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TIAGO JOSUÉ FERREIRA: “A JS TEM EXCELENTES QUADROS EM PENAFIEL”

Aos 25 anos de idade, Tiago Josué Ferreira é o líder da Juventude Socialista de Penafiel, e numa altura em que se prepara para acolher, de amanhã a domingo, o JS Summer Camp, falou ao Penafiel Magazine tanto do evento, como do trabalho desenvolvido pela concelhia, nos últimos anos.

1- Este mês, decorre entre os dias 26 e 28 de julho o JS Summer Camp, que se realiza em Penafiel, na freguesia da Capela. Quais as razões que levaram a esta escolha por parte da Federação Distrital da JS?

Todos os anos há um processo de candidatura. As concelhias têm oportunidade de se candidatar a receber o acampamento e Penafiel, que já há muito tinha vontade de o fazer, mas nunca tinha sentido reunir as condições ideais para o efeito, candidatou-se este ano. E ganhou. Temos, contudo, que agradecer ao presidente da Junta de Freguesia da Capela, Manuel Alves, pela cedência do espaço. O Parque de Merendas da Capela é, sem dúvida, o parque de lazer mais bonito em Penafiel.

 

2- Segundo a descrição que fazes do evento, usas a expressão “100% sustentável e aberto aos teus ideais”. O que significa esta expressão?

A sustentabilidade ecológica é importante para nós. Para isso vamos distribuir ecopontos pelo recinto e vamos abolir os pratos, copos e talheres descartáveis que, por norma, são usados em acampamentos. Optamos por alugar loiça reutilizável, ficando cada campista responsável pelo seu próprio “kit” de refeição.

 

3- Para quem nunca foi a um Summer Camp, como se pode descrever esta iniciativa, e o ambiente que nela é vivido?

Respondendo a parte da questão anterior aqui, o JS Summer Camp é um momento de descontração e reunião para os militantes das dezoito concelhias do distrito do Porto, bem como todos os camaradas do resto do país que se queiram juntar. Mas não organizamos o Summer Camp apenas a pensar em nós. Esperamos uma adesão forte de jovens que não são militantes e que vêm pelo convívio e pela curiosidade de saber como uma juventude partidária se organiza. É um momento importante para atrair jovens para a política.

4- Na programação, estão incluídas atividades desportivas, festas oficiais e debates políticos. Podes explicar melhor em que consistem?

Durante todo o ano as juventudes partidárias reúnem-se em salas e auditórios com os mais diversos oradores para debater e pensar os temas mais variados. A contribuição para o desenvolvimento pessoal de cada um é inigualável, mas não é só disso que deve ser feita a política. Uma vez por ano a Federação do Porto da JS gosta de se reunir num clima mais descontraído, com organização de jogos de futebol, vólei, acesso à piscina, peddy-paper, entre outras atividades. Ainda assim, no mote da descontração, organizamos um momento isolado de debate político onde, de forma leve, se discutem alguns temas da atualidade.

 

5- Quantas pessoas se estimam que possam vir até à Capela, para participar no evento?

Mesmo sendo uma altura em que muitas pessoas estão ausentes em férias, estimamos que teremos cerca de 200 jovens de todo o distrito, estimando que pelo menos ¼ sejam penafidelenses.

 

6- Até que ponto a escolha de Penafiel reflete alguma apreciação positiva da Distrital, quanto à vossa atuação política?

Não querendo ser juiz em causa própria, é reconhecido por todos que Penafiel é, além de uma das maiores concelhias do país e a maior do distrito em militância, uma concelhia extremamente ativa, com excelentes quadros e, hoje em dia, credibilizada pela população. Fomos a melhor candidatura, mas isso só foi possível graças à maturidade política e responsabilidade dos nossos militantes que, em conjunto, garantiram que tínhamos as melhores condições.

 

7- Falando da JS Penafiel, que descrição fazes do trabalho até agora realizado, sob a tua liderança?

Olhando para trás, quase em final de mandato, tenho consciência que muitas coisas foram bem feitas, e outras menos bem. Na globalidade faço um balanço positivo do mandato até agora.

8- Quais os pontos positivos do vosso trabalho que destacas, e quais as maiores dificuldades com que te tens deparado?

O ponto mais positivo são sem dúvida as pessoas. Desde que tomei posse, em 2017, assumi que a minha principal função era atrair pessoas para a estrutura e dar-lhes ferramentas para que se tornassem, no futuro, quadros de excelência da Juventude e Partido Socialista. E assim foi. Formalizámos cinco novos núcleos de residência e inscrevemos militantes em freguesias onde praticamente não tínhamos militância ativa. Procuramos fazer iniciativas descentralizadas e dar oportunidade a vários militantes da JS Penafiel de as moderar, bem como capacitar os supracitados núcleos de capacidade política e intervenção nas suas freguesias.

O trabalho que fizemos credibilizou-nos. Nos quadros nacionais da JS passamos de um membro efetivo na Comissão Nacional da JS para três, colocámos um membro no Secretariado Nacional da Estrutura, algo que não acontecia desde 2011, e mantivemos um membro inerente na Comissão Nacional do PS. No distrito temos quatro membros no Secretariado Federativo, sendo uma das concelhias melhores representadas, e um membro na Comissão Política Federativa do PS Porto.

Não posso deixar de mencionar o PS Penafiel. Existe um alinhamento ideológico evidente e um sentido de cooperação entre as duas estruturas, com o respeito mútuo essencial a uma boa cooperação. A JS Penafiel apoia o PS e sente-se apoiada pelo PS ao mesmo tempo, e isso é muito importante para nós.

 

9- Dado estarmos muito perto da conclusão da primeira metade do atual mandato autárquico, que ilações consegues já tirar da governação do atual executivo municipal?

Nada de muito relevante. O atual executivo municipal é o que sempre habituou os penafidelenses. Ninguém consegue afirmar quais são as grandes bandeiras e opções de investimento deste executivo, o que é uma pena. Se o anúncio da construção da Casa da Cultura foi visto por nós com muito bons olhos, falta planeamento e estratégia em setores essenciais ao nosso desenvolvimento. Sem me querer alongar muito, devo referir a incapacidade de atração de investimento qualificado e a política ambiental como os maiores défices deste executivo.

 

10- Nas últimas eleições europeias, o PS venceu com 37,2% dos votos, e só não ganhou em seis freguesias. Que leitura a JS Penafiel e tu fazes dos resultados registados?

O eleitorado sabe distinguir os momentos eleitorais. Não acolho o discurso de que a vitória esmagadora nas europeias seja um indício para as autárquicas. É um sinal de que o país está melhor e que o PS merece a confiança dos portugueses.

11- Quais as expectativas eleitorais que tendes, para as legislativas em Penafiel?

Esperamos um resultado melhor do que nas Europeias. O Governo realizou obras importantes no concelho e os passes sociais que, para mim, foi a maior medida política social dos últimos anos, terá evidentemente o seu peso.

 

12- Que balanço fazes da governação de António Costa, ao longo dos últimos quatro anos, bem como do funcionamento do acordo do PS com o Bloco e o PCP?

António Costa é um grande primeiro-ministro. Há momentos-chave na nossa história e 2015 foi um deles. Sou um entusiasta do acordo parlamentar que se fez à esquerda e espero que venha para ficar. O bloco central tem que ser, a bem do PS e da democracia, algo que ficará para sempre no passado. Há muito por fazer e muitas desigualdades e injustiças por corrigir, mas é inegável que o país está melhor e que as pessoas vivem melhor, que estão mais felizes. Não é para isso que serve a política?

 

13- Enquanto militante e mesmo socialista, ficarias satisfeito se existisse a renovação deste acordo para a próxima legislatura?

Não espero outra coisa! Mesmo que o PS tenha a maioria absoluta que tanto anseia, penso que deverá continuar a ouvir os seus parceiros de esquerda em pontos ideológicos comuns. A solidez desta governação também se fará, porventura, quando o PS auscultar os partidos de esquerda, mesmo sem precisar necessariamente deles para aprovar diplomas.

 

14- Quais as razões que devem motivar os penafidelenses a votar PS nas próximas legislativas?

A continuação da política de devolução de rendimentos e apoios sociais é, sem dúvida, o grande mote da geringonça e continuará a sê-lo certamente. No que a Penafiel diz respeito, foi nesta legislatura que se realizaram investimentos importantes e que há muito haviam sido pedidos, como é o caso da rotunda da Ribeira. Estou certo da vontade do PS em avançar com o IC-35 e tenho esperança que essa obra arranque na próxima legislatura ou ainda no final desta.

 

15- No caso particular dos jovens, que aspetos da governação de António Costa os podem motivar a dar o seu voto de confiança ao PS este ano?

Uma das maiores preocupações dos jovens é o emprego. Era a dúvida de, aos 18 anos, irem para a faculdade e, aos 23, saírem com um diploma para engrossar as filas do IEFP. Vários emigraram e vários aceitaram empregos precários, fora da sua área de formação e sem garantias, porque era o que tinham. Em 2015, a percentagem de desempregados jovens era de 32%. Em 2018 era de 20%, e com perspetivas para descer. Quando me perguntam o que aos jovens mais favoreceu esta governação, a resposta é clara.

16- Sentes que a população jovem do concelho se sente, pelo que conheces, representada pela visão de sociedade preconizada pelo PS e pela JS para Portugal?

Sinto que a população de Penafiel é, na globalidade, de esquerda. Por muito que várias pessoas, por diversas razões, tenham vindo a apoiar um governo municipal de direita, para eleições de âmbito nacional muitas continuarão a votar PS. O Partido Socialista é o partido do equilíbrio e da moderação que a social-democracia defende. Somos a favor da iniciativa privada, mas queremos garantir direitos e condições aos trabalhadores. Acreditamos num estado forte e presente na saúde, na educação e nos setores estratégicos para o desenvolvimento do país. Do ponto de vista social, acreditamos na liberdade individual, na igualdade de oportunidades e somos dos mais progressistas em matérias de igualdade de género. Por isso sim, considero que a população tem todas as razões para se sentir representada pelo PS.

 

17- Ao longo destes quatro anos, que aspetos é que julgas ter sido menos positiva a atuação governativa?

O contínuo investimento na banca sem apurar responsabilidades concretas, que nos lesam a todos e retiram fatias importantes de investimento noutros setores, como a saúde e a educação. Penso que esse é o ponto mais negativo. Do ponto de vista da solução governativa, a greve dos professores preocupou-me por abalar a confiança que se vivia entre os parceiros de esquerda. Espero, contudo, que seja reforçada no decorrer do combate eleitoral que se segue e que possamos, uma vez mais, contar com os partidos à nossa esquerda para continuar a melhorar Portugal.

18- Qual o contributo que a JS Penafiel vai dar, no sentido de ajudar ao combate político que se avizinha?

A JS estará onde sempre esteve em alturas de eleições, na rua, junto do Partido Socialista, a fazer campanha e a constatar junto das pessoas que o país está muito melhor do que há quatro anos, de que há esperança em continuar a melhorar Portugal, e que o PS é o partido certo para manter este rumo.