as expectativas e realidades em que vivem os jovens. No ISCE DOURO, já começámos essa reflexão há muito tempo e já implementámos muitas das estratégias, metodologias e pedagogias necessárias a estas realidades emergentes. Estamos a trabalhar no ensino do futuro, um ensino cada vez mais digital, à distância, autónomo e flexível.

Por fim, a mudança social. Estamos na alvorada de um novo modelo de sociedade, assente na conectividade e numa crescente digitalização, ou seja, se a queda do Muro de Berlim marcou o final do século XX, a primeira experiência quase global e simultânea de digitalização da sociedade e do trabalho, impulsionada por esta pandemia, marca o início do século XXI. O teletrabalho e o co-working, autonomizado e individualizado, serão realidades com um peso no emprego muito significativo. Trabalharemos a partir de qualquer lado, para diferentes entidades através de plataformas, sem qualquer espécie de vínculo, de um modo geral. Seremos uma sociedade de prestadores de serviços que concorrerão entre si, pelas ofertas de tarefas disponíveis nas plataformas digitais, como já acontece em alguns setores de atividade. Tudo será mais fluído, “líquido” e flexível. Será uma sociedade flexível, numa constante tensão entre a tradição e a voracidade da digitalização relacional e laboral.

 

A sua formação académica é variada, e regista desde logo uma licenciatura em Ciência Política e Relações Internacionais, uma área tão destacada no debate político deste momento. Quando olha para a forma como o Mundo está a reagir a esta pandemia, que cenário à escala global podemos ter após este problema sanitário, no que diz respeito à relação de forças que se estabelecerá entre as várias potências à escala global?

Estou certo de que a China assumirá o seu papel de dominação económica planetária, através da Nova Rota da Seda que tem vindo a construir há décadas. Será um domínio realizado através da economia e de uma estratégia de aquisições e fusões de empresas estratégicas, realizadas já em vários países (como em Portugal) e que terá continuidade. Será um domínio económico e “invisível” acompanhado de um forte investimento militar (já em curso). Terá como aliado natural a Rússia, pois partilham um conjunto de interesses de dominação comuns, sobretudo ao nível dos hidrocarbonetos. Por seu turno, os Estados Unidos da América caminham no sentido inverso, com uma crescente descredibilização internacional e uma incapacidade de reação às investidas chinesas. Por outro lado, a União Europeia, incapaz de chegar a acordo sobre questões básicas da sua organização institucional, situa-se numa encruzilhada entre o aprofundamento da União e o risco da desagregação, podendo ser geradora de desequilíbrios e mesmo de conflitos armados no seu seio.

O século XXI que acaba de nascer será marcado geoestrategicamente, pela mudança do eixo do poder para Oriente, pela instabilidade política no Ocidente e pela digitalização, também ela dominada por capital chinês. O Império do Meio afirma-se assim como a potência que irá dominar o século em que vivemos, por via da economia primeiro, do poder militar depois e da demografia, por último. Como diz o velho ditado chinês, “que vivas em tempos interessantes” e estes são, sem dúvida, tempos muito interessantes.

 

Que papel espera que a Europa venha a desempenhar, por um lado, na coordenação interna na confrontação com esta pandemia e, por outro, no seu posicionamento face às demais potências do planeta?

Respondendo à sua questão, a apreciação que faço do desempenho da Europa face às demais potências do planeta é a que já exprimi na questão anterior. O melhor exemplo do desnorte da União Europeia que pode conduzir ao seu colapso ou à sua secundarização política e económica é o modo como a União Europeia não consegue lidar e controlar os efeitos desta pandemia, do mesmo modo em que não soube funcionar como união na anterior crise das dívidas soberanas e dos sistemas bancários. Do meu ponto de vista, falta na União Europeia uma liderança forte, capaz de unir e mobilizar os europeus, em torno de um projeto europeu de futuro.

 

Até que ponto teme que as grandes dificuldades que vão ser sentidas pelos múltiplos problemas sociais e económicos que se seguirem à pandemia, possam levar não à valorização da coordenação internacional na resolução de problemas à escala global, mas ao recrudescimento de populismos isolacionistas e autoritários, que explorem problemas e tensões sociais ao serviço de agendas políticas que possam pôr em causa uma certa estabilidade política, económica e social que os países mais desenvolvidos viveram nas últimas décadas?

Os populismos políticos, no seu estado atual de desenvolvimento, não são uma realidade política que me preocupe demasiado, considerando a sua expressão no conjunto dos países europeus. Julgo que boa parte do seu poder hipotético percecionado pelas pessoas são o resultado de um certo empolamento gerado pelos média televisivos, não correspondendo a anseios das populações dos países. No essencial, os povos procuram apoiar forças políticas que lhes deem resposta a necessidades que estão perto da base da pirâmide da hierarquia das necessidades de Maslow, como a segurança, seja do emprego, da moral, dos recursos, da família, da saúde ou da propriedade. Ou seja, procuram aquilo que normalmente lhes é garantido pelas forças partidárias, do denominado centro político que corresponde a uma ideia de estabilidade social e económica.

Ainda que episodicamente assistamos a algum crescimento de forças políticas populistas, não me parece que estejamos perante um panorama generalizado de crescimento na Europa dessas forças políticas, ao ponto de podermos ter uma Europa populista e isolacionista, capaz de colocar em causa os sistemas liberais democráticos existentes.

Considero que no essencial, continuaremos a privilegiar as mesmas necessidades, evitando derivas populistas de esquerda ou de direita, pois a matriz da União Europeia assenta em democracias liberais, compostas – essencialmente – por governos do centro do espectro político.

 

Quais os «ingredientes» que considera indispensáveis, no sentido da inversão de um ciclo recessivo que seguramente nos esperará depois da crise sanitária?

Eu não sou economista, como tal o meu contributo para essa discussão será sempre limitado. Todavia, existem formas de dinamização económica, mais ou menos consensuais, como o apoio direto ou pela via fiscal do Estado às empresas e o seu investimento em obras públicas, capazes de gerar um efeito multiplicador na economia. A par disso, no sentido de evitar ruturas sociais demasiado profundas que coloquem em causa a ordem pública e a sobrevivência das famílias, deverão existir políticas sociais consequentes, aplicadas aos mais desfavorecidos, capazes de gerar valor social.

Precisamos de ter presente que, para inverter o ciclo recessivo, é necessário gerar emprego. Dada a estrutura económica do nosso país, onde predominam as MPME, deverá existir uma atenção especial nos apoios do Estado, pois estas empresas são um fator essencial de coesão social e de inversão de um ciclo recessivo, pelo seu potencial de geração de emprego.

 

Que qualidades e características acha que devemos apresentar enquanto povo e sociedade, no sentido de estarmos à altura do desafio de nos reerguermos depois de uma crise tão severa, que promete ser um dos maiores desafios das nossas vidas?

Em momentos de carência económica e de recessão, os Portugueses têm sempre tido a sageza de encontrar soluções, com a capacidade de inverter a sua situação. Como povo, temos uma grande capacidade de adaptabilidade, de esforço, de empenho, de organização (ao contrário daquilo que muitas vezes é o discurso popular) e de solidariedade, conseguindo com essas características superar as diferentes crises com que nos temos deparado.

Enquanto coletividade nacional, sempre que foi necessário ao longo de quase 900 anos de história, estivemos à altura dos desafios e agressões a que fomos sujeitos, vencendo as adversidades.

Como no passado, superaremos as nossas dificuldades e continuaremos Portugal!

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  1. “ESTA MUDANÇA SOCIAL, ASSENTE NA QUALIFICAÇÃO DAS PESSOAS, IRÁ TRANSFORMAR POSITIVAMENTE PENAFIEL” , RUI BRITO FONSECA - ISCE DOURO - Penafiel Magazine

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